Religião


Cortejo Xangô Rezado Alto vai às ruas do Centro pedir respeito à cultura africana

Em sua 6ª edição, projeto passa pela primeira vez no calçadão da Rua do Comércio

Déborah Moraes / Alagoas 24 HorasKeyler Simões (2)

Integrantes de grupos de matriz africana se reuniram nesta quinta-feira, 2, no centro de Maceió, para relembrar o episódio Quebra de Xangô, onde casas de culto afro religiosas de Alagoas foram invadidas e destruídas em 1912, e pedir respeito religioso.

Dividindo a organização do evento com a Articulação da Matriz Africana de Alagoas, grupo composto por religiosos, artistas e produtores culturais e Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), o representante da Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), Keyler Simões, falou que essa é a 6ª edição do projeto que faz parte do Programa Giro de Folguedos e que tem como finalidade valorizar todas as manifestações culturais e religiosas de matriz africana do Estado de Alagoas, dando visibilidade aos grupos.

Déborah Moraes / Alagoas 24 HorasXangô Rezado Alto (4)

Pela primeira vez, o cortejo que sai da praça Dom Pedro II (Praça da Assembleia), percorre o calçadão do comércio, pelas ruas Dois de Dezembro e Oliveira e Silva em direção à Rua do Comércio, onde foram espalhados seis tablados onde diversos grupos se apresentam desde às 14h, seguindo em direção a praça dos Martírios, fazendo duas paradas para reverências históricas.

A primeira parada na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Rua do Sol, construída por escravos que eram proibidos a entrar nas mesmas igrejas que seus senhores brancos, e a segunda no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL), na mesma rua, único local do Brasil onde há registros materiais remanescentes da época das quebras de xangôs. As festividades na Praça dos Martírios seguem até 22h.

Déborah Moraes / Alagoas 24 HorasXangô Rezado Alto (2)

Na praça Dom Pedro II participaram das apresentações os grupos Yá Capoeira, Afro Afoxé, Maracatodos, Coletivo Afrocaeté, Afojubá e Afro Mandela. No palco instalado na Praça dos Martírios, se apresentam Rogério Dyas e A Trincheira, Grupo Thembá e Afro Zumbi e apresentações solenes com os grupos Afoxé Ofá Omin, Maracatu Raízes das Tradições, Afoxé Povo de Exu, Afoxé Odô Iyá e Orquestra de Tambores. No intervalo de cada apresentação, haverá performances do grupo Aiê Orum

O Xangô Rezado Alto reverência às vítimas de opressão religiosa e pretende dinamizar o enfrentamento ao racismo, machismo e outras formas de discriminação social.

Déborah Moraes / Alagoas 24 HorasAlexandre de Freitas (2)

Para o integrante do Núcleo de Cultura Casa de Iemanjá, Alexandre de Freitas, o momento é importante para reflexão e conscientização dos alagoanos a respeito de suas heranças africanas. “Participei de todas as edições do Xangô Rezado Alto e vejo como esses momentos são necessários para se criar uma união entre as pessoas, independente de suas religiões, principalmente num momento de tamanha violência que vivemos, disse.

O evento cultural conta com o apoio de equipes do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran), Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Maceió (SMTT) e Guarda Municipal.


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