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Alagoano Fernando Baiano recebeu propina mesmo preso, diz delator

Reprodução/Globo NewsFernando Baiano

Fernando Baiano

O ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis disse, em depoimento na delação premiada, que a empreiteira pagou propina ao lobista Fernando Baiano mesmo após ele ter sido preso, na sétima fase da Operação Lava Jato, em 2015 (veja a partir do minuto 7 no vídeo acima).

Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, deixou a cadeia em novembro daquele ano, após ter fechado acordo de delação premiada. Ele passou a cumprir pena em casa, monitorado por tornozeleira eletrônica. O lobista é apontado pelas investigações da Lava Jato como um dos operadores de propina para políticos do PMDB, no esquema de desvios da Petrobras.

De acordo com Reis, quando Baiano foi preso, o irmão do lobista, Gustavo Soares, procurou a Odebrecht Ambiental para cobrar a propina. Gustavo Soares alegou que Baiano havia ajudado a Odebrecht a conseguir um contrato para obra de uma refinaria em Angola.

Ainda de acordo com Reis, Gustavo Soares afirmou que, após a prisão de Baiano, ele e o irmão ficaram com a conta bloqueada e sem dinheiro.

“Depois da sétima fase da operação Lava Jato, o irmão do Fernando Soares, o Gustavo Soares, a quem eu tinha conhecido porque ele trabalhava numa empresa concorrente nossa, uma empresa que é concorrente da Odebrecht ambiental… Tinha conhecido ele como um concorrente… Ele me procurou e disse o seguinte: ‘olha, nós estamos com a conta bloqueada, estamos sem dinheiro, estamos precisando de dinheiro, meu irmão entende que ele prestou um serviço a vocês’ “, afirmou Fernando Reis.

Reprodução/G1Depoimento na delação premiada

Depoimento na delação premiada

G1 tentou falar com a defesa de Fernando Baiano, mas ainda não havia conseguido contato até a última atualização desta reportagem.

O delator disse que Baiano havia feito uma intermediação entre a Odebrecht Ambiental e dois consultores, ex-funcionários da Petrobras, num projeto em Angola. Segundo Reis, o projeto não evoluiu e foi arquivado. Mas Gustavo Soares alegou que, num segundo momento, a empreiteira fechou um contrato em Angola graças ao contato prévio feito pelo irmão.

“Ele [Gustavo] disse: ‘não esse processo na época ele andou com vocês na utilidade mas também para a construtora Odebrecht. A construtora também caminhou com esses consultores. E depois que mudaram os consultores, a construtora continuou trabalhando e ela hoje tem um contrato assinado, tá fazendo as obras da refinaria de Lobito em Angola. Então meu irmão me pediu que eu viesse aqui cobrar de vocês nesse momento que ele está precisando de dinheiro porque ele entende que parte do trabalho que ele fez é devido’ “, relatou Fernando Reis.

Ele disse que o pagamento foi autorizado, mas que não se lembra exatamente da quantia. Reis estimou que foi um valor entre R$ 350 mil e R$ 500 mil. Reis disse ainda que o pagamento foi feito pelo sistema da Odebrecht criado para atender propinas, ou seja, Baiano recebeu o dinheiro sem registro oficial.

“Foi feito sem contrato [...] o Rogério [ex-diretor da Odebrecht] me pediu que fosse feito em caixa dois porque [os irmão Soares] não tinham nem conta para receber, já que todas as contas dele estavam bloqueadas. Pelo menos na conversa que ele [Gustavo Soares] teve comigo, ele dizia que precisava de dinheiro para pagar advogado, para apoiar as questões do irmão”, afirmou Fernando Reis na delação.

Fonte: G1

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