Educação


Enem: confira estratégias de estudo para se dar bem na prova

Reprodução/Rede Amazônica Acreactv_estudos_organizacao_1

Você sente dificuldades em estudar sozinho quando chega em casa após a aula? Sensações como a de estar perdendo tempo, estudando da maneira errada ou com baixa concentração são comuns e, por isso, o CORREIO ouviu especialistas e listou algumas técnicas de aprendizagem para você testar e se dar bem na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Segundo o professor Leandro Piccini, pesquisador em neurociência para a aprendizagem, essas dificuldades em estudar sozinho têm uma explicação histórica, porque nossa educação tem origem num tempo em que o conhecimento não era acessível e o professor era o único responsável por nos transferir a informação.

“O estudante consegue sentar numa sala olhando para o quadro, mas, quando está sozinho, não sabe o que fazer e é aí que recorrem aos métodos de estudo”, explica Piccini. E eles são diversos.

Método próprio
O próprio professor desenvolveu um método, chamado de Técnica do Estudo Completa ou Neuro-Técnica. Segundo ele, é preciso que o estudante saiba definir muito bem um início e um fim para o estudo. Se você estiver lendo um livro, por exemplo, marque onde começa e onde termina a leitura. Em seguida, folheie para ter uma noção rápida do que você lerá. E só então leia todo o conteúdo, grifando o essencial.

Depois de ler tudo, releia as partes grifadas e anote informações com suas próprias palavras. Feito isso, sem olhar o texto, faça anotações no seu caderno, simplificando ao máximo. A partir daí, é hora de dar uma pausa de cinco a dez minutos, evitando usar o celular ou ver televisão. Ao retornar, fale em voz alta o que você aprendeu.

Voz alta
O estudante Diego Figueiredo, 19 anos, segue a dica de ler em voz alta. Ele encontrou seu próprio jeito de estudar para a redação do Enem, escrevendo e fazendo apresentações para si mesmo sobre os possíveis temas da prova.

“Eu fico no espelho, falando comigo mesmo sobre os assuntos, me explicando. Eu acho que, assim, eu memorizo melhor, mas também escrevo as redações”, conta ele, que está no 3º ano do Colégio Estadual David Mendes Pereira e quer cursar Direito e Cinema.

Quando a disciplina é História ou Geografia, ele prefere fazer resumos. “Eu também vejo videoaulas na internet, mas isso é pouco para aprender, então, faço resumos. Pego tudo o que eu entendi do que li ou ouvi e transformo em resumo”, conta ele.

Eficiência
Para o professor Piccini, esse é mesmo um ótimo jeito de se estudar. “A maioria dos alunos tende a copiar para aprender. Escrever à mão é um método eficaz de memorização, mas é preciso que o aluno coloque no papel as suas próprias palavras, numa técnica de estudo ativa, produzindo conteúdo”, esclarece.

Numa comparação simples, o especialista explica que, entre copiar e criar conteúdo da própria mente, o ato de copiar rende 10% em aprendizagem, enquanto tirar as ideias da própria cabeça rende entre 80% e 90%. E é por isso que ele acredita que o método de grifar os conteúdos numa leitura não significa que você vá memorizar o que destacou.

“É um mecanismo de produtividade para se buscar uma informação durante uma revisão. Grifar, simplesmente, não significa que se está aprendendo”, salienta.

Nobel
Outra técnica que pode ser experimentada é a de Feynman, desenvolvida pelo cientista ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1965. O primeiro passo é escolher um conceito para entender melhor. A partir daí, anote o conceito, escrevendo o máximo possível sobre ele, como se fosse explicá-lo a uma criança.

Em seguida, pesquise sobre o tema, buscando coisas que você esqueceu ou que não conseguiu explicar. Depois, pesquise os subtemas, também deixando o mais claro possível. Depois de tudo, revise o que você escreveu e simplifique ainda mais, criando analogias e certificando-se de que não há nenhum jargão. Por último, leia em voz alta.

“Essa é uma técnica excelente para o aprendizado, porque o aluno precisa colocar a ideia dele no papel e explicá-la para alguém. Isso é excelente para a memorização. Para o Enem, é melhor que a técnica seja usada aliando com a resolução de questões”, defende Piccini.

Outro caminho de aprendizagem é o método SQ3R, bastante parecido com a técnica de Feynman, mas bem mais conhecida. A sigla vem de Survey, Question, Read, Recite and Review, que significam Examine, Questione, Leia, Recite e Revise. Assim, antes de ler, você deve dar uma escaneada rápida, vendo títulos, subtítulos, fotos, gráficos, olhando o parágrafo de abertura e conclusão, ambientando-se com o conteúdo.

Enquanto examina, transforme os títulos em perguntas, questione-se o que o professor falou a respeito dos temas. Assim que começar a ler, procure respostas para essas questões. Depois de ler, faça apontamentos com suas próprias palavras e em seguida recite o que aprendeu. Por último, reveja o resumo que você produziu. Segundo o professor Waldir, o método é interessante porque induz a pessoa a raciocinar sobre o que está sendo estudado.

Resumos
O resumo é um dos métodos considerados positivos e indicados por Piccini, mas com ressalvas. De acordo com ele, não vale ficar com o livro do lado, fazendo uma cópia de pedacinhos do conteúdo. “Alguns alunos alegam que aprendem bastante assim e, tudo bem, cada pessoa tem sua forma de aprender, mas o mais correto é fazer toda a leitura e depois sintetizar, porque, se você não treinar sua memória, pode ficar sem suporte na hora da prova”, alerta ele.

É mais ou menos assim que Isabela Oliveira, 18, aluna do 3º ano do Colégio Antônio Vieira, costuma estudar. Primeiro, a estudante faz um fichamento do conteúdo, passando as partes mais importantes para o caderno e depois volta lendo todo o capítulo novamente para fazer um resumo. “É o jeito que sempre fiz, não conheço muitas outras formas”, conta ela, que pensa em cursar Medicina. Para as matérias de exatas, Isabela prefere recorrer a videoaulas e resolução de questões.

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O professor de métodos de estudo para concurso Waldir Santos explica que quem não usa técnicas costuma fazer apenas uma mera leitura do conteúdo. “Às vezes, por excesso de conteúdo, as pessoas fazem apenas uma leitura passiva, enquanto os métodos são mais trabalhosos”, afirma Waldir.

Ainda segundo ele, os métodos que costumam ocupar menos tempo devem ser usados para matérias em que a pessoa já tenha um bom rendimento e o inverso para as que ele se dá mal.

Estratégia pessoal
A psicopedagoga e coach pessoal Luciana Luttigards defende que cada pessoa deve ter suas próprias estratégias de estudo. “Cada sujeito é individual até mesmo na forma de aprendizagem. Se o professor pede um fichamento, por exemplo, para alguns será fantástico porque é visual e ao olhar aquilo ele pode ter uma assimilação maior, mas existem outras pessoas que são mais auditivas, por exemplo, que preferem gravar o conteúdo para escutar depois”, afirma.

Ainda segundo a especialista, “o melhor jeito de descobrir sua forma de aprender é mesmo experimentando”.

Fonte: Correio24horas

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