Juiz do DF que suspendeu extinção de reserva amazônica é ex-borracheiro

De infância humilde, no interior do RS, ele começou a trabalhar aos 9 anos. Rolando Spanholo tomou posse em 2015; nesta terça ele impediu governo de extinguir Renca.

Arquivo pessoalJuiz federal Rolando Spanholo junto a parte dos 200 quilos de resumos que usou para estudar na preparação do concurso

Juiz federal Rolando Spanholo junto a parte dos 200 quilos de resumos que usou para estudar na preparação do concurso

O juiz do Distrito Federal que determinou a suspensão imediata de “todo e qualquer ato administrativo” que busque extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), já foi borracheiro e lavou carros junto com o pai no interior do Rio Grande do Sul.
Filho de família humilde, Rolando Spanholo nasceu em Sananduva (RS). Em 2015, quando tomou posse como juiz federal no DF, ele conversou com o G1 e relembrou a infância e o trabalho que começou aos 9 anos de idade.
“Durante o inverno, as mãos e os pés ficavam quase sempre congelados. Não tínhamos luvas de borracha e outros equipamentos de proteção que hoje são comuns e obrigatórios […] . Vivíamos com fissuras nas mãos e pés”
Para o agora celebrado “juiz defensor da Amazônia”, um diploma de curso superior já parecia ser o máximo para ele e os quatro irmãos que segundo Spanholo trocavam de roupa e sapatos entre si para não irem todos os dias vestidos do mesmo jeito para a faculdade. No final do curso, graças a um professor, ele disse que decidiu “ir mais longe”.
Para romper com a antiga realidade de borracheiro e alcançar o sonho de ser magistrado em Brasília, o juiz disse ao G1 que apostou em disciplina e motivação. Estudava no ônibus, costurava edredons para conseguir dinheiro extra, pedia livros emprestados. Ele chegou a juntar 200 quilos de papel entre cadernos, fotocópias e resumos de matérias para estudar.

Em 2014, quando ficou entre os 60 primeiros classificados no concurso para juiz federal, ele se disse surpreso e orgulhoso. Em entrevista, logo depois da posse, atribui o resultado ao esforço e a ajuda dos familiares e amigos.
“A vida sempre me ensinou que dificuldades existem para serem superadas. Aliás, dificuldades todos têm. Uns mais, outros menos, mas todos enfrentam obstáculos para alcançar seus sonhos”, disse Spanholo.
“No meu caso, desde criança, sempre precisei acreditar naquilo que para os outros seria motivo de dúvida. Nada nunca chegou fácil. Por necessidade, treinei minha mente para acreditar que com humildade, disciplina e motivação era possível vencer um a um os desafios da vida, mesmo não dispondo das melhores condições para enfrentá-los.”
Renca
Na decisão sobre a reserva amazônica, publicada nesta terça-feira (29), o juiz Rolando Spanholo fala da importância da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), e diz que o local não pode ter seu uso alterado por decreto. A medida é liminar (urgente e provisória), e prevê que qualquer alteração no uso dos recursos existentes na área só pode ser feita a partir de decisão do Poder Legislativo.

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª região para suspender a liminar de Spanholo. O processo foi movido por um cidadão comum.
Criada em 1984 e localizada entre os estados do Amapá e do Pará, a reserva tem mais de 4 milhões de hectares, aproximadamente o tamanho da Dinamarca. A área tem potencial para exploração de ouro e outros minerais, entre os quais ferro, manganês e tântalo.
Na última semana, o governo federal anunciou a extinção da reserva. Depois, publicou um novo decreto com poucas mudanças e que mantém a decisão de liberar a exploração mineral em parte da área.

Fonte: G1

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3 Comentários

  • Leandro says:

    Parabéns, Doutor Rolando Spanholo, seu ato salvou o mundo de uma tragédia. Lute por isso pela amor de Deus.

  • Arlindo José Flores says:

    Minha admiração pelo brasileiro que respeita a sua pátria e pretende deixa-lá para a posteridade, algo mais, como: amor à pátria respeito à vida, preservação para melhor qualidade de vida, além disso é um cidadão sofrido que pensa no próximo e respeita a Constituição não é como o Presidente que só pensa em resolver o hoje a qualquer custo sem o mínimo de sacrifício.
    Que usem os recursos necessário para derrubar a liminar, mas que a AGU faça sua parte, mas respeitando os trâmites legais principalmente a Carta Magna. Pergunto a mim mesmo como pode o Presidente ser chamado de Constitucionalista, escritor de livros comentando a Constituição se nos seus atos de tal magnitude pretende entregar ao capital estrangeiro nossas riquezas naturais sem pedir permissão aos golpistas Deputados e Senadores, devastar nossa fauna e flora somente para satisfazer os Capitalistas que a todo custo ou sem qualquer pudor alimentam-se da avareza sem pensar que a natureza é a vida da terra dos homens e dos animais. Vamos olhar como o Juiz preocupando-nos com a Lei que nos protege e com a natureza que nos dá diretamente ou indiretamente o nosso sustento.

    Dr. Arlindo José Flores

  • jose says:

    Parabéns juiz Rolando Spanholo, o senhor é exemplo de que podemos vencer com dignidade e força de vontade, sua historia de vida daria um bom livro e de AUTO AJUDA ainda, obrigado pela sua fé em si mesmo que hoje deu frutos inimagináveis

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