Adeus Ano Velho, feliz Ano Novo

“Não adianta tirar de onde não tem, nem tentar encaixar onde não cabe, sem saber alguém tenta, e quando sabe, já não dá nem um passo mais além, pois, de trás para frente nada vem, o que foi, já não é e nem será e da frente pra trás ninguém irá desfazer o que fez certo ou errado, vou deixar esse canto abandonado para sempre do jeito como está”.

Assim me despeço de 2017, recordando o poeta Siba, que aprendi a gostar através de meu filho, afinal chegou o fim do ano, é hora de fazer a listinha de pedidos para 2018 e quase não tive tempo de pensar nisso, afinal essa época vivemos tão intensamente, que parece que o mundo vai acabar amanhã…

Mas não dá pra fugir, vou precisar encarar aquela conversa comigo mesma e pensar no que devo ou não pedir.

É uma ocasião que sempre me aperta o peito, aquilo que não fiz ou não consegui, sempre me salta aos olhos. Não costumo assumir a postura de pensar “que me aconteça o que for melhor”, acho isso fala de quem não sabe o que quer e aguarda um milagre, ou pior ainda, um pedido covarde, que simplesmente culpa o acaso.

Eu quero entrar o ano sabendo por que causas eu devo lutar, quais devo desistir e qual o melhor caminho pra fazer isso. “Não adianta tirar de onde não tem, nem tentar encaixar onde não cabe…”

“O que foi, já não é e nem será…”, assim sendo, volto os olhos para a amanhã numa tentativa franca de assumindo meus desejos, meus medos, minhas limitações e rogando coragem para enfrentá-los, ter sabedoria para acertar os caminhos.

Independente da cartinha que terei coragem de escrever, preciso identificar primeiro onde erro e me dispor a fazer diferente. Saber o quanto de infrações posso me permitir cometer em nome da felicidade sem, contudo, comprometer irremediavelmente valores que não devem ser esquecidos.

Vou pedir discernimento. A vida acontece a maior parte do tempo a revelia, mas muito do que me alegra ou aflige tem participação minha, resulta das escolhas que fiz, práticas que adotei e acertarei mais se reconhecer onde devo fazer diferente.

Desejo um coração mais forte, ou melhor, quero saber conter parte das minhas emoções (tenho dor de cabeça quando choro), mas não quero perder a capacidade de amar, de me comover com o belo ou com o frágil, de me solidarizar ou de oferecer o ombro.

Quero saber ser grata, não apenas falar, mas praticar a gratidão como exercício de reconhecimento dos tantos tesouros que possuo.

Resumo meus pedidos desejando encontrar paz no novo caminho que estarei trilhando, lembrando que o ano que parte, me colocou diante de algo inevitável, a proximidade de uma fase da vida que terei muito tempo a sós comigo mesma.

Entendi isso no momento em que um amigo me pediu para escrever uma narrativa sobre como me tornei mãe e quando enviei, ele pediu para Pedro responder. Eu havia escrito uma longa declaração de amor, já meu filho fez uma belíssima carta de despedida, anunciando a partida que se aproxima.

Assim sendo, espero ter a clareza necessária para compreender que isso é uma das mais grandiosas conquistas que obtive e me sentir realizada com o que me transformei, um conto de fadas as avessas, afinal, diante das dificuldades eu me reinvento mesmo sem príncipe e me cobro ser melhor diante das despedidas, buscando coragem para seguir em frente, independente do beijo encantado.

E caso o mundo realmente não acabe, concluo pedindo uma relação harmoniosa com o cartão de crédito, fazer as pazes com a balança, desistir de tentar controlar o mundo e conseguir dormir mais e melhor.

Adeus Ano velho, obrigada por tudo, “Vou deixar esse canto abandonado para sempre do jeito como está”. Feliz Ano Novo, “pois de trás para frente nada vem”…

Dezembro de 2017

 

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