ONU rejeita pedido russo de condenação a ataques na Síria

Apenas a Rússia, a China e a Bolívia votaram a favor do projeto de resolução. Oito países votaram contra a proposta, enquanto quatro se abstiveram.

Eduardo Munoz/Reuters1

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas rejeitou neste sábado (14) resolução russa que pedia uma condenação dos ataques à Síria. A minuta da resolução proposta pela Rússia considerava que o ataque dos EUA e de aliados ao regime sírio representa uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Na resolução, a Rússia pedia ainda às três nações que orquestraram o ataque (França, Reino Unido e Estados Unidos) que evitassem no futuro o uso da força contra o regime de Bashar al-Assad.

Contudo, o pedido russo não vingou no Conselho de Segurança. Isso porque apenas a Rússia, a China e a Bolívia votaram a favor do projeto. Oito países votaram contra a proposta, enquanto quatro se abstiveram. As informações são da agência Efe e Reuters.

Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU precisa de nove votos a favor e nenhum veto pela Rússia, China, França, Reino Unido ou Estados Unidos para ser aprovada.

A agência France Presse informa que o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, abriu a reunião com um pedido por uma ação “de acordo com a carta da ONU”. Mas, durante o encontro, as delegações dos Estados Unidos, França e Reino Unido — países que planejaram a ofensiva — defenderam os ataques com mísseis realizados contra vários alvos em território sírio.

A ofensiva dos Estados Unidos e aliados foi orquestrada após controvérsias envolvendo o uso de armas químicas na Síria. Opositores sírios, agentes humanitários e paramédicos alegam que mais de 40 pessoas foram mortas no dia 7 de abril em um ataque químico em Douma, cidade controlada por rebeldes na região de Ghouta Oriental, na periferia de Damasco, a capital da Síria.

Por isso, de acordo com os EUA e aliados, a ação teve por dentre seus alvos centros de pesquisa relacionados à produção desses armamentos. Tanto a Síria como seus aliados negam as ofensivas com armas químicas. A Rússia diz que argumento do uso de armas químicas é um enredo “pré-programado”.

Após o ataque, o Exército sírio informou que a ação deixou três civis feridos após alguns mísseis que estavam indo para uma posição militar em Homs serem desviados de sua trajetória. O Pentágono, por sua vez, diz que não há vítimas.

Centro de pesquisa científica na Síria, destruído após ataque coordenado de EUA, França e Reino Unido, em 13 de abril de 2018 (Foto: Omar Sanadiki/Reuters)Centro de pesquisa científica na Síria, destruído após ataque coordenado de EUA, França e Reino Unido, em 13 de abril de 2018 (Foto: Omar Sanadiki/Reuters)

Na ação, três alvos foram atingidos, segundo o Pentágono: um centro de pesquisa e produção de armas químicas e biológicas em Damasco, um armazém de armas químicas em Homs (a leste de Damasco) e uma base na mesma cidade que também teria armas químicas.

No total, 105 mísseis foram lançados contra os três alvos na Síria, ainda segundo o Pentágono. É quase o dobro da quantidade de armamento usada no ano passado, quando os norte-americanos reagiram a outro ataque químico atribuído ao regime de Assad que deixou 86 mortos.

EUA, Reino Unido e França bombardeiam alvos na Síria (Foto: Betta Jaworski/G1)EUA, Reino Unido e França bombardeiam alvos na Síria (Foto: Betta Jaworski/G1)

Nações sobem o tom após ataque; funcionário da ONU pede “moderação”

O ataque na Síria tem colocado Rússia e Estados Unidos em posições antagônicas, com ambas as nações subindo o tom em sua defesa de posições. O discurso está em torno de quem tem agravado a crise humanitária na Síria: se os Estados Unidos com o ataque; ou se a própria Síria com a continuação de seu suposto programa de produção de armas químicas.

Enquanto Donald Trump tem comemorado no Twitter que a missão contra centros de pesquisa produtores desses armamentos foi cumprida; a Rússia diz que os Estados Unidos pioraram ainda mais a catástrofe humanitária na Síria.

A Rússia é uma das principais aliadas do regime de Bashar al-Assad, enquanto os Estados Unidos tentam ações na Síria para conter o avanço do Estado Islâmico.

“Com as suas ações, os EUA pioram ainda mais a catástrofe humanitária na Síria. Eles levam sofrimento para a população civil, e de fato, toleram os terroristas que torturam há sete anos o povo sírio”, disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em pronunciamento.

Outros países também se pronunciaram veementemente em relação ao ataque na Síria. O governo Arábia Saúdita, aliado de Washignton, disse que os bombardeiros ocorreram devido “ao contínuo uso de armas químicas proibidas contra civis inocentes”. A ministra das relações exteriores da China, Hua Chunying, condenou a ação e pediu diálogo. O grupo xiita libanês Hezbollah, aliado do governo sírio, afirmou que a guerra lançada contra a Síria “não alcançará seus objetivos”.

Já a posição emitida por funcionários da ONU, contudo, vai no sentido de moderação diante de atuais “circunstâncias perigosas”. Neste sábado (14), António Guterres, secretário-geral da ONU disse que o Conselho de Segurança da entidade tem como “principal responsabilidade a manutenção da paz”

“Peço a todos os estados membros que mostrem moderação nestas circunstâncias perigosas e evitem qualquer possível escalada da situação e o sofrimento do povo sírio”, disse Guterres, através de um comunicado.

Fonte: G1

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