Fazendas urbanas produzem alimentos orgânicos a preços acessíveis

Shopping em Salvador é o primeiro a ter um terraço verde na região Nordeste . Divulgação

Já imaginou poder transformar pequenos espaços em áreas produtivas e garantir o consumo de produtos 100% orgânicos? Essa ideia parece ser uma realidade bem distante, principalmente para quem vive nas grandes cidades. Com objetivo de oferecer uma alimentação mais saudável para a população e com preços mais justos as fazendas urbanas vem ganhando destaque em várias regiões do Brasil.

Em Belo Horizonte está localizada a primeira fazenda urbana comercial da América Latina, que fica no Boulevard Shopping, na Região Leste da cidade. O empreendimento é fruto de uma parceria entre o centro de compras e a startup BeGreen. A fazenda urbana foi instalada num terreno de 2,7 mil metros quadrados. Somente a estufa ocupa 1,5 mil metros quadrados de área e tem a capacidade de produção mensal de 50 mil pés de alface.

Trazer um pouco do verde das zonas rurais para os centros urbanos em locais inusitados, como shoppings centers, pode ser uma tendência saudável em todos os pontos de vista. Nesse novo negócio, edifícios e ambientes das cidades grandes são remodelados e viram espaços destinados à produção agrícola. Alimentos naturais, sem agrotóxicos, mais baratos e produzidos bem pertinho do consumidor final são alguns resultado positivos a iniciativa. A primeira fazenda urbana do Nordeste – um Terraço Verde – foi implantada no Salvador Shopping.

Em um espaço de 1.500 m², o terraço já registra uma produção mensal de 4.200 quilos de adubo que são utilizados em 500 células de plantio com 2 mil mudas, garantindo a compensação de 84 toneladas de carbono. Segundo Fabiano Mehmeri, coordenador de desenvolvimento socioambiental do grupo João Carlos Paes Mendonça (JCPM), o Terraço Verde possui parceria com 25 restaurantes do shopping, que fornecem os restos de alimentos que seriam enviados para o aterro sanitário. “O resíduo orgânico é transformado em adubo para o cultivo das hortaliças e tudo que é produzido volta para os parceiros 30% mais barato”, assegurou.

A Viva a Vida, empresa responsável pela montagem e manutenção do terraço, utiliza a tecnologia da biotimização, que permite a produção de adubo livre de aditivos químicos a partir do uso de algas e enzimas. Tais Mota, gestora ambiental da Viva a Vida, contou que o processo de produção cumpre um ciclo completo até levar as hortaliças de volta às cozinhas dos restaurantes. “O consumo consciente é a base de todo ciclo, até a água utilizada para regar as mudas é 100% proveniente de reaproveitamento da chuva”, destaca.

O Terraço Verde mantém o cultivo de hortaliças totalmente livre de agrotóxicos, a exemplo de coentro, pimentão, alface, couve e muitas outras. Além do baixo custo, o terraço contribui com um menor tempo de deslocamento e um menor impacto ambiental, que seria causado pelo combustível usado no transporte dos alimentos. Esse projeto também trabalha com o fator social. “Uma parte do adubo produzido é usado na nossa horta e outra parte é doada para instituições, ONG’s e parques públicos”, acrescenta Fabiano.

Para assegurar o bom funcionamento, o Terraço Verde conta com o auxílio de um engenheiro civil para a estruturação do projeto, com uma gestora ambiental e paisagista e com um engenheiro agrônomo para consultoria. “O Salvador Shopping foi o pioneiro. O que pode ser encontrado são hortas urbanas que recebem os cuidados dos próprios moradores do bairro”.

O projeto do Salvador Shopping traz inúmeras vantagens para os restaurantes parceiros. Mario Silveira, que é gerente de Marketing do Grupo Nez, responde por cinco estabelecimentos que participam da ação e assegura que a iniciativa agrega valor ao conceito de sustentabilidade de cada um deles. “Recebemos a proposta de separar os resíduos orgânicos no ano passado e, de imediato, abraçamos essa causa”. Segundo Mario, eles antes encontravam muita dificuldade para conseguir fornecedores que trabalhem com alimentos saudáveis e o Terraço Verde solucionou este problema.

O grupo Nez responde por cinco restaurantes localizados na praça de alimentação do empreendimento: Austrália, Il Pollo, Alecrim, Orgânico e Doceria Ganache. O restaurante Orgânico é o que mais utiliza as hortifrúti produzidas no terraço. “Utilizamos os alimentos no restaurante, no quiosque e no mercado da franquia”, explica Mário, que considera muito importante todo o processo, desde a coleta dos resíduos orgânicos até o consumo dos clientes. “Fazemos parte de um ciclo sustentável e de um consumo consciente”, finaliza.

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