Uma loja de brinquedos

Arquivo Pessoal

Natal chegou… Como eu gosto do Natal, essa ē uma época de acontecimentos mágicos…

Fui comprar um presente para dois meninos, um de 3 e outro de 4 anos e entrei numa loja de brinquedos, fazia muito tempo que eu não entrava numa.

Não imaginei que iria sentir uma nostalgia tão grande.

Procurava por uma lancha e tinha como referência uma que Pedro teve, branca e azul, com um marinheiro pilotando, que esteve presente em tantas brincadeiras na bacia no banho ou nas águas da lagoa Mundaú.

Lembrava dos detalhes como se fosse ontem que eu a via nas mãozinhas dele, ele sempre curioso, remexendo num baú a procurá-la até encontrar, tão pequeno e preenchendo todos os quatro cantos da casa.

Naquele universo de ofertas da loja tem bonecos e fabricantes que já não conheço, não sei mais o que agrada, mesmo assim acabei por reencontrar muita das coisas que eram comuns estarem espalhadas pelo chão da casa ou arrumadinha nas prateleiras do quarto.

Lego, Play Mobil, miniatura de carrinhos, fábrica de massinha, quebra cabeça, um godzila…

Eu passei parte da minha gravidez de repouso, sem conseguir me concentrar em quase nada, contava os dias para conhecê-lo pessoalmente e uma das poucas coisas que me distraia era ler sobre como criar filhos.

Li tudo o que chegou às minhas mãos e lá em algum lugar estava escrito que eu devia brincar com ele, ouvir o que ele falava com os brinquedos e levei isso a sério, fiz direitinho.

Aos poucos e na prática ē que fui descobrindo como ser mãe, que tão importante quanto brincar era saber dizer não aos excessos de pedidos quando o assunto era brinquedos, mas foi apenas agora, nessa visita a loja, que me dei conta que a dificuldade em ser comedida estava na luta comigo mesma, eu queria oferecer o mundo em caixinhas.

Loja de brinquedos é puro encantamento, aquelas embalagens coloridas, cheias de imagens ou transparentes para deixar a mostra os objetos dos desejos, nos transporta para um lugar onde somos nós os heróis da história.

Minha infância não foi das mais cheias de brinquedos, eram poucas as opções, tanto que alguns que tive, cuidei de comprar para Pedro, como se essas peças pudessem contar um pouco de mim para ele e nos tornar mais amigos.

Hoje enxergo como os brinquedos ajudaram na formação do meu filho, já estava lá nas escolhas que fazia, um pouco do homem que se tornaria com o passar dos anos.

Natal ē assim, transforma adultos em crianças, sonhos em realidade, crianças em humanos mais sensíveis e uma mãe boba como eu numa personagem capaz de encher os olhos de lágrimas diante dos brinquedos de uma loja, simplesmente por ter sido transportada através do tempo para um reencontro com criança em casa, com cheirinho de perfume de infância.

Natal tem dessas coisas, pode ser uma simples data ou uma viagem em trenó, puxado por renas voadoras, com uma chuva de neve, pleno de significados e sonhos, possível apenas pela magia de corações amorosos, do tamanho da criança que carregamos.

Para João e Luiz Felipe, os comandantes dessa viagem na loja de brinquedos.

Dezembro de 2018

Katia Betina

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