Vídeo mostra menino de 3 anos saindo de vagão de Metrô de SP até ser atropelado e morto

Câmera mostra desespero da família de Luan Silva Oliveira e momento em que ele entra em túnel. Causa da morte foi traumatismo craniano, segundo hospital.

Vídeos do Metrô de São Paulo registraram o momento que um menino de 3 anos deixa sozinho o vagão até entrar num túnel e ser atropelado e morto por outra composição na estação Santa Cruz, Zona Sul da capital, em 23 de dezembro de 2018. Segundo registro do Hospital São Paulo, Luan Silva Oliveira morreu em decorrência de “traumatismo crânio encefálico” ao ser atingido na cabeça pelo trem.

Os vídeos (assista acima), laudo do Instituto de Criminalística (IC) da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, e a causa da morte da criança foram entregues à Polícia Civil e divulgados nesta segunda-feira (11) à imprensa pelo advogado Ariel de Castro Alves, que representa a família de Luan.

Para ele, as cenas e relatórios isentam a mãe do garoto, Linéia Oliveira Silva, de qualquer responsabilidade pela saída de Luan do trem e, consequentemente, na sua morte.

“Ela fez o que estava ao alcance dela e não tem culpa pela tragédia que ocorreu com seu filho. As imagens também confirmam o depoimento de Linéia na Delegacia do Metrô [Delpom] no início do ano”, disse Ariel a respeito de Linéia nesta segunda-feira (11) ao G1.

“Ele passou na porta, que já tinha apitado. Como ele era pequenininho só deu tempo de ele passar. Quando ele passou, eu desesperei. Comecei a bater, gritar. Todo mundo ficou gritando: ‘para o metrô’, mas não conseguiram parar”, havia dito Linéia sobre Luan no ano passado.

“Eu nem estou dormindo direito”, falou Linéia nesta segunda pela manhã em entrevista coletiva. “Para mim ele não morreu não”.

Vídeos

Nas imagens feitas a partir das câmeras de segurança do Metrô é possível ver a criança deixando o colo da mãe e saindo correndo sozinho do vagão do trem da linha 1-Azul do Metrô até a porta se fechar.

Nas cenas, descritas no laudo do IC, é possível ver Linéia correr em direção ao filho para tentar impedir que ele saia do vagão, mas ela é impedida pela porta do trem, que fecha automaticamente após a criança passar. Outros passageiros tentam ajudar, mas também não conseguem.

A família de Luan só conseguiu desembarcar na estação seguinte, Praça da Árvore, onde pediu ajuda a funcionários para tentar localizar o menino. Em seguida, os parentes voltaram em outra composição para a Santa Cruz, onde procuraram a criança.

Túnel

As imagens dos vídeos mostram a criança no momento em que passa uma porta que dá acesso ao túnel, percorre 260 metros pelos trilhos e é atropelada por outra composição. O menino foi encontrado por funcionários do Metrô com ferimentos na cabeça. Ele ainda chegou a ser socorrido a um hospital, onde já chegou morto.

Os laudos com as análises dos vídeos e sobre o que matou o menino estão com a Polícia Civil, que investiga causas e eventuais responsabilidades pela morte de Luan. O caso é apurado sob sigilo pela Delegacia do Metropolitano e o inquérito ainda não foi concluído.

Questionado então de quem seria a responsabilidade pela morte de Luan, o advogado da família do menino preferiu deixar essa conclusão para a própria polícia. “A família quer que tudo seja esclarecido, inclusive as falhas dos sistemas de segurança e prevenções de risco do Metrô”, comentou Ariel.

Segundo o advogado, o laudo do IC demonstra, por exemplo, que o acesso ao túnel do Metrô, onde Luan entrou, tem um pequeno portão, sem travamento. Basta uma leve pressão para passar pelo local que é proibido para quem não é funcionário autorizado, aponta Ariel.

Podemos concluir que o Metrô de São Paulo é um local de risco para crianças — disse Ariel de Castro, advogado da família de Luan

Para diretores do Sindicato dos Metroviários, há falta de funcionários na plataforma. Eles defendem, por exemplo, que a portinhola que dá acesso à passarela de emergência, no interior do túnel, deveria ter uma trava que a mantivesse fechada (ou sensor com alarme sonoro, por exemplo) para chamar a atenção de funcionários e até mesmo de usuários para quando alguém entrar no local.

O advogado da família de Luan entende ser necessário ainda uma reconstituição para verificar se houve demora entre o pedido dos funcionários para procurarem a criança no túnel e a autorização do Metrô.

“E também porque os trens foram avisados sobre a criança perdida 40 minutos após, as 11h45”, disse Ariel.

Segundo relatório do Sindicato dos Metroviários, os seguranças do Metrô tiveram de esperar 61 minutos para entrar no túnel e procurar pela criança.

Metrô

De acordo com o Metrô, no entanto, por volta das 11h daquele domingo que antecedia a véspera de Natal, agentes de segurança da estação Santa Cruz das linhas 1-Azul e 5-Lilás foram informados pelo Centro de Controle de Segurança que uma criança estava perdida no local.

Apesar disso, relatório interno do Metrô entregue à polícia informa que após analisar imagens de câmeras de segurança e cronometragens foi possível determinar que Luan foi atropelado três minutos depois de um passageiro alertar a companhia por meio de um mensagem de SMS enviada por celular.

A apuração do Metrô encaminhada à polícia aponta ainda que uma câmera registrou o menino entrando no túnel às 11h06 e que o atropelamento do garoto aconteceu às 11h10.

Em depoimento à polícia, um metroviário informou que às 11h07 recebeu o SMS do passageiro com o alerta sobre o menino ter entrado no túnel.

Nesse mesmo relatório entregue pelo Metrô à polícia há a informação de que a primeira pessoa a ver o garoto nos trilhos foi o maquinista de um trem. Segundo ele, Luan estava no meio do trilho, em um vão entre os dormentes.

Segundo o Metrô, no ano passado foi registrado aumento de 25% no número de pessoas que invadiram os trilhos do trem. Em 2017 haviam sido 862 invasões a via. Até dezembro tinham sido 1.025. Ainda de acordo com a Companhia, todos os esclarecimentos sobre o caso já foram dados em depoimentos à polícia.

Fonte: G1

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