Alagoas é o Estado que proporcionalmente mais emprega reeducandos no Brasil

Ascom/Seris

Conseguir um emprego após o cárcere pode ser uma tarefa difícil por diversos entraves. Através de ações direcionadas, a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) tem despertado a consciência social em empresas que, gradativamente, sentem a importância e o impacto da contratação de mão de obra carcerária e egressa.

Edvaldo do Carmo, Maurício Leite e José Vieira já passaram pelo sistema prisional alagoano e em algum momento da pena, ingressaram nos convênios ofertados pela Reintegração Social da Seris. Atualmente, Alagoas é o Estado que, proporcionalmente, mais emprega reeducandos, sendo mais de 700 só do regime semiaberto. Esta população – do semiaberto – possui uma legislação própria no que tange as regras de trabalho, a Lei de Execução Penal (LEP). Porém, ao progredir para o regime aberto, os reeducandos passam a operar pela CLT.

Os três, Edvaldo, Maurício e José Vieira trabalham na Fábrica Pré-moldados Alagoas, no Núcleo Industrial Bernardo Oiticica (NIBO), e entre as produções estão blocos estruturais, canaletas e pisos intertravados. Ter a carteira assinada após o cárcere é tida como uma grande oportunidade por eles. Quem o diga José Vieira, que com 45 anos, há sete trabalha na Pré-moldados. “Comecei a trabalhar ainda quando estava preso e essa oportunidade foi meu recomeço, pois eu sei que seria muito difícil conseguir um emprego formal tendo passado pelo presídio”, falou.

Maurício Leite, 30 anos, ficou preso cinco anos e seis meses. Iniciou na empresa como arrumador e hoje opera grandes máquinas. “Minha família acredita em mim, na minha mudança. E isso é o que importa, pois as primeiras pessoas que têm que acreditar na gente é a família, esse apoio é muito importante. Eu sei que quando a gente faz algo de errado o sofrimento maior é para família, por isso tenho me empenhado no meu trabalho, dado meu melhor”, explicou, ao falar de sua filha de seis anos e se sua esposa, que está no sexto mês de gestação. “Ter essa oportunidade de trabalho é muito boa, pois quando saí do sistema [prisional], as pessoas não me contratavam por causa da passagem pelo presídio”, completou.

Edvaldo do Carmo, 42 anos, é outro exemplo de como com oportunidade, um novo caminho pode ser escrito. Atualmente, o funcionário é responsável pela gestão de máquinas na empresa que controla a produção e qualidade dos produtos. “A minha maior vitória, com este emprego, foi ter conseguido trazer minha família de Salvador para morar aqui em Maceió”, afirmou.

O empresário Roberto Boness, presidente da Fábrica, explica que além dos benefícios dados pelo Estado para contratação de mão de obra carcerária, o valor social agregado ao emprego é muito grande. “Você desenvolve um trabalho social com o emprego de reeducandos. Oficialmente, por contrato, eu só teria a obrigação de ter cinco reeducandos no corpo de funcionários, ou seja, 5% do quadro. Mas temos 30, pois sabemos que são pessoas que se esforçam por essa oportunidade. Acredito que se a pessoa tem a disposição de vir para cá [fábrica] e passar o dia todo trabalhando para ganhar um salário, ela quer mudar de vida. Quem chega aqui quer trabalhar e essa oportunidade é muito importante para voltar à sociedade”, afirmou o empresário, que desde 2012, início da parceria, já recebeu mais de 200 reeducandos.

Sobre a efetivação dos servidores, ele afirma que é mérito dos próprios trabalhadores. “Se você tem reeducandos que se esforçam e depois progrediram de regime, não faz sentido demitir. Sabemos que são pessoas diferenciadas, que se interessam em ajudar a empresa e quando sai do regime de pena a gente contrata, mantemos bons funcionários. Sempre tem espaço para quem quer trabalhar”, concluiu, apontando que graças ao trabalho social em parceria com a Seris, a empresa foi contemplada com o Selo Resgata, premiação do Ministério da Justiça e Segurança Pública pela geração de vagas ao público prisional.

O secretário de Ressocialização e Inclusão Social, coronel Marcos Sérgio de Freitas, destaca a parceria. “Conseguimos, através de um trabalho conjunto, oportunizar emprego para quase mil e quinhentos reeducandos no Estado. Atualmente, só no regime fechado, 285 reeducandos trabalham. Conseguir manter essa renda e ainda ter a carteira assinada é muito importante, pois impacta em vários sentidos a vida desse cidadão e de sua família”, explicou o gestor, ao citar dados que mostram que quase 15% da população carcerária de Alagoas está empregada, somando os regimes fechado e semiaberto.

Fonte: Ascom Seris

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