Eike Batista transferiu imóveis de R$ 50 milhões para filhos antes de denúncias

Ilustração

Ao publicar o quarto vídeo de sua empreitada como “coach empresarial” no YouTube, em 2 de agosto, o empresário Eike Batista se vangloriava do “poder da oratória” como um dos segredos para ter levantado “US$ 50 bilhões em investimentos” nos mais variados negócios nas últimas décadas. Mas aos olhos da força-tarefa da Lava Jato, que investiga o empresário por crimes no mercado de capitais vinculados a propinas pagas ao ex-governador Sérgio Cabral, as técnicas de Eike Batista para vender uma imagem confiável disfarçaram uma ciranda financeira de pagamentos ilegais, operações que manipularam o mercado financeiro, uso indevido de informações privilegiadas e transferências suspeitas de patrimônio.

É no exterior que está o foco do MPF na atual etapa das investigações contra Batista, já condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Justiça Federal em âmbito doméstico. O discurso do ex-bilionário de que seu patrimônio atual se resume às residências no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, e em Angra dos Reis, na Costa Verde do estado, não convenceu os procuradores.

Um levantamento feito por ÉPOCA em cartórios do Rio mostra que Batista começou a se desfazer de seu patrimônio no Brasil em 2013, antes dos problemas judiciais mais graves, mas quando a instabilidade dos negócios já era evidente. Segundo os registros, ele passou para os filhos, em julho e dezembro de 2013, os dois imóveis que chama de seus até hoje. Avaliadas no patamar dos R$ 50 milhões, as mansões no Alto Jardim Botânico e em Angra dos Reis — esta última com direito a hangar, segundo a escritura — pertencem oficialmente ao primogênito Thor, que seguiu carreira de empresário, e a Olin, que atua como DJ.

A advogada Flávia Sampaio, segunda mulher de Eike Batista, recebeu do empresário os direitos sobre uma cobertura em Ipanema, área nobre do Rio. Ele ainda entregou outro apartamento na Barra a uma corretora, além de vender, por R$ 1,2 milhão, um terreno em Guarapari, no Espírito Santo. A dissolução do patrimônio reforçou a ideia de um período de vacas magras do empresário nos anos recentes.

Fonte: Época

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