Politicozinho

Encontro por acaso um rapaz muito jovem o qual  conheço desde criança. Após trocarmos cumprimentos, começamos a jogar conversa fora. Ao lhe perguntar se já havia se formado ele me informa que largara a faculdade. Diante do meu espanto, ele me esclarece que estava desmotivado com o curso e que o mesmo estava atrapalhando o  seu negócio. “Que negócio?” – pergunto curioso. Ele me conta orgulhoso que trabalha com o pai em uma empresa de fornecimento de suprimentos diversos às prefeituras. Por não ser exatamente um ingênuo,  já começo a perceber os caminhos que aquele jovem rapaz começa a trilhar e, consequentemente, todos os desdobramentos que advirão dessa escolha. Lembro-me nesse momento que, apesar de muito jovem, ele fora candidato nas últimas eleições . Então pergunto-lhe se pretende se candidatar novamente. Ele abre um grande sorriso e diz que sim e que estava só esperando uns acordos (!) para decidir  qual cargo iria disputar.
Percebendo sua grande empolgação, dou-lhe mais corda ainda: – Rapaz, você gosta mesmo de política, não é?
Neste momento seus olhos brilharam e sua resposta afirmativa veio rápida, demonstrando toda sua avidez e paixão pelo mundo político .
Após nos despedirmos , fiquei refletindo sobre aquele protótipo do típico político brasileiro que ali se formava – um embrião em gestação do que há de mais nefasto na política brasileira: um jovem sem formação acadêmica, intelectual e ideológica alguma, sem experiência administrativa ou social que o torne qualificado para oferecer-se como opção de representante para os eleitores incautos, mas que já  mostrava-se embriagado pela política, só que  começando pelas vias tortas: montando empresas com contratos sujos com prefeituras, envolvendo-se em acordos políticos escusos e outras práticas sujas que tornam a política brasileira ser o que é.  Ali estava um verdadeiro protótipo de como germinavam essas espécies, infelizmente não tão raras,  que saem do ovo, proliferam e vivem sua vida Inteira agarrados nas tetas do poder. Seu orgulho ao falar de suas pretensões políticas e dos seus contatos desse meio, só expunham seus métodos e intenções para aquele mundo que ele intencionava abarcar. Uma vez dentro, provavelmente se espalhará pelas entranhas do Estado como um cancro, infectando ainda mais o Estado brasileiro.
  Se eu pudesse dar-lhe um conselho naquele momento eu o mandaria estudar, qualificar-se, viver a experiência de um trabalhador ou empresário comum, que rala diariamente sob as regras que nos são impostas pelo Estado, para que adquirisse experiência pessoal e profissional e aos poucos fosse se envolvendo com a política formando assim algum espectro ideológico para dar-lhe identidade e consistência política, para então finalmente lançar-se como candidato – seria então usar a política como um fim e não como um meio, que é infelizmente o que acaba sempre acontecendo.

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