Caso Giovanna Lopes Cavalcante: A Banalização da Vida e da Violência

Sob clima de comoção, corpo da adolescente Giovanna Lopes é sepultado em Maceió.

A estudante Giovanna Lopes Cavalcante Porangada, 15 anos, foi morta por um assaltante quando chegava em casa, no bairro do Jacintinho, em Maceió, nesse sábado (20).

De acordo com informações da polícia, a adolescente estava em um Uber quando foi atingida por um tiro antes que ela descesse do carro. O tiro atingiu a cabeça da vítima e ela chegou a ser socorrida e levada para o Hospital Geral do Estado (HGE), no bairro do Trapiche, mas não resistiu ao ferimento e morreu na unidade de saúde.

O homem sempre se diferenciou dos demais animais pela sua inteligência e capacidade de criação. Na ótica religiosa o homem marca o ponto culminante da criação e que ele tem suprema importância para o universo. No ponto de vista científico o Homo Sapiens é o ponto máximo da evolução da espécie, pois, nessa fase do desenvolvimento o ser humano se torna ímpar em relação aos demais animais.

A inteligência humana é a diferenciação primordial entre as espécies animais, no entanto, nem sempre ela é usada para o bem da humanidade.

A humanidade perdeu a sua essência de ser humano e cultivou sentimentos negativos, os quais vêm sendo usados contra o seu próprio semelhante.

A sociedade atual vive o drama da “banalização da vida”, termo que pode apresentar duas acepções que monopolizam o uso da expressão.

A primeira acepção vem com o conceito de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal. Nela, a vida é um valor absoluto e utilizada como um instrumento, um meio para se alcançar fins de poder, prestígio ou gozo alheios ao seu possuidor, consiste em uma violação aos direitos humanos.

A segunda acepção acredita que a banalização da vida é muito mais que “instrumentalizá-la”, consiste também no fato de desatá-la dos vínculos transcendentes que garantem seu valor e sentido.

Banalizar a vida quer dizer instrumentalizá-la, mas para finalidades irrisórias, pois há casos nos quais a instrumentalização da vida para fins exteriores à pura sobrevivência é moralmente injustificável.

Essa tendência natural do homem à agressividade é o grande obstáculo à civilização, tendo ela de utilizar esforços supremos a fim de estabelecer limites para os instintos agressivos do homem e manter suas manifestações sob controle.

É o processo civilizatório que inibe o instinto de agressividade, através de um processo que se assemelha à domesticação de certas espécies animais.

O que constatamos é que, apesar de contarmos com um extenso arcabouço jurídico, dotado de normas que visam à proteção dos bens jurídicos, e preveem sanções àqueles que as transgridem, a violência é exercida de maneira espontânea, irracional e emocional pelos indivíduos.

Diante dessa banalização da vida e da violência, a sociedade atual vem demonstrando uma necessidade de símbolos que mostrem que a vida é segura, que o sistema funciona, que o crime não compensa.

Entretanto, o que se percebe é que não há perspectivas de comportamentos socialmente compensatórios e vantajosos para os indivíduos, antes pelo contrário, parece que a equação custo-benefício tem se mostrado conselheira do mal.

Aos familiares da jovem Giovanna Lopes Cavalcante.

E que essa vida encerrada prematuramente, possa estar agora unida à Vida e Luz Infinitas, vivificando-nos até o dia em que a dor se transforme em lembrança, e que enfim, possamos reencontrar na morada celestial de nosso Senhor Jesus, a Paz.

Só nos resta, em meio às lágrimas, juntar nossas mãos e orar.

Bispo Filho

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