Celular está produzindo uma dependência psicológica dos níveis da cocaína: Um grito de alerta.

Frases como “desliga o celular e vai dormir”, “sai do Face e vai trabalhar”, “fecha o WhatsApp e come o jantar” e “larga o celular para não bater o carro” são usadas frequentemente  no nosso dia a dia.

Cientistas atestam que a dependência de celular afeta a química do cérebro, levando ao desenvolvimento de transtornos como déficit de atenção.

Se você não estiver lendo esta reportagem no celular, uma pergunta:

0nde está ele agora?

A questão fez com que o procurasse?

Se respondeu “sim”, é provável que, nos próximos minutos, você não consiga se concentrar neste texto.

Quando o aparelho fica fora de alcance, um sentimento de ansiedade costuma tomar conta do usuário, bastando porém tê-­lo em mãos para o alívio ressurgir.

Se isso é comum no seu dia a dia, deve-se acender o sinal amarelo.

De acordo com um estudo recente liderado por pesquisadores da Universidade de Seul, na Coreia do Sul, a dependência de celulares já pode ser, sim, chamada de vício.

Isso porque seu uso excessivo produz alterações químicas no cérebro, com reações e síndrome de abstinência em moldes semelhantes ao que acontece com dependentes de drogas.

No trabalho sul-coreano, os cientistas usaram um tipo particular de ressonância magnética que analisa a composição química do cérebro para observar hábitos de dezenove adolescentes clinicamente diagnosticados como viciados em celular. Depois, compararam os resultados com os de grupos de jovens que usam o dispositivo mas não eram tidos como dependentes. No estudo também se levou em conta quanto o convívio com a tecnologia afetava o contato com familiares, a produtividade e a forma de lidar com emoções. Num resultado previsível, os adictos apresentaram maiores níveis de depressão, ansiedade, insônia e impulsividade.

Mas novidade maior, mesmo, foi a descoberta de como a nomofobia — eis o termo que descreve a dependência de celular — afeta a química cerebral.

Os jovens dependentes apresentaram oscilações na presença dos ácidos gama-aminobutírico, glutamato e glutamina, todos ligados a dois neurotransmissores responsáveis pelo funcionamento da atividade cerebral.

Quanto maior o nível de alteração deles, mais grave era o quadro de dependência. Pode-se ter uma sólida dimensão do problema quando se considera que, em países desenvolvidos, 92% dos adolescentes acessam a internet todos os dias, em geral por meio de telefones móveis. Um típico usuário costuma tocar mais de 2 600 vezes na tela do celular por dia.

A dependência tecnológica, que inclui o “uso abusivo” da internet, redes sociais, jogos e celulares, não é dimensionada no Brasil, mas já chega como problema a especialistas.

“Não existe nenhum órgão dizendo que há uma preocupação nacional sobre isso, mas diferentes segmentos observam que a tecnologia de forma excessiva e começa a criar problemas recorrentes. Há aumento de queixas de pacientes nos hospitais universitários, nas clínicas de psicologia, de psiquiatria e em escolas”, diz o PHD em psicologia e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Nabuco de Abreu.

A sensação de prazer despertada nos usuários é uma das possíveis explicações para a dependência. “Falar de si gera um prazer equivalente a se alimentar, ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão falando de si nas redes sociais, com feedback instantâneo”, complementa o especialista. “Em uma conversa normal, em 30% do tempo normalmente se fala sobre si”.

Mas esse prazer é temporário, observa ele. “E vira problema quando passa a ser a fonte exclusiva de prazer, quando a pessoa passa a viver para postar a foto e deixa de aproveitar o momento”.

O efeito seria comparável ao da dependência de substâncias químicas no sistema nervoso central.

“80% dos indivíduos que são dependentes de videogame, de internet, apresentam depressão”, diz Nabuco.

A dependência digital não está diretamente relacionada ao tempo de conexão de uma pessoa aos seus dispositivos eletrônicos; mas sim ao nível de perda de controle na vida real, trazendo prejuízos nos campos profissional, familiar, afetiva ou social.

Educação digital para o uso consciente das tecnologias.

Fica dica!

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