As Cracolândias do Brasil. As Cracolândias nossas de cada dia.

Se existe um tema que me deixa desgostoso ao abordar, esse tema é o crack. Além de ver todos os dias pessoas que vivem a perambular pelas ruas à procura de sustentar seu vício em crack, vejo também, com a horrenda realidade que os viciados em crack “sobrevive” ao passar numa espécie de cracolândia nas imediações do mercado da produção e nas praças centrais de Maceió.

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Portas se fecham, mentes se abrem. De latas vazias de cerveja – que saciaram a sede de alguém – lançam mão para, em segundos, se transformarem num misto de “sacis-zumbis”. Cada qual com seus cachimbos, crianças, meninas, meninos, homens, mulheres.

Um só mundo, um só desejo.

Não conseguem ser invisíveis aos olhos da sociedade.

Não nos teme.

São temidos.

Só tendo coração de pedra para não se comover com a realidade disforme que essas pessoas vivem.

A gente subentende que as favelas estão às margens da sociedade pela falta de saneamento básico, ou a estrutura física defasada, ou a condição econômica vigente precária, ou até mesmo pela territorialização do tráfico de drogas armado; no entanto, é possível atentarmos para as cracolândias do Rio de Janeiro que, diferente de São Paulo (que tem as suas cracolândias estagnadas nos centros urbanos), as cracolândias daqui estão às margens das favelas, ou seja, os viciados em crack estão às margens das “margens” da sociedade alagoana.

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Ao passar por uma cracolândia vejo zumbis que mais parecem está levitando “ao Deus dará” do que caminhando em direção a um lugar desejado; vejo pessoas que, majoritariamente, têm família à sua espera, mas, perto da sua realidade material vivenciada, optaram por viver numa alucinação temporária; vejo pessoas com apenas uma perspectiva que insiste em nascer a cada pedra comprada, usar a última pedra de crack; vejo pessoas, antes belas, hoje nem tanto por conta da devastação física que o crack causa.

É fácil conceber a opinião popular sobre os viciados em crack, difícil é compreender.

Não, não é a voz do vento da loucura, talvez seja a melodia fúnebre que embala os últimos minutos de uma vida entregue ao submundo das drogas.

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Logo adormecem, entorpecidos, sob cobertores imundos e colchões rotos.

Amanhã, certamente, tem mais.

Eis aí, a Cracolândia nossa de cada dia !!!

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