Homicídios na faixa etária de 15 a 29 anos aumentaram 23% desde 2006 e País tem 325 mil vítimas em 11 anos

O presidente da torcida organizada Mancha Azul, Genildo José, o ‘Gigante’, foi assassinado com vários tiros na noite desta segunda-feira (20), na rua Formosa, na Ponta Grossa, em Maceió.

A torcida é vinculada ao Centro Sportivo Alagoano (CSA).

A ocorrência foi confirmada pelo 1º Batalhão da Polícia Militar (BPM), que disse não ter mais informações sobre o caso.

Logo após a morte, centenas de pessoas invadiram a página de Genildo em uma rede social para lamentar sua morte. Tratado como ‘meu presidente’, sua morte trágica foi lamentada por amigos, colegas, torcedores do CSA, além de familiares.

O número de homicídios de jovens de 15 a 29 anos no Brasil cresceu 23% de 2006 a 2016, quando atingiu o pico da série histórica, com 33.590 vítimas nesta faixa etária.

No caso mais extremo, do Rio Grande do Norte, o número de jovens mortos avançou 382% no período.

Em outros oito estados, o incremento foi de mais de 100%.

Com isso, em 11 anos, o Brasil enterrou 324.967 jovens assassinados -quantidade equivalente à soma, por exemplo, das populações dos bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon e Botafogo, no Rio. Os dados constam do Atlas da Violência 2018, publicação do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG que reúne especialistas no tema.

Por causa da curva crescente nos assassinatos de jovens no país, a taxa de homicídio deste grupo etário em 2016 representava mais que o dobro (65,5 mortos por 100 mil habitantes) que a taxa média da população brasileira (30,3/100 mil).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa global de homicídio de pessoas de 15 a 29 anos é de 10,4 mortos por 100 mil habitantes.

O incremento destas estatísticas segue as desigualdades regionais brasileiras e, em 2016, ao menos seis estados mantinham índices de homicídios de jovens superiores a 100 casos por 100 mil habitantes:

Sergipe (142,7),
Rio Grande do Norte (125,6),
Alagoas (122,4),
Bahia (114,3),
Pernambuco (105,4)
e Amapá (101,4).

Se observarmos apenas os jovens mortos do sexo masculino, que representam 94% dos casos, a taxa média nacional sobe para 122,6 jovens assassinados por 100 mil habitantes nesta faixa etária, e as taxas dos mesmos estados líderes desta tragédia quase duplicam.

De 2015 a 2016, a variação na taxa de homicídio de homens jovens foi de quase 90% de aumento no Acre.

Já em São Paulo, o índice recuou 14%.

Na Paraíba, estado que criou uma política pública de redução de homicídios em 2011, a taxa caiu 14,5%.
“Índices de homicídio de jovens acima de 100 por 100 mil habitantes tornam inviável qualquer projeto de futuro para o país”, afirma Renato Sérgio de Lima, diretor-executivo do fórum.

“Existe um massacre da juventude brasileira, principalmente nas regiões Nordeste e Norte. E precisamos de soluções urgentes para esse problema”. diz Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em ano eleitoral, temos de questionar:

O que vamos fazer para enfrentar esses números absurdos?

Que política pública está sendo proposta para isso?

Descanse em paz no céu Gigante, que Deus te ilumine e te proteja em sua morada celestial.

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