Montanha

– Falta muito para chegarmos?
– Pois é, você não explica direito para onde vamos  e a sensação é de que estamos andando em círculos!
– É verdade, muitos de nós já estamos cansados após tanto tempo apenas te seguindo, sem sabermos exatamente para onde estamos indo!
– Será que você sabe mesmo para onde pretende nos levar?
Após as queixas avolumarem-se cada vez mais, o guia e líder da expedição finalmente se pronuncia. Senta-se em cima de uma pedra naquela mata fechada e explica em tom professoral:
– Calma meus amigos e amigas. Peço-lhes um pouco mais de paciência. Sei que muitos estão confusos e cansados. Alertei que a jornada era árdua e muitos se perderiam no caminho. Mas, insisto mais uma vez para que confiem em mim. Saibam que cada passo que damos é em direção a um lugar maravilhoso onde todos nós finalmente poderemos nos acomodar com conforto e, caso queiramos, até ficar para sempre!
– Mas, que lugar é esse?- pergunta um senhor inquieto.
– Onde fica e quanto tempo leva para chegarmos lá? – inquieta-se uma mulher demonstrando impaciência.
– Esse lugar existe mesmo? – pergunta desconfiado um homem ofegante.
O líder tenta acalmar a sanha da multidão que já o segue há um longo tempo, sem que haja uma pista para onde afinal estão sendo levados:
– Confiem em mim. Quantos aqui estavam largados na mata perigosa sem água, comida e sem esperança? Lembrem-se que estamos juntos nessa caminhada e em breve chegaremos em nosso destino. Vocês irão me agradecer. Basta confiarem e me seguirem sem grandes questionamentos!
Bem, a história deu uma reviravolta e a multidão trocou de guia, mas não foi uma decisão unânime. O antigo deu lugar a um novo que pareceu bem mais objetivo e seguro em suas pretensões – e muito mais sincero também, apesar do seu jeito duro e muitas vezes bonachão.
 Ele então reuniu todos à sua frente e falou:
– Meus amigos, sei que muitos estão cansados e sem muita esperança. Vocês gastaram  muita energia andando em círculos e isso lhes provocou muito sofrimento físico e mental por embrenharem-se nessa mata enorme e hostil sem uma direção certa ou um mapa a seguir. Então peço-lhes que confiem e venham comigo!
Em seguida o novo líder levou-os para uma pequena clareira no meio da mata fechada e apontou para o horizonte:
– Estão vendo aquela montanha lá longe à sua direita? É para lá que iremos!
– Mas, é muito distante! – reclamou um.
– Falta muito para chegar lá? – indagou outro.
– Qual caminho devemos seguir? – perguntou um jovem rapaz.
O novo guia respondeu com sinceridade:
– Estou mostrando-lhes para onde pretendo ir e garanto a vocês ser bem melhor que aqui, onde estamos. Contudo, se eu disser que sei exatamente qual caminho para chegarmos lá, estarei mentindo. Porém, prometo usar todos os equipamentos e ferramentas disponíveis para atingir esse objetivo. Peço agora que cada um faça sua parte e caminhe no seu ritmo,  com os ânimos renovados e um novo fôlego também. Não será fácil, eu sei, mas quando pensarem em desistir, olhem para cima e vejam a montanha ao fundo. É lá o nosso destino e é em sua direção que caminharemos. Vocês agora tem um norte para seguir. Boa sorte para todos nós!
Bem, não me considero um ingênuo político, mas é bem assim que enxergo esse momento político brasileiro. O PT agiu por muitos anos como o guia que nos fez andar em círculos, exauriu nossos recursos e nunca nos disse, afinal, onde queria nos levar. Nunca soubemos onde seu modelo de Estado funcionou muito menos se teríamos um oásis sustentável para montarmos finalmente nosso acampamento.
O novo presidente, a despeito de sua truculência verbal e ideológica e também sua miopia simplista acerca dos problemas do mundo, ao menos demonstra bom senso e vontade enorme de acertar. A grande diferença é que ele aponta uma direção, um norte ou o cume da montanha – é bem verdade que o que há lá em cima é um modelo imperfeito, porém bem melhor que todos os outros.
O PT tinha a pretensão de conduzir todos a um mundo melhor, mas nunca deixou claro qual seria esse destino – alardeava que sabia o que era melhor para nós, mas focava sempre nos meios e nunca nos fins -ou seja, muito mais no trajeto em si e quase nada no destino. Já o novo presidente parece disposto a fazer as correções de rota que lhe achar conveniente, mas sempre apontando convicto o alto da montanha.

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