Programa internacional de combate às drogas será implementado no Brasil

Ministério da Cidadania assina com a Islândia Programa Planet Youth, utilizado desde 1998 no país europeu.

Reduzir os ambientes de riscos que possam levar crianças e adolescentes a se tornarem usuários de drogas.

Na tentativa de evitar essa possibilidade, o Ministério da Cidadania assinou, nesta quarta-feira (4), uma carta de intenções com o Centro Islandês de Pesquisa e Análise Social para aplicar o modelo do Programa Planet Youth em dez cidades brasileiras – entre elas, cinco que fazem parte do programa de enfrentamento à criminalidade Em Frente, Brasil, lançado na última semana.

O programa iniciou na Islândia em 1998 e, de acordo com dados apresentados, naquele ano, 42% dos jovens entre 15 e 16 anos admitiram ter bebido no último mês. Em 2016, o percentual caiu para 5%. Juntamente com a queda, os índices de crimes, roubos, vandalismo, agressão em adolescentes, seguiram redução similar.

De acordo com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, o Brasil não poderia ficar de fora. “É um trabalho que pode servir de modelo para algumas cidades no Brasil e no mundo todo. Queremos nos alinhar com essa política e estamos trazendo os dirigentes da Islândia para junto com eles construirmos uma proposta”, disse.

Segundo o diretor do Centro Islandês de Pesquisa e Análise Social, Jón Sigfusson, o programa se baseia no fortalecimento de atividades extracurriculares e do papel da família no combate às drogas. “É necessário iniciar imediatamente depois que as crianças nascem, conscientizando os pais de como devem agir, mostrando os riscos de optar pelo mal caminho das drogas”, defendeu.

Durante a manhã, no Senado Federal, Jón Sigfusson mostrou que a experiência da Islândia em prevenção foi baseada em três pilares: utilizar evidências, implementar em cidades e comunidades respeitando as diferenças locais e promover o diálogo entre a academia, os formuladores de políticas e quem as executa. “É importante medir continuamente porque as coisas mudam muito rápido na vida das crianças e dos adolescentes. Em 1998 vimos que o consumo de álcool e tabaco estava crescendo e certas circunstâncias estavam fortemente conectadas ao desenvolvimento da dependência”, explicou.

O diretor do Centro Islandês de Pesquisa e Análise Social ressaltou ainda que a experiência é facilmente transferível para qualquer parte do mundo, desde que haja vontade política, como ocorre no Chile, que já levou o programa para 52 cidades. “Focamos sempre em uma área pequena. A informação de onde você está atuando é o que vai fazer a diferença. Quando se tem dados frescos e que demonstram a realidade, é possível reunir as pessoas e discutir os problemas da região e encontrar soluções”, avaliou.

O senador da República, Styvenson Valentim, que presidiu a audiência, se colocou à disposição para trabalhar junto na implementação do programa no País. “Estamos juntos pela tolerância zero. Principalmente porque este mês nos lembra de combatermos o suicídio e o consumo das drogas”, afirmou.

Durante a tarde, técnicos da Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção ao Uso de Drogas (Senapred) do Ministério da Cidadania, acompanhados por gestores das pastas de Educação, Saúde e Justiça e Segurança Pública, participaram de uma oficina com o diretor do Centro Islandês de Pesquisa e Análise Social, Jón Sigfusson, e puderam se debruçar sobre o programa e analisar uma forma de adaptar a iniciativa no Brasil. A metodologia do projeto também foi apresentada pelo gerente de Desenvolvimento de Serviços do ICSRA, Pall Rikhardsson, pelo diretor de comunicação, Thorfinnur Skulason, e pelo diretor do Plano Colombo para a América Latina e Caribe, Mariano Montenegro.

De acordo com o secretário Nacional de Cuidados e Prevenção ao Uso de Drogas, Quirino Cordeiro, o modelo islandês caminha junto ao que o governo federal vem realizando na área de prevenção às drogas. “Existe uma convergência de concepções do Planet Youth com a nova Política Nacional sobre Drogas. Com esse alinhamento, a ideia é que possamos partir para ações conjuntas para que possamos trazer a iniciativa para o País o quanto antes”, destacou.

Além do ministro da Cidadania, o secretário Especial de Desenvolvimento Social, Lelo Coimbra, também participou da oficina.

Como funciona o programa Youth in Iceland/Planet Youth

A cada dois anos, o programa elabora um “perfil” dos jovens por meio de pesquisas e censos nos quais todas as escolas do país participam, onde são coletados dados como idade, sexo, padrões de consumo, características familiares, problemas emocionais, entre outros. Em seguida, são feitos relatórios específicos para cada escola e distrito.

Então, no nível local, as escolas, juntamente com os municípios e a comunidade, identificam os principais fatores de risco que influenciam o álcool e outros fatores de consumo e prevenção. A partir desses dados começa o trabalho conjunto. Os relatórios mostram que a maior participação em atividades extracurriculares e o aumento do tempo gasto com os pais diminuíram o risco de consumir álcool e outras drogas.

Diante desse cenário, a Islândia aumentou a alocação de recursos para expandir o leque de atividades de crianças e adolescentes em áreas como esportes, música, dança e teatro. Além disso, outra mudança que teve grande impacto foi a proibição de divulgar anúncios de cigarros e bebidas alcoólicas na mídia.

Fonte: ASCOM Ministério da Cidadania

Veja Mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba notificações no seu whatsappReceba nossas notificações