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Notícias

Polícia 12h53, 10 de Fevereiro de 2007

Polícia Civil persegue, atira e fere inocente pensando ser seqüestrador de promotor


Luis Vilar
Alagoas24horas
Manchas de sangue no banco do carro das vítimas
Manchas de sangue no banco do carro das vítimas

O trabalhador da construção civil, José Manuel Cavalcante Lins e o primo Ricardo Ramirez foram surpreendidos – no fim da noite de ontem – por ação policial que procurava seqüestradores, no bairro de Jacarecica. A Polícia Civil teria – conforme as vítimas – confundido o carro deles com o dos assaltantes e efetuado disparos contra os dois. Um dos tiros feriu Ricardo Ramirez na perna.

Os policiais – conforme José Manuel Cavalcante – estavam em uma caminhonete branca sem identificação da instituição a qual representam. Os agentes teriam decido da caminhonete e abordado dois rapazes – que estavam em um Fiesta prata, placa MUV-0457, encostados no acostamento da pista que dá acesso ao bairro de Jacarecica.

De acordo com Cavalcante, os policiais – sem se identificarem - apontaram para os dois escopetas e revólveres e os mandaram descer do veículo. José Manuel Cavalcante Lins e o primo se assustaram e tentaram fugir, arrancando com o veículo. Eles achavam que seria um assalto, mas era uma equipe da Polícia Civil em busca de assaltantes.

De acordo com José Manuel Cavalcante, os policiais começaram a atirar no Fiesta, logo após eles acelerarem. Iniciou-se uma perseguição. Os ocupantes do Fiesta acreditavam estarem fugindo de criminosos. A Polícia Civil de Alagoas crente que caçava bandidos.

A perseguição só teve fim quando um dos disparos efetuados pelos policiais transpassou a porta do passageiro do Fiesta e atingiu Ricardo Ramires na perna. José Manuel Cavalcante foi obrigado a parar em um posto de gasolina.

Ele foi conduzido preso para a Delegacia de Plantão III, em Jaraguá. O primo foi levado no camburão para o Pronto Socorro. José Manuel Cavalcante conta que na delegacia foi mal tratado, mesmo depois de desfeito o engano.

Os policiais – segundo as vítimas – deram a seguinte versão: estávamos organizando uma blitz em busca de um Corsa de cor prata, que tinha seqüestrado um promotor de Justiça e um amigo, na noite de ontem, em Paripueira.

A equipe plantonista confundiu o Fiesta com o suposto carro dos bandidos. No entanto, a vítima José Manuel Cavalcante afirma que os policiais sequer o abordaram para perguntar nada, nem se identificaram como agentes de segurança.

A vítima revela ainda que não havia nenhuma blitz no local onde foram abordados. José Manuel Cavalcante disse que vai denunciar o caso na Corregedoria da Polícia Civil de Alagoas, na próxima segunda-feira. “Nós poderíamos ter morrido. Isto não existe. É um absurdo. Onde já se viu a Polícia Civil sair atirando sem se preocupar em saber antes se as pessoas são bandidos ou não”, colocou Cavalcante, que deu a entender que os sobrenomes ainda ajudaram muito a situação não se complicar.

Ricardo Ramirez foi conduzido para a Unidade de Emergência e segundo o primo passa bem, mas teve que ser submetido a uma cirurgia por conta do ferimento. No carro – liberado logo em seguida pela Polícia Civil, sem ter sequer passado por perícia – ainda é possível vê as manchas de sangue deixadas.

O seqüestro

O seqüestro de um Promotor de Justiça - que pediu para não revelar o nome - ocorreu na noite de ontem, em Jacarecica. Ele e um amigo e advogado Osvaldo, filho de um empresário alagoano, foram abordados em um posto de combustível quando paravam para abastecer o carro.

O promotor e o amigo estavam viajando para passar as prévias carnavalescas em Recife. Ao pararem no posto, quatro homens armados os renderam e colocaram os dois em um Vectra e fugiram. A vítima foi liberada logo em seguida com a missão de arrumar R$ 6 mil para pagar o resgate do amigo. O dinheiro foi entregue aos bandidos ainda na noite de ontem.

Por volta das 22h30, o outro refém foi liberado próximo ao distrito de Ipioca. O segundo refém – manteve contato telefônico com o diretor-geral da Polícia Civil, Carlos Alberto Reis – e disse que os bandidos estavam em um Corsa prata. As buscas se iniciaram envolvendo policiais militares e a equipe da Delegacia de Plantão III.

Horas depois, o Fiesta de José Manuel Cavalcante foi abordado como sendo o carro do criminoso e se desenrolou o resto da história, culminando em um ferido. Cavalcante diz não saber o nome dos policiais que atiraram no carro. “Eles não possuíam nenhuma identificação”. A vítima explica ainda que diante da situação, não conseguiu decorar o nome da delegada que efetuou o plantão na noite de ontem.

A Polícia Civil

O Alagoas 24 Horas entrou em contato com a Delegacia de Plantão III. No local, os policiais de plantão informaram que a delegada Bárbara Arraes foi quem atuou na ação visando libertar os reféns e prender os seqüestradores.

Nossa equipe de reportagem tentou entrar em contato com a delegada para ter maiores informações sobre o fato e ouvir a explicação da Polícia Civil, mas não obteve êxito. O diretor-geral da Polícia Civil, Carlos Alberto Reis – por meio de sua assessoria – comentou o fato.

Reis explicou que estava sendo feita uma operação na caça dos seqüestradores do promotor, na noite de ontem, em Jacarecica e nas proximidades, inclusive com blitz caracterizada e com o apoio da Polícia Militar de Alagoas e da Polícia Rodoviária Federal.

Segundo o diretor-geral, o Fiesta dirigido por José Manuel Cavalcante tentou ultrapassar uma das barreiras. Reis declarou que os dois tentaram até atropelar um dos policiais. Diante do fato, a equipe da Polícia Civil pensou se tratar dos assaltantes e os perseguiram em uma viatura caracterizada da Operações Litorâneas (Oplit).

Como os rapazes não paravam o carro, os agentes atiraram na intenção de acerta os pneus do veículo. No entanto, o tiro pegou na porta do passageiro, transpassou e atingiu a perna de Ricardo Ramirez.

O procedimento – segundo Reis – foi socorrer primeiro o ferido, que foi levado na viatura da Oplit para a Unidade de Emergência Armando Lages e em seguida a prisão do motorista, para depois esclarecer o fato. De acordo com o diretor nada disto teria acontecido se os rapazes – por motivos que a Polícia Civil ainda desconhece – tivessem tentado furar o bloqueio policial.

Carlos Alberto Reis expôs ainda – conforme a assessoria de imprensa – que os dois rapazes possuem todo o direito de procurarem a Corregedoria da Polícia Civil e que se assim o fizerem os procedimentos cabíveis serão tomados para a investigação das informações prestadas por eles.

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  • Edilson01/10/2009 13h41 comentou:
  • tenho muito respeito pelo delegado!mais acho que uma imprudência dessa naturesa não tém explicação,e espero que o dotor marcilio barenco não venha deichar impune!muito obrigado Dr.Marcilio.
  • Alagoano 211/08/2009 21h23 comentou:
  • É eu sei muito bem como a policia civil atúa. Sem preparo sem noção, esse caso não pode ficar assim.

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