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Vilela traça quadro sombrio de Alagoas, mas alerta para mudanças

13h14, 19 de Abril de 2007 Luis Vilar

Sionelly Leite/Alagoas24horas
Vilela fala sobre as dificuldades do início do governo

O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) durante a assinatura do convênio com o Movimento Brasil Competitivo (MBC), fez um pequeno balanço dos seus quatro primeiros meses de gestão. Vilela ressaltou as dificuldades enfrentadas e explicou as medidas impopulares do início de gestão.

Para justificar algumas ações do governo, entre elas o corte de gastos, Teotonio Vilela traçou um quadro “sombrio” da situação do Estado de Alagoas encontrada por ele e sua equipe. Entre os índices assustadores, o governador destacou os 46% de analfabetos e cerca de 1,5 milhão de alagoanos que se encontram abaixo da linha da pobreza.

“A situação é crítica, mas não está escrito em lugar nenhum que o Estado de Alagoas está condenado a ter os piores indicadores sociais do Brasil. Nós vamos mudar isto e estamos trabalhando desde o início, mesmo com medidas por vezes impopulares”, salientou.

Vilela disse que a gestão está apoiada desde o início na transparência, diálogo e participação constante. Ao falar sobre o convênio firmado com o MBC – que visa a melhoria da máquina administrativa – o governador destacou: “Este momento espelha este tripé da nossa estrutura. Este governo está expondo as suas vísceras”.

O convênio

Vilela destacou que o convênio funcionou em outros locais, trazendo inclusive aumento de receita para os estados. “O convênio funciona comprovadamente, com resultados. Se não acontecer em Alagoas, é porque depende de seu líder. Esta é a responsabilidade que está em minhas mãos”.

“Eu sei desta responsabilidade de melhorar Alagoas. Eu poderia ter tomado a decisão de firmar este convênio intramuros e só convocar a imprensa para mostrar os resultados, caso acontecessem. Mas confiamos e como temos feito com nossas contas, aplicamos transparência em nossas ações”, salientou Vilela.

O governador – em seu discurso – salientou que administrar “dentro da legalidade e com escrúpulos dá trabalho, mas não sabemos fazer de outra forma. Chegamos ao governo com este discurso”, complementou.

Os primeiros meses

“Os primeiros dias e meses foram difíceis, com medidas duras e impopulares. Tivemos que fazer a redução das secretarias e correligionários perderam postos, foram exonerados. Muitos ficaram chateados. Criar condições de governabilidade tornou o dia-a-dia difícil, com cancelamento de contratos de quem até acompanhou a campanha, nas eleições. O Estado não tinha condições de prestar serviços”, discursou Vilela.

Na análise do governador de Alagoas, há várias décadas se distorceu o papel do Estado, “que era visto como o paizão, que a tudo abriga e perdoa, ajudando grupos, setores e categorias. O resultado disto todo mundo conhece bem. Aproximadamente 46% dos alagoanos são analfabetos funcionais e cerca de 1,5 milhão deles estão abaixo da linha da pobreza, sofrendo e sofrendo muito”.

“Isto não é a África. É Alagoas”, sacramentou Vilela. “É aqui. Quem é o culpado disto? Que juventude estamos preparando com serviços de péssima qualidade? Possuímos o maior gasto público, proporcionalmente, e o pior serviço prestado. Não deveria falar isto porque é negativo para o Estado, mas se não tivermos autocrítica, não avançaremos. Precisamos sair deste círculo vicioso em direção ao fundo do poço. Os indicadores foram piorados e aumentou a distância para os outros Estados”, disse ainda.

Avanços

No entanto, apesar do quadro sombrio traçado por Vilela, o governador alertou para as mudanças que já estão acontecendo dentro de sua gestão. “Houve aumento de 18% da arrecadação, mas ainda estamos com um déficit mensal de 11%. Recebemos o Estado quebrado. Não podemos tomar dinheiro emprestado. Só dispomos do governo federal, mas há ainda as contrapartidas e precisamos mostrar projetos para isto. Precisamos aumentar a receita e racionalizar os gastos. Traçar um projeto sistêmico com metas. Não dá para desperdiçar nem os sonhos”, destacou Vilela.

O governador de Alagoas destacou o convênio com o MBC como uma ferramenta para alcançar o sonhado desenvolvimento. “Quando assumimos, tínhamos que matar um leão por dia em uma estrutura desorganizada. Agora, vamos domar o leão e torná-lo organizado. O convênio é uma ferramenta para avançar”.

Segundo Vilela, acabou “a cultura do venha a nós e ao vosso reino nada”. “Estamos prontos para superar estas dificuldades e apresentaremos ações concretas que nos trarão resultados a médio e curto prazos”.

O governador destacou ainda que o convênio é orçado em R$ 6 milhões e vários técnicos do Movimento Brasil Competitivo, do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) e da empresa de consultoria Macroplan ficarão em Alagoas para treinar e passar conhecimento para os gestores públicos. O recurso será aplicado pelo próprio MBC. “Não há gastos para o Estado de Alagoas”, finalizou Teotonio Vilela.

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