08h39, 17 de Fevereiro de 2009 Luis Vilar
De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Alagoas, Isaac Jackson, os manifestantes que ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, na tarde de ontem, devem permanecer no plenário até o final da tarde de hoje, inclusive realizando a sessão parlamentar. Isaac Jackson coloca que os manifestantes devem eleger “27 deputados do povo” para votarem dois decretos que serão encaminhados ao governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB).
Os decretos não possuem sustentação jurídica, mas servirão como mais uma forma de protesto para pedir a cassação dos deputados estaduais suspeitos de corrupção, que foram denunciados em inquérito da Polícia Federal, durante a Operação Taturana. Os manifestantes devem ainda brigar pela redução do duodécimo. Para o protesto que ocorre na tarde de hoje, os manifestantes esperam reunir mais de 10 mil pessoas.
O clima no local é de tranquilidade. Ocupam a Assembleia integrantes do Movimento Social de Combate à Corrupção e a Criminalidade, do Movimento Sem Terra, da CUT, dentre outros membros de sindicatos e entidades da sociedade civil organizada. O protesto agendado para a tarde de hoje deve suspender a primeira sessão regimental do ano. O deputado Fernando Toledo (PSDB), que preside interinamente a Casa de Tavares Bastos, encontra-se viajando.
“Nosso objetivo hoje é eleger os 27 deputados populares e votar os dois decretos, encaminhado ao governador. Se ele não tiver legitimidade agora, pelo menos deve valer muito em 2010”, colocou Isaac Jackson se referindo ao ano eleitoral que se aproxima, quando os deputados estaduais afastados envolvidos na Taturana devem tentar a reeleição.
“Hoje é dia 17 e este tem sido um número histórico para Alagoas”, coloca ainda o presidente da CUT, lembrando do “17 de julho”, que resultou no impeachment do então governador Divaldo Suruagy. O presidente da CUT defende que os “deputados populares” aprovem a redução do duodécimo em R$ 23 milhões. “Daremos também posse definitiva aos suplentes no ato de hoje”, coloca Jackson.
O presidente da CUT frisou ainda que a invasão do plenário foi antecipada, porque os manifestantes tinham informações de que na tarde de hoje seria utilizado o Batalhão de Operações Especiais (Bope) para garantir a funcionalidade da Assembleia. “Não queríamos um confronto de trabalhador com a polícia, por esta razão fizemos a ocupação de forma ordeira e pacífica”, salientou.
Os manifestantes ocuparam apenas o plenário. O prédio com os gabinetes e a parte administrativa da Assembleia Legislativa não está ocupada, conforme Isaac Jackson. “Só ocupamos o plenário e dentro de um protesto pacífico”, repetiu o presidente da CUT.
O presidente da CUT ressaltou, ainda, que mesmo que os decretos não possuam valor legal, há estratégias sendo traçadas para que os deputados estaduais afastados sejam cassados. Membros do Fórum de Combate ao Crime Organizado (Focco) devem se reunir com os partidos políticos para fomentar a discussão sobre o pedido de cassação partindo das agremiações.
Os suplentes já fizeram isto via PTB, mas o partido – que é presidido pelo senador Fernando Collor de Mello – ainda não deu prosseguimento ao pedido. “O Focco deve cobrar dos partidos políticos um posicionamento. No caso do PTB, eles possuem diversos suplentes, logo interesse direto na questão. Ele deveria ser o principal partido político”, colocou Isaac Jackson.
Outro partido que pode pedir a cassação é o Democratas. “Caso os partidos não peçam e quebrem o que preconiza seus regimentos, dão brecha para que os suplentes mudem de sigla partidária e possam em um novo partido pedir a cassação. Neste momento, cada um tem que assumir o seu papel”, frisou.