Justiça 11h05, 03 de Julho de 2012
Depoimento do principal acusado é aguardado.
Durante a última audiência de instrução realizada na manhã desta terça-feira, dia 3, no Fórum de Maceió, a acusação aponta diversas contradições no depoimento de Sonei Soares, esposa do caminhoneiro Luiz Alberto Bernardino da Silva, acusado da autoria material no crime que vitimou a estudante de fisioterapia Giovanna Tenório, morta no dia 2 de junho de 2011, após suposto sequestro.
Segundo a acusação, o depoimento de Sonei é por várias vezes contraditório. “O depoimento dela é contraditório em vários pontos e para a acusação está clara a tentativa dela de encobrir as acusações que pesam sobre o autor do crime”, relata o advogado Welton Roberto, contratado pela família da vítima para ajudar no caso.
Ainda segundo Roberto a acusação, formalizada pelo promotor Flávio Gomes, tem provas contundentes que incriminam o caminhoneiro. “O celular dele foi ligado às 10h daquele dia e desligado às 14h, mesmo horário que o de Giovanna. Somente às 21h daquela noite ele volta a ligar o telefone dele nas imediações do Eustáquio Gomes, local próximo onde o corpo da vítima foi encontrado. Além disso, ele (Luiz Alberto) e a esposa já apontaram três diferentes lugares para a suposta compra do celular de Giovanna – encontrado com o caminhoneiro. O último lugar dito por ela teria sido um posto de combustíveis”, complementou Roberto.
Outra contradição seria sobre uma toalha que enrolava o corpo da vítima. “Sonei disse em depoimento reconhecer a toalha e que não lembrava se havia visto a peça na casa da sogra ou do Padre Edivan (irmão do acusado). Em novo depoimento ela disse não reconhecer a toalha”, esclareceu Welton.
A versão da acusação é de que Giovanna tenha sido sequestrada no dia em que foi morta e levada amarrada para uma Casa Paroquial situada na Rua Íris Alagoense, próximo à faculdade onde foi vista com vida pela última vez.
Durante oitiva, o padre Edivan, que congrega em uma paróquia do município de São Luiz do Quitunde, disse usar a Casa Paroquial durante a semana devido ao curso de Direito que realiza na capital alagoana e que o caminhoneiro tem acesso à casa por que quando da sua ausência Luiz teria se responsabilizado em alimentar os cães criados pelo padre na casa paroquial. Padre Edivan também nega que estivesse na Casa Paroquial no dia em que a estudante foi supostamente sequestrada e morta.
No início da manhã, Larissa Tenório, irmã de Giovanna Tenório, também deu seu depoimento.
O depoimento do caminhoneiro Luiz Alberto é o mais aguardado do dia.
Após o fim da audiência será declarada a sentença de pronúncia para, em seguida, ser definido o dia do julgamento que deverá ir a júri popular.
A estudante Giovanna Tenório foi encontrada morta no final da tarde do dia 06 de junho de 2011, nas imediações da Fazenda Urucum, em Messias. No corpo da jovem foi encontrado fios de náilon no pescoço e nas mãos. No laudo do Instituto Médico Legal Estácio de Lima, Giovanna foi vítima de asfixia mecânica por estrangulamento.
Também são acusados de autoria intelectual Mirella Granconato e seu marido Antônio de Pádua, o Toni Bandeira.