ArtigosSeja bem-vinda, nossa querida Malú!
10h41, 11 de outubro de 2006
Vanessa Alencar*
Até onde posso me lembrar, o caso do seqüestro da pequena Malú foi o que gerou uma das maiores comoções populares no Estado.
O maravilhoso desfecho, com a volta de Malú, além de uma felicidade genuína em cada alagoano que acompanhou e sofreu junto com o sofrimento da família, gerou um amor sincero pela menina que a maioria de nós sequer conhece pessoalmente.
Acredito que, assim como eu, você também quis estar lá, ao lado dos parentes e amigos na hora da chegada de Malú, para lhe dar um abraço forte, um beijo e dizer a ela: “estávamos com saudade”, “graças a Deus que você está bem. Rezamos todos os dias por você”.
Depois de dez dias de sofrimento e ausência, Malú, ainda assustada e tão pequena, não pode compreender que a sua família aumentou muito, aumentou para mais de um milhão de pessoas, pois todos nós nos sentimos um pouco seus pais, tios, avós, amigos...a meiga Malú se tornou íntima e querida por todos e pode se orgulhar de ser muito amada, não só pela sua família de fato, mas por todo um Estado.
Um dia Malú, você vai entender o que causou no coração das pessoas...vai saber que em cada carro, em cada loja, em todo canto de nossa Alagoas, estava estampado o seu rostinho lindo. Todos pediam a sua volta. Todos rezavam pela sua volta. Todos nós já lhe amávamos e amamos, mesmo que nunca tenhamos a oportunidade de lhe conhecer pessoalmente. Esse Dia das Crianças, Dia de Nossa Senhora Aparecida, este ano, mais do que em qualquer outro, é o seu dia, Malú.
Espero que toda essa história sirva também para plantar uma semente pequena que seja de decência e compaixão no “coração” daqueles que, em uma atitude que eu comparo a crueldade dos seqüestradores, ligaram várias vezes para a polícia e para a família fornecendo informações falsas, e às vezes até assustadoras, por pura maldade. Uma brincadeira de mau gosto que torna essas pessoas tão criminosas quanto aqueles que seqüestraram e mantiveram Malú em cativeiro.
Quando a polícia se desloca para atender um falso chamado ou correr atrás de uma falsa pista, alguém que realmente precisa de ajuda pode acabar morrendo de verdade. Alguém que de fato está em poder de bandidos, pode ter seu tempo de cativeiro ampliado...isso, ao meu ver, torna você, que passa o malfadado trote, um assassino cuja arma, o telefone, é acionada pelo gatilho da sua ligação.
Seja bem-vinda, nossa querida Malú! Que Deus lhe abençoe, hoje e sempre.
Fonte: *Jornalista
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