Futebol 09h01, 14 de Setembro de 2012
Há pouco mais de 60 dias, o técnico Luiz Felipe Scolari era erguido pelos jogadores do Palmeiras e jogado para o alto. O time era campeão da Copa do Brasil, tinha vaga assegurada na Taça Libertadores e um fim de ano tranquilo pela frente. No entanto, problemas internos geraram a quebra de confiança entre comissão técnica e elenco, e as derrotas que se sucederam no Campeonato Brasileiro só pioraram o ambiente. O jogo contra o Vasco, quarta-feira, foi o estopim para a demissão do técnico.
A volta do Rio de Janeiro após a derrota por 3 a 1 foi em clima de velório, principalmente depois de uma conversa que o técnico teve com o gerente César Sampaio e o vice-presidente Roberto Frizzo. No papo, Felipão deixou a decisão sobre sua permanência a cargo da diretoria, que listou uma série de pontos de insatisfação – tanto na parte tática, em campo, quanto no gerenciamento da crise fora dele. Em silêncio durante todo o voo até São Paulo, o técnico já voltou virtualmente demitido. Só faltava conversar com o presidente Arnaldo Tirone, que apenas chancelou a decisão tomada por Sampaio e Frizzo.
Na visão da diretoria, não dava mais para esperar uma influência de Felipão sobre um elenco que já não tinha tanta confiança no treinador. A notícia da demissão até animou alguns jogadores, que chegaram a comemorar em conversas internas. Tudo por causa de dois casos que vazaram à imprensa: a suposta embriaguez de João Vitor em um treino e as acusações de "migué" a Daniel Carvalho e Maikon Leite, que se recuperavam de lesões.
Os jogadores ouviram do técnico que a confiança estava intacta, mas a recíproca não era verdadeira. Eles desconfiaram que as informações foram vazadas por alguém ligado ao técnico.
As punições ao próprio Maikon, ao zagueiro Leandro Amaro e ao meia Mazinho também contribuíram para azedar o ambiente. Os três não foram relacionados para a partida contra o Vasco e se consideraram “responsabilizados” pela má fase da equipe no Brasileirão
– Ele se afastou muito do elenco ultimamente, e com essas atitudes de vazar, de afastar, acabou queimando alguns jogadores, houve quebra de confiança. O Mazinho, por exemplo, ficou arrasado depois que passou a ser cortado dos jogos. Acho que não tinha mais clima – afirmou um jogador, sob condição de anonimato.
O gerente de futebol César Sampaio detectou problemas no ambiente e passou a acompanhar os desdobramentos das atitudes de Felipão. Com jogadores insatisfeitos e sem render o que podiam, ficou claro para a diretoria que a demissão do comandante seria a única atitude viável para o momento.
A diretoria também sentiu um Felipão apático nos últimos jogos. As entrevistas pós-jogo mostram um técnico mais abatido, quase entregue à má fase e à zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O presidente Arnaldo Tirone ouviu reclamações de conselheiros e até de alguns jogadores mais próximos: o técnico não conseguia mais fazer a equipe atuar em bom nível.
– Ele mesmo disse que não via mais alternativas para ajudar. Dentro disso, não havia como tomar outra decisão – disse Tirone.
Mesmo com a queda, o planejamento para a Taça Libertadores proposto por Luiz Felipe Scolari está mantido. Isso significa que três jogadores “de alto nível” devem ser contratados para a próxima temporada. Mesmo se o pior acontecer e o Palmeiras cair para a Série B.
– O planejamento não depende de mim ou do Felipão. Eu também não sei se vou estar no clube em 2013, temos eleições. Mas esperamos contratar, sim. Seguir o plano que foi proposto – explicou o presidente do Palmeiras
Fonte: Globo.com
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