Os curiosos números da copa

Arquivo Pessoal

Eu ainda adolescente, portanto faz muito tempo, passei um período nos Estados Unidos, e como sempre fui encantada com propaganda, prestava muita atenção nelas, na televisão, a ponto de algumas das quais me lembrar até hoje.

Uma dessas tinha um jovem americano viajando num trem, tentado sem sucesso manter uma conversa em vários idiomas com uma chinesa, que só balançava a cabeça negativa e timidamente, indicando que não estava entendendo, até que surge um carrinho de refeição anunciando “COCA COLA”, e ele pergunta “Coca cola?” E ela levanta a cabeça com um sorriso lindo e responde afirmativamente “Coca cola!”. E o comercial concluía dizendo “Até a China bebe Coca cola”.

Trago essa mesma imagem para hoje, apenas trocando a Coca cola por algo mais interessante, o futebol. Até a Albânia/Kosovo hoje é Copa do Mundo e do mesmo jeito que tem meia dúzia que não se rende aos encantos do esporte (o que é legítimo), tem alguém que não bebe Coca cola e eu respeito, mas estou com a maioria, TV ligada e na torcida.

A copa do mundo é feita de emoção, coração, sangue nos olhos e números, alguns dos quais bem curiosos e que tem chamado minha atenção.

Um único jogador da inventora e tradicionalíssima seleção de futebol, Inglaterra, vale mais que toda seleção somada do Panamá, estreante em copa, e mesmo assim o jogo entre eles não conseguiu bater o nosso recorde de tomar uma surra de 7 x 1, mas deu uma lição de fairplay, com a torcida aplaudindo o seu time derrotado.

O nosso vexame só não é maior numericamente que o ocorrido em 1982, no evento da Espanha, quando a Hungria goleou, sem perdão, a equipa de El Salvador com um placar de 10 a 1, mas ainda assim conseguimos ganhar em vergonha, aliás de vergonha estamos bem, vide as “brincadeiras” de péssimo gosto dos brasileiros na Rússia.

Apesar dos americanos, sequer saberem o nome certo do esporte que se disputa na copa, chamando de “soccer”, eles tem o maior número de torcedores presentes na Rússia, só não sei para torcer por quem, já que a seleção deles não se classificou.

A pequena Islândia, quase do tamanho de uma Arapiraca, além de conseguir classificar uma seleção, carregou com ela, proporcionalmente a maior torcida de um jogo até agora, parece que quase dez por cento da população esteve presente no estádio quando ela empatou com a tradicional e estrelada Argentina.

O Brasil em crise tem a segunda maior torcida em números de pessoas hoje na Rússia, só perde para os Americanos, mas se levarmos em consideração as rendas per capta dos dois países, ganhamos de lavada em termos de ousadia.

Uma copa que teve seu iniciozinho marcado pelo sucesso das seleções pequenas e tropeço das grandes, como os sustos da Alemanha, da Argentina e da Espanha, além da desclassificada Itália que só assiste pela televisão, mostra que hoje o peso da camisa não é o único fator determinante, um coração na ponta da chuteira também ajuda.

Apesar dos televisores do mundo todo estar com interesse na copa, a marca Super Bowl Americana rende três vezes mais dinheiro, e eu que gosto de propaganda fico numa curiosidade danada pra saber o que é anunciado na final desse show do milhão.

Essa copa tem uma legião de brasileiros naturalizados em outros países, cinco no total e mais seis com dupla nacionalidade, defendendo outras seleções, mostrando que somos talentosos com uma bola nos pés.

Talvez tenhamos o maior número de apaixonados por futebol a torcer pelo fracasso da nossa seleção, ou ē como queremos ou achamos que podemos fazer biquinho e disparar críticas, parte delas apenas pelo prazer de ser do contra.

Na geopolítica atual a China já têm parcerias comerciais corriqueiras com o mundo, pauleira agora é fazer uma norte coreana saber que todos bebemos Coca cola, assistimos copa e que o gigante Estados Unidos é governado por alguém tão idiota quanto o presidente dela, inclusive no gel de cabelo.

Eu, mais que de propaganda, gosto de futebol, e se por azar (sim, esporte tem uma parcelinha de sorte) não seja esse o ano da nossa Canarinho, permanecerei acreditando nos nossos talentos, e mesmo sem mudar a cor da camisa, vou vibrar por alguma das pequenas seleções que consiga seguir em frente, mas obviamente estarei torcendo contra a Alemanha e Argentina até o fim.

Junho de 2018

Katia Betina

Fonte: Katia Betina

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1 comentário

  • Luna Endi says:

    Meu vizinho tem um filhinho autista e vejo as dificuldades que ele enfrenta no seu dia a dia, sem dúvidas este é um tema que deve ser abordado com mais frequência em busca de diversas soluções de problemas.

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