Trump anuncia sanções contra a Turquia após ataques militares

Presidente dos EUA repetiu a promessa de 'destruir a economia turca' após secretário do Tesouro anunciar que a Casa Branca estava pronta para aplicar sanções. Ofensiva contra militantes curdos continuou nesta segunda-feira

Yuri Gripas / Reuters

Donald Trump participa de evento em Washington no sábado (12)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta segunda-feira (14) aplicar sanções contra a Turquia após os recentes ataques de militares turcos a bases curdas no nordeste na Síria. Ele ainda não assinou a medida, que, entre outras ações, aumenta as tarifas para o aço em 50%.

Apesar de Trump só declarar nesta segunda que pretende impor sanções à Turquia, o secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, anunciou três dias antes que o presidente autorizou a medida. Tais ações podem ser aplicadas a qualquer pessoa associada às autoridades turcas.

Trump repetiu, em comunicado, que pode “destruir a economia da Turquia” caso o governo de Recep Tayyip Erdogan não interrompa as ações no nordeste da Síria.

“Estou totalmente preparado para rapidamente destruir a economia da Turquia se líderes turcos continuaram com esse caminho perigoso e destrutivo”, ameaçou Trump, em comunicado.

As sanções também colocariam fim a uma negociação com o governo turco no valor estimado de US$ 100 bilhões – equivalentes a R$ 412 bi.

Além disso, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, anunciou nesta segunda que vai pressionar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para tomar medidas “econômicas e diplomáticas” contra o governo turco. A Turquia faz parte da aliança militar.

Ação turca na Síria

Um militar rebelde da Síria, de um grupo apoiado pela Turquia, acena na cidade Tel Abyad, na fronteira entre os dois países, em 14 de outubro de 2019 — Foto: Khalil Ashawi/ReutersUm militar rebelde da Síria, de um grupo apoiado pela Turquia, acena na cidade Tel Abyad, na fronteira entre os dois países, em 14 de outubro de 2019 — Foto: Khalil Ashawi/Reuters

Dezenas de pessoas, inclusive civis, morreram desde o início da ofensiva da Turquia contra posições curdas no norte da Síria. Além disso, estima-se que 130 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, segundo a agência Associated Press.

A Turquia iniciou os ataques por considerar militantes curdos aliados de terroristas separatistas que agem no país. Os curdos na Síria, porém, eram apoiados pelos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico. Com o anúncio da retirada dos militares norte-americanos na região, abriu-se caminho para uma ofensiva turca contra os curdos.

Opositores e mesmo aliados de Trump o criticaram por permitir que a Turquia atacasse o norte da Síria após a retirada dos militares norte-americanos. O presidente, então, tentou se esquivar das acusações no comunicado publicado nesta segunda. “A ofensiva militar da Turquia coloca civis em perigo e ameaça a paz, segurança e estabilidade na região.”

“Fui muito claro com o presidente Erdogan: a ação turca está criando uma crise humanitária e gerando condições para possíveis crimes de guerras”, afirmou.

O que acontece na região

  • no dia 7, o presidente dos EUA, Donald Trump, mandou as tropas americanas saírem do norte da Síria, onde está a fronteira com a Turquia;
  • essa é uma das áreas onde vivem os curdos, um povo de cerca de 35 milhões de pessoas que não tem um Estado e se espalha por partes da Síria, do Irã, do Iraque e da Turquia;
  • os curdos querem autonomia, mas enfrentam a resistência dos governos da região;
  • nos últimos 6 anos, milícias formadas por curdos na Síria foram as principais aliadas dos EUA para derrotar os terroristas do Estado Islâmico;
  • por outro lado, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusa as forças curdas do norte da Síria de terrorismo. Segundo ele, esses grupos estariam por trás de ataques ocorridos na Turquia;
  • a saída das tropas americanas abriu caminho para Erdogan atacar os curdos, e a ofensiva começou na última quarta (9);
  • o presidente turco alega que quer controlar militarmente aquela região e mandar para lá os milhares de sírios que fugiram para a Turquia por causa da guerra civil em seu país;
  • sem a proteção militar dos EUA, cerca de 2 milhões de curdos na Síria ficaram expostos;
  • dezenas de civis já morreram, e a ONU diz que mais de 130 mil pessoas fugiram de casa desde que os ataques começaram;
  • a traição de Trump aos curdos foi criticada até mesmo por aliados nos EUA, que temem que a instabilidade provocada por um novo confronto na Síria fortaleça o Estado Islâmico;
  • outro risco apontado por esses críticos é a possível aproximação dos curdos com os governos da Síria e da Rússia, adversários dos americanos.

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