Esposa morta por PM pediu ajuda para amiga por WhatsApp: ‘Não deu tempo’

Ana Gabriela Perin Broesler, de 26 anos, morta pelo marido, um policial militar, em Peruíbe, no litoral de São Paulo, teria enviado mensagens pedindo ajuda para uma amiga um dia antes de ser executada pelo homem, que cometeu suicídio após o crime. “Ela falou que iria buscar as roupas dela, e ele respondeu que ela poderia ir, mas que não iria mais precisar usar”, relatou ao G1 nesta terça-feira (22) a amiga do casal, a funcionária pública Helen Cerqueira, de 28 anos.

O soldado da PM Edson Melo, de 41 anos, matou a esposa nesta segunda-feira (21), dentro do carro da família, depois de ela ter deixado os três filhos na escola, no bairro Jardim dos Prados. Ela foi baleada na cabeça, no abdômen e na coxa, sendo ferida por um total de três tiros. Apesar de ter sido socorrida, a vítima morreu a caminho da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Após atirar contra a esposa e abandoná-la no local, Melo foi para casa, no bairro Vila Erminda, e se matou com um tiro na cabeça.

Segundo a amiga do casal, a vítima teria relatado que o marido estava tendo atitudes violentas recentemente e com frequência. Helen, no entanto, diz que desconhecia qualquer desavença ou ameaça antiga entre o policial militar e a esposa. “Ele era um ótimo marido, até sexta-feira, quando ela disse que iria morar com a mãe. Ele não aceitava que ela queria se separar”, disse ao G1.

Ainda de acordo com a funcionária pública, Ana chegou a pedir ajuda para ela um dia antes de ser morta. Helen relata que, na sexta-feira, a amiga teria ligado e relatado que havia se separado de Melo porque ele era muito ciumento e que estava sendo ameaçada por ele.

“Ela disse que não sabia o que fazer. Como era meu aniversário, conversamos por telefone e não consegui ir até lá. No fim de semana ela disse que ele estava a ofendendo. Cheguei a perguntar se ela queria que eu a buscasse para ficar na minha casa, moro em Itanhaém, mas ela não quis”, conta.

No domingo de manhã, Ana relatou a amiga que tinha apanhado do marido e que precisava ir na delegacia. A jovem, segundo a funcionária pública, pediu também um dinheiro para fugir, porque estava com medo do que o marido poderia fazer com ela.

“Eu não consegui o dinheiro no domingo, mas fiquei de ir lá nesta segunda-feira, mas não deu tempo de fazer nada. Estamos sem chão, está doendo muito. Como vamos contar isso para as crianças? Nunca pensei que ele pudesse fazer isso”, finaliza Helen.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP), informou que o caso foi registrado na Delegacia de Peruíbe como feminicídio e suicídio. A autoridade policial solicitou exames ao Instituto de Criminalística (IC) e Instituto Médico Legal (IML), e investiga os fatos.

Já a Polícia Militar afirma que estão todos empenhados com o sepultamento e auxílio a família do casal, que tinha filhos pequenos. A PM lamenta o ocorrido.

Fonte: G1

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