2 dos 5 navios gregos notificados não tinham óleo da Venezuela ao passar pelo Brasil, aponta agência

Dentre os cinco navios gregos notificados pela Marinha do Brasil na investigação sobre o vazamento de óleo, dois não transportaram petróleo da Venezuela no período de julho até setembro. Entre os três que chegaram a transportar óleo venezuelano, apenas um (o Bouboulina) teria passado pelo litoral nordestino antes do dia 30 de agosto, quando as primeiras manchas foram registradas pelo Ibama.

As informações sobre a carga e a trajetória dos cinco navios notificados foram fornecidas, a pedido do G1, pela empresa de inteligência de dados Kpler, com base nos dados da notificação divulgados pela Delta Tankers, empresa proprietária do navio Bouboulina.

O Bouboulina foi apontado pela Polícia Federal, na sexta-feira (1º), como o principal suspeito de ter causado o desastre ambiental que já atinge mais de 350 localidades. Apesar disso, a Marinha informou que as investigações continuam e que 30 navios foram notificados.

A Delta informou nesta terça-feira (5) que o Bouboulina foi notificado pela Marinha do Brasil junto com outras quatro embarcações gregas. São estes os cinco navios:

  • Maran Apollo
  • Maran Libra
  • Minerva Alexandra
  • Cap Pembroke
  • Bouboulina

A Petrobras disse, no último dia 25, que o material encontrado nas praias nordestinas é petróleo bruto originário de três diferentes campos da Venezuela.

Dentre os três navios gregos notificados que carregaram petróleo venezuelano, apenas o navio Bouboulina esteve próximo à costa da Paraíba com essa carga antes do dia 30 de agosto, quando as primeiras manchas foram registradas.

Os outros navios ou passaram carregando petróleo em datas posteriores à mancha, ou então passaram sem esse tipo de carga.

Veja mais informações sobre a trajetória e a carga dos cinco navios gregos que foram notificados:

Rota dos cinco navios investigados pela Polícia Federal — Foto: Roberta Jaworski/G1

Rota dos cinco navios investigados pela Polícia Federal — Foto: Roberta Jaworski/G1

Trajetória das embarcações suspeitas

Os cinco navios notificados pela Marinha por meio do Ministério de Assuntos Marítimos da Grécia tiveram rotas diferentes, segundo dados da Kpler. Abaixo, mais detalhes da rota de cada um deles, em relação ao dia em que as manchas foram observadas.

Maran Apollo

Depois de descarregar, no final de junho, uma carga de petróleo cru da África Ocidental na China, o navio petroleiro Maran Apollo foi para a América do Sul contornando a Cidade do Cabo, na África do Sul. Ele estava sem carga quando passou ali, em 31 de julho, e depois navegou a cerca de 300 km da costa da Paraíba no dia 9 de agosto.

Ele seguiu para Porto de José, na Venezuela, onde buscou carga de óleo cru do tipo Merey 16 entre os dias 17 e 20 de agosto.

A mancha de petróleo cru apareceu no Nordeste brasileiro em 30 de agosto.

Mas o navio só passou de novo pela costa da Paraíba no dia 3 de setembro, desta vez carregado com óleo venezuelano, que foi descarregado na Malásia entre os dias 19 e 20 de outubro.

Maran Libra

Já o navio Maran Libra descarregou petróleo dos Emirados Árabes Unidos na China no dia 21 de maio e depois foi para a Venezuela. O navio contornou a Cidade do Cabo em 14 de agosto e, então, passou a 300 km da costa da Paraíba em 26 de agosto, sem carga.

A mancha de petróleo cru apareceu no Nordeste brasileiro em 30 de agosto.

Entre os dias 3 e 9 de setembro, ele buscou uma carga de cerca de 2 milhões de barris de petróleo Merey em Porto de José, na Venezuela. Depois, navegou em direção à Índia passando a 500 km da Paraíba no dia 22 de setembro, desta vez carregado com petróleo venezuelano.

Minerva Alexandra

O Minerva Alexandra buscou carga de óleo combustível (DPP) dos Estados Unidos e das Bahamas no fim de julho e depois navegou para Cingapura, contornando a Cidade do Cabo. O navio-tanque passou com essa carga a cerca de 500 km da costa da Paraíba em 18 de agosto.

A mancha de petróleo cru apareceu no Nordeste brasileiro em 30 de agosto.

Ele foi descarregado em Cingapura no dia 17 de setembro. Atualmente, está carregando óleo cru de Supsa, na Geórgia.

Cap Pembroke

Também notificado pela Marinha, o Cap Pembroke descarregou petróleo americano em Quebec, no Canadá, em meados de julho, e depois foi para o Brasil sem carga. Ele passou a 30 km de João Pessoa em 26 de agosto, e depois pelo Rio de Janeiro, em 30 de agosto.

A mancha de petróleo cru apareceu no Nordeste brasileiro em 30 de agosto.

Entre os dias 1º e 3 de setembro, o navio-tanque buscou carga de 1 milhão de barris de petróleo bruto de Frade, na bacia de Campos, em uma unidade flutuante de armazenamento. A embarcação parou em Vitória, no Espírito Santo, no dia 4 de setembro, e depois partiu para os Estados Unidos.

O navio passou novamente a cerca de 30 km de João Pessoa no dia 8 de setembro, desta vez carregado com petróleo bruto brasileiro.

Bouboulina

O Bouboulina, apontado como principal suspeito pela Polícia Federal, foi carregado com 1 milhão de barris do petróleo cru Merey 16 no Porto de José, na Venezuela, no dia 15 de julho, e zarpou no dia 18 com destino à Malásia. Ele passou pela costa da Paraíba em 28 de julho e foi para a Cidade do Cabo, na África do Sul, onde chegou no dia 9 de agosto, antes de seguir para a Malásia.

A mancha de petróleo cru apareceu no Nordeste brasileiro em 30 de agosto.

Entre os dias 3 e 13 de setembro, seu sistema de localização ficou sem sinal e sua carga foi descarregada.

Notificação da Marinha

De acordo com a nota da Delta Tankers, as cinco embarcações gregas estão sendo investigadas pelo governo brasileiro. A notificação, ainda segundo a empresa, foi feita por meio de um aviso da Marinha do Brasil ao Ministério de Assuntos Marítimos da Grécia. A documentação do Bouboulina foi exigida pelo órgão.

A Marinha brasileira não revela, oficialmente, quais são as embarcações que foram notificadas na investigação. No sábado (2), a corporação disse que o navio grego Bouboulina é o principal suspeito dentre 30 embarcações notificadas. A Marinha não confirma se essas cinco embarcações gregas fazem parte do grupo de 30 notificações nem quais seriam os outros 25 navios de outras nacionalidades convidados a prestar esclarecimentos.

O texto divulgado pela Delta apresenta um trecho da notificação feita pela Marinha:

“Como representante da autoridade marítima, solicito à autoridade marítima de seu país a notificação dos navios listados abaixo como suspeitos de derramamento do óleo que surgiu na costa nordeste do Brasil, já que eles navegaram perto da área afetada durante o período em que acredita-se que ocorreu o vazamento”.

Em resposta às suspeitas das autoridades brasileiras, a Delta Tankers diz ter provas de que não está envolvida no vazamento. Em nota, ela disse que fez uma “pesquisa completa do material por meio de imagens de câmeras, dados e registros e afirmou que não há provas de que a embarcação tenha parado. A empresa relata que irá entregar documentos de forma voluntária e que o navio Bouboulina partiu da Venezuela em 19 de julho, sem pausas, para a Malásia”.

 Investigação da Polícia Federal

Na sexta-feira a Polícia Federal do Rio Grande do Norte anunciou que o navio Bouboulina é o principal suspeito pelo derramamento de óleo nas praias no Nordeste. O inquérito policial se baseou em um relatório feito pela empresa privada HEX Tecnologias Espaciais que, por meio de imagens de satélite, localizou o que afirma ser a provável origem das manchas de óleo e indicou o Bouboulina como única embarcação que “passou pelo polígono no período especificado”.

No entanto, na segunda-feira (4), um parecer de técnicos do Ibama disse que imagens de satélite não são capazes de localizar manchas de óleo no oceano. O documento é assinado por dois analistas ambientais e foi divulgado três dias depois de a PF usar a análise da empresa HEX para afirmar que um navio grego é o principal suspeito do desastre que já afetou mais de 300 praias do Nordeste.

O documento ao qual o G1 teve acesso tem como objetivo detalhar o porquê de uma mancha vista por pesquisadores da UFRJ e da UFAL não ter relação com o desastre. A base do trabalho dos pesquisadores das duas universidades é semelhante ao da empresa HEX Tecnologias Espaciais, que sustenta o inquérito da Polícia Federal. Todos usam, entre outras imagens, fotografias do satélite Sentinel, de propriedade da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).

Fonte: G1

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