Empresa atuou como ‘laranja’ e ‘atravessadora’ ao negociar Covaxin, diz Renan

Edilson Rodrigues/Agência Senado

A cúpula da CPI da Covid decidiu fechar o cerco sobre a compra da vacina Covaxin por avaliar que há indícios de irregularidades no fechamento do contrato com o laboratório indiano Bharat Biotech – intermediado pela empresa brasileira de medicamentos Precisa.

Na avaliação do relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o dono da Precisa, Francisco Maximiano, atuou como um “laranja e atravessador” nas negociações com a Bharat Biotech para a compra das doses.

“Documentos que chegaram à comissão mostram isso, que ele atuou como um atravessador, um laranja, nas negociações. O contrato é fechado com a Precisa, mas o pagamento, segundo o Maximiano disse ao laboratório da Índia, seria feito diretamente pelo Ministério da Saúde para eles”, afirmou Calheiros.
A cúpula da CPI da Covid já listou uma série de suspeitas e padrões atípicos na compra da Covaxin. A lista inclui comportamentos que foram adotados nessa negociação, mas criticados na avaliação de outras vacinas.

Entre essas suspeitas, está o preço alto, de US$ 15, na negociação da Covaxin – o primeiro contrato com a Pfizer foi de US$ 10 por dose. Bolsonaro chegou a dizer que não compraria vacinas com preços elevados.

Além disso, o contrato com a Covaxin foi assinado antes de a Anvisa autorizar a importação da vacina – o que também era criticado pelo Palácio do Planalto em relação a outros imunizantes.

Outro padrão atípico foi o fato de, no caso das negociações com o Bharat Biotech, uma empresa privada como a Precisa Medicamentos ter atuado como intermediadora e, com isso, lucrado com a operação. Esse tipo de intermediação não ocorreu nos demais contratos.

O cronograma da CPI previa que Francisco Maximiano prestasse depoimento nesta quinta-feira (23). O compromisso foi adiado porque o empresário voltou da Índia no último dia 15 e ainda cumpre quarentena sanitária.

Esse adiamento, na avaliação de senadores da CPI, pode acabar se mostrando “providencial”. Isso porque, na sexta (24), a comissão deve ouvir como convidado o chefe de importação do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda.

Miranda revelou em depoimento ao Ministério Público que foi alvo de pressões para facilitar a compra da Covaxin. Os senadores esperam obter mais detalhes sobre essas pressões para embasar, agora, novos questionamentos a Maximiano.

Fonte: Blog do Valdo Cruz

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