Advogado que teve fuzil furtado em hotel diz que quarto foi invadido por trio

Fuzil calibre 5.56x45mm furtado no DF — Foto: PMDF/Divulgação

Um fuzil com alto poder de destruição, e mais 30 cartuchos de munição, foi furtado de dentro de um hotel na Asa Norte, em Brasília, na tarde de segunda-feira (13). De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), o dono da arma é um advogado de 40 anos, que não teve o nome revelado.

O fuzil foi encontrado, ainda na segunda, em uma casa no Lago Sul, e apreendido. O advogado, que tem registro como Colecionador, Atirador desportivo e Caçador (CAC), afirma que a arma foi levada depois que três pessoas desconhecidas invadiram o quarto em que ele estava hospedado.

O caso está sendo investigado pela 5ªDelegacia de Polícia, na Asa Norte. O suspeito de furtar o material foi até a delegacia e, segundo a corporação, por ter se apresentado espontaneamente, acabou liberado.

Versão do advogado

Segundo o boletim de ocorrência, o dono do fuzil, calibre 5.56x45mm, se hospedou em uma suíte do hotel na última sexta-feira (10). O local recebe clientes, mas também possui flats, onde há moradores que são donos dos quartos.

Primeiro, o advogado se hospedou em uma suíte do hotel, mas depois, se mudou para um dos flats. Aos policiais, ele disse que fez uma viagem à cidade de Buritis (MG), e na volta, nesta segunda, foi abordado por um funcionário do estabelecimento e informado de que deveria identificar uma mulher que estava no quarto.

Ele afirmou que não tinha autorizado ninguém a entrar no quarto. Em seguida, foi até o apartamento, e lá, encontrou um homem e duas mulheres desconhecidas.

O advogado alegou que, neste momento, percebeu que seus objetos não estavam do jeito que havia deixado, e notou a falta do fuzil. Ele disse que perguntou sobre a arma, mas que não teve resposta, e por isso, acionou a PM.

De acordo com o boletim de ocorrência, o homem que estava no quarto disse que tinha levado a arma para casa e convidou o advogado a buscá-la, mas ele se recusou. Ainda segundo o relato à polícia, uma das mulheres se exaltou e passou a empurrar o dono do fuzil, dizendo que estava sendo agredida. Aos policiais, o advogado negou agressão.

Em meio à confusão, o trio que estava no quarto deixou o local. O advogado solicitou ao proprietário do apartamento as imagens do circuito interno de segurança, por onde identificaram o homem que havia levado o fuzil.

A Polícia Militar foi até a casa dele, no Lago Sul. O homem não estava no local, mas moradores da residência permitiram a entrada dos policiais, que encontraram a arma. Só em seguida, o suspeito se apresentou à delegacia. O fuzil também ficou apreendido na 5ªDP:

Registro e autorização para posse de arma

 

O registro de Caçador, Atirador e Colecionador (CAC) que o advogado possui é expedido pelo Exército. Flexibilizações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde o início da gestão ampliaram o número e o calibre das armas que um CAC pode registrar em seu nome.

A arma pode custar até R$ 15 mil. Se for um modelo importado, o valor chega a R$ 40 mil. Segundo o presidente da associação internacional Control Arms, Ivan Marques, a partir de 2019 o fuzil que foi furtado no hotel passou a ser produzido comercialmente no Brasil, teve uma redução no preço e se tornou mais acessível.

“Isso aumenta o risco para o policial, que vai lidar com uma criminalidade mais armada. A arma do mercado legal sempre migra para o mercado ilegal. Sempre chega à mão da criminalidade, dada a maior disponibilidade no cenário nacional. Quem perde com isso é a segurança pública e a paz de todos nós”, afirma o especialista.

Fonte: G1

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