Exposições Me Olhe nos Olhos e Ruptura – O Chão da Nossa Casa entram em cartaz nesta quinta (27)

Abertura ocorre no Complexo Cultural do Teatro Deodoro a partir das 19h com entrada gratuita

Dando continuidade ao calendário de exposições selecionadas no edital de artes visuais, a Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal) convida o público para duas exposições que entram em cartaz simultaneamente: Ruptura – O Chão da Nossa Casa, no piso principal, e Me Olhe nos Olhos, no mezanino, do Complexo Cultural Teatro Deodoro, Centro de Maceió, nesta quinta-feira (27), às 19h, com entrada gratuita.

Ruptura – O Chão da Nossa Casa traz, sob os olhares de seus fotógrafos, as marcas da tragédia do afundamento do solo nos bairros de Maceió, por consequência da mineração de sal-gema. Me Olhe nos Olhos reflete sobre os corpos pretos para debater acerca do racismo por meio de suas pinturas.

“É com muita satisfação que abrimos mais duas exposições selecionadas no nosso edital de artes visuais. São trabalhos com técnicas e temáticas distintas, que têm em comum o talento e o olhar aguçado de seus artistas. Convidamos a todos para que visitem o Complexo Cultural Teatro Deodoro e prestigiem as exposições”, pontuou a diretora-presidente da Diteal, Sheila Maluf.

Rupturas – O Chão da Nossa Casa

O projeto nasce da inquietação de um grupo de fotógrafos e fotógrafas com a situação dos bairros afetados pelo afundamento do solo em consequência da exploração de sal-gema, desde a década de 1970, em Maceió e, especialmente, pelo drama que vivem os moradores atingidos por essa tragédia socioambiental.

Um dos objetivos do projeto é para além de documentar a situação de diversos moradores dos bairros Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e parte do Farol, o vazio deixado pela migração dos moradores para outras partes da capital e a destruição causada pelo afundamento, por meio da fotografia e de outras peças, levando essa realidade para a galeria de artes do Complexo Cultural do Teatro Deodoro e provocando os visitantes a pensar sobre o problema.

São 40 fotos, algumas formando conjuntos, coloridas e em preto e branco, que oferecem aos seus espectadores uma leitura ampla dessa problemática avaliada como uma das maiores tragédias socioambientais urbanas do planeta. Além das imagens, a mostra também traz instalações montadas com peças das moradias destruídas pelas rachaduras, o que completa o conceito apresentado pelo coletivo Rupturas.

“Essa exposição toma como ponto de partida para a reflexão que objetiva provocar em torno da tragédia que afeta os moradores dos bairros atingidos pelo afundamento do solo em Maceió. Mas, pretende estabelecer uma discussão mais ampla, porque entende como “O chão da nossa casa” não apenas as moradias ruídas pelas rachaduras, os bairros afundados ou a cidade que abriga esse desastre, mas o planeta que dá sinais de saturação socioambiental, notadamente nos eventos climáticos da atualidade, com causas não naturais”, explica Jorge Vieira, curador da exposição.

Ainda segundo Vieira, é nesse contexto que O Chão da Nossa Casa constrói sua narrativa visual, que julga oportuna. Da imagem ampliada da região comprometida pela mineração, mergulha nas memórias humanas deixadas para trás, passando pelos dolorosos escombros das vidas rachadas pelo que é considerado o maior desastre socioambiental urbano da história do Brasil.

Me Olhe nos Olhos

Fazendo uma verdadeira simbiose de materiais, cores, texturas, com um debate sempre necessário sobre o racismo, o artista baiano, Igor Rodrigues vem para provocar reflexão entre as pessoas que visitarem a sua exposição.

As obras partem de experiências pessoais do artista, formado em psicologia, mas que se encontrou de verdade na arte. Nesta mostra, Igor surge com novas técnicas, como carvão e acrílica, e utiliza materiais, como espelhos e cimento, deixando a arte digital de lado e experimentando as inúmeras possibilidades que a arte proporciona. O resultado é composto por obras bem expressivas, carregadas de beleza, reflexões e representatividade.

A psicologia enquanto conhecimento acadêmico, somada às sessões de terapia, levou o artista a ter na pintura um processo de autoconhecimento, como diz uma frase do psiquiatra e filósofo Frantz Fanon: “Para obter a certeza de si mesmo, é preciso a integração do conceito de reconhecimento”.

“Diante de discussões cada vez mais urgentes, Igor Rodrigues nos apresenta, apoiado em suas próprias dores, os caminhos pelos quais a obra de arte surge enquanto forma de visibilidade do povo negro, atuando como ferramenta para a construção de uma sociedade mais igualitária, destaca o jornalista e curador, Deri Andrade.

Essa é a primeira vez em que o artista irá expor suas obras fora de seu estado. São 12 obras que dialogam sobre racismo, subjetividade, arte e saúde mental, ainda mais no momento atual, já que estamos na campanha Janeiro Branco, que trata sobre a saúde mental. Todo trabalho é feito sobre a ótica afrocentrada, visando a valorização da população negra e os colocando no protagonismo dessa narrativa.

Todas as obras fazem questionamentos diretos sobre o racismo, de um ponto de vista pessoal, porém muito palpável para o público, fazendo perguntas incisivas, frases que se escutam no cotidiano, que o próprio artista ouviu ao longo da vida e no seu processo de autoconhecimento identitário.

“Esse trabalho começou como um sentimento, que se transformou em um pensamento, que foi crescendo, através de palavras, até se transformar em um grito. Então, eu espero ser ouvido pelas pessoas. Mesmo sendo um trabalho autobiográfico e bastante pessoal, estou propondo reflexões sobre temas que considero importantes para mim e para a sociedade, como racismo, branquitude, saúde mental e a subjetividade de uma pessoa negra. Assim, espero que as pessoas consigam se conectar com esse debate através do meu trabalho. Eu quero contribuir para que pessoas negras possam ter visibilidade dentro de uma sociedade que insiste em tentar nos apagar”, enfatiza o artista, Igor Rodrigues.

“Com Me Olhe nos Olhos e Rupturas, colocamos em cartaz mais dois projetos com conceitos, beleza e impacto bem distintos, mas que tocam a alma e trazem questionamentos que fundamentam o papel da arte, enquanto ferramenta inquestionável de discussão da sociedade”, finaliza Alexandre Holanda, gerente artístico e cultural da Diteal.

 

Fonte: Ascom Diteal

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