Mulher morre após tumulto em frigorífico que vendia ‘picanha mito’

Yeda Batista, de 46 anos, morreu após ter hemorragia na perna ao ser prensada em tumulto na venda da ‘picanha mito’ em Goiânia, em Goiás — Foto: Montagem/g1

O marido da mulher que morreu após tumulto na venda da “picanha mito”, contou que a perna de Yeda Batista da Silva, de 46 anos, foi prensada na porta do Frigorífico Goiás quando ela tentava entrar no comércio, no domingo (2), em Goiânia. Um vídeo mostra a confusão.

“Ela gritava de dor. A perna dela inchou muito. No hospital, descobrimos que uma veia estourou e provocou hemorragia. Nem deu tempo de fazer cirurgia para salvá-la”, desabafou o marido, Wanderley de Paula Dias.

Uma funcionária do Frigorífico Goiás disse por telefone, na terça-feira (4), que a empresa não vai se manifestar sobre o caso.

Capitão aposentado do Corpo de Bombeiros, Wanderley de Paula, de 51 anos, explicou que ele e a mulher se programaram para chegar cedo ao frigorífico justamente para evitar tumulto e comprar carnes para um churrasco que fariam em comemoração ao aniversário de 71 anos da mãe da esposa.

Tumulto e busca por atendimento

A vítima, que era empresária, tinha uma doença autoimune que afetava os rins e a circulação de sangue no corpo. Segundo o capitão, a mulher acabou sendo prensada contra uma porta, se sentiu mal e decidiu esperar por ele no carro.

Quando o homem voltou, percebeu que a perna da esposa estava muito inchada e ela reclamava muito de dor. O casal, então, voltou para casa.

O marido contou ainda que saiu para votar, mas Yeda ligou dizendo que seguia com muitas dores. Ele voltou e a levou a um hospital para receber os primeiros atendimentos.

Os médicos, então, a transferiram para uma unidade especializada em angiologia, pois o problema era vascular. Porém, a mulher não resistiu e morreu devido a uma hemorragia.

“Não imaginávamos que o machucado ia causar a morte dela. É uma perda grande, sem tamanho. A gente vivia em função dela, que organizava tudo para a família”, comentou o oficial.

 

Familiares registraram boletim de ocorrência relatando a morte para a Polícia Civil. O caso foi registrado inicialmente como morte acidental.

Wanderley de Paula e a esposa Yeda Batista, que morreu após tumulto na venda da 'picanha mito' em Goiânia, em Goiás — Foto: Reprodução/Redes SociaisWanderley de Paula e a esposa Yeda Batista, que morreu após tumulto na venda da ‘picanha mito’ em Goiânia, em Goiás — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Suspeita de propaganda irregular

No mesmo dia, o juiz eleitoral Wilton Muller Salomão determinou a suspensão da promoção e da divulgação da venda. “A venda de carne nobre em preço manifestamente inferior ao praticado no mercado, no valor de R$ 22, revela indícios suficientes para caracterizar, em sede de um juízo não exauriente, conduta possivelmente abusiva do poder econômico em detrimento da legitimidade e isonomia do processo eleitoral”, escreveu o magistrado.

Em entrevista ao g1, um especialista em justiça eleitoral informou que o desconto de mais de R$ 100 no kg de picanha pode ser configurado como um “incentivo” ao eleitor votar em Bolsonaro.

“Pode ser um elemento para incentivar o voto. Claro que deve ser analisado, mas pode ser configurado crime de corrupção eleitoral”, disse.

 

Confusão em frigorífico após anúncio de promoção de 'picanha mito', em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV AnhangueraConfusão em frigorífico após anúncio de promoção de ‘picanha mito’, em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Propaganda em helicóptero

No último dia 27 de setembro, o Ministério Público Eleitoral pediu a condenação e o pagamento de multa de R$ 20 mil contra o cantor Gusttavo Lima e o frigorífico por propaganda eleitoral irregular em um helicóptero.

Em maio deste ano, o MP Eleitoral foi noticiado de que havia, no heliponto da loja Frigorífico Goiás, no Bairro Setor Sul, em Goiânia, um helicóptero totalmente adesivado nas cores verde e amarelo, com a mensagem “Bolsonaro Presidente”.

Em nota, o advogado Cláudio Bessas, da Balada Eventos, informou que o helicóptero em questão não pertence ao cantor Gusttavo Lima, mas ao proprietário do Frigorífico Goiás. O sertanejo teve contrato de uso de imagem com a empresa, que já foi encerrado. “Portanto, não há qualquer responsabilização do cantor diante de tal fato”, diz o comunicado.

Veja outras notícias da região no g1 Goiás.

Helicóptero usado em suposta campanha eleitoral irregular em Goiânia, em Goiás — Foto: Reprodução/InstagramHelicóptero usado em suposta campanha eleitoral irregular em Goiânia, em Goiás — Foto: Reprodução/Instagram
Fonte: G1

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