Os delegados da Polícia Civil de Alagoas, Igor Diego e João Marcello repassaram, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, 08, detalhes das investigações sobre a morte da recém-nascida Ana Beatriz Silva de Oliveira, de apenas 15 dias, encontrada morta no quintal da casa da família no último dia 15 de abril.
O delegado João Marcello explicou que o inquérito policial foi concluído e será remetido à Justiça. Ele ressaltou ainda que os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) apontam que o estado de decomposição do corpo era incompatível com o tempo em que teria permanecido no local.

“O corpo estava em uma fase inicial de decomposição, o que não condiz com quatro dias dentro de sacolas. Naturalmente, a decomposição de um recém-nascido ocorre de forma mais acelerada por conta da maior quantidade de água no corpo”, informou o delegado.
Diante das informações dos laudos, a polícia trabalha com a hipótese de que o corpo tenha sido removido do local do crime, submetido a algum método artificial de conservação – como refrigeração – e depois recolocado no armário onde foi encontrado. As diligências continuam para esclarecer se mais alguém esteve envolvido na ação.
A mãe da bebê foi indiciada por homicídio qualificado, comunicação falsa de crime e ocultação de cadáver. A Polícia Civil segue investigando o caso com prioridade, dada a gravidade dos fatos. Em nota, a PC disse que ainda aguarda a conclusão do laudo pericial que comprove a ocorrência de perturbação psíquica decorrente do estado puerperal, o que poderia levar à mudança na tipificação do crime para infanticídio.
Entenda o caso
Em Abril deste ano, a bebê havia sido dada como desaparecida após um suposto sequestro até ser localizada cinco dias depois sem vida dentro de duas sacolas plásticas, escondida em um armário na área de serviço da residência da família, que fica às margens da BR-101, em Novo Lino.
O caso veio à tona no dia 11 de abril quando Eduarda Silva esteve na sede do Cisp em Novo Lino para denunciar que sua filha, Ana Beatriz, de apenas 15 dias de nascida, tinha sido sequestrada por quatro suspeitos em um ponto da BR-101.
Na ocasião, a mulher relatou que os criminosos estavam em um veículo modelo Corsa Classic, de cor preta, e fugiram em direção ao estado de Pernambuco logo após o crime. Dentro do carro, estariam três homens e uma mulher.
No decorrer das investigações, um homem chegou a ser detido por conduzir o veículo supostamente utilizado no sequestro. O carro, que estava com três placas clonadas, gerou suspeitas imediatas entre os policiais. No entanto, após o homem comprovar o álibi, foi liberado.
O caso mobilizou um forte aparato policial, que passou a realizar buscas, em parceria do Corpo de Bombeiros e Polícias de Pernambuco, pela garota desaparecida. Contudo, com o passar dos dias e novos depoimentos, a mãe da criança passou a entrar em contradição e chegou a apresentar cinco versões para o desaparecimento de sua filha.
Durante o curso das investigações, familiares da criança e o advogado da família, José Wellington de Oliveira, estiveram no Cisp para informar que o corpo da bebê tinha sido localizado. O local onde o corpo estava escondido foi indicado pela própria mãe.
Eduarda passou por audiência de custódia e o juiz Antônio Íris da Costa Júnior decidiu por homologar o flagrante e decretar a prisão preventiva baseado na ordem pública e conveniência da instrução criminal. Ela foi encaminhada ao presídio Santa Luzia onde permanece em uma cela separada, para sua segurança.
A Polícia Civil concluiu o inquérito nesta quinta-feira (8), indiciando a mãe por três crimes, mesmo sem ter recebido laudo pericial que pode mudar a tipificação de um dos crimes.
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