Foi retomado no início da tarde desta quinta-feira, 14, o julgamento da ré Janadaris Sfredo, acusada de mandar matar o advogado Marcos André de Deus Félix, em crime ocorrido em 2014, na praia do Francês, em Marechal Deodoro. A suspensão temporária se deu por conta de um mal-estar sofrido por um dos jurados do Conselho de Sentença. A sessão ocorre no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, localizado no bairro Barro Duro, em Maceió.
O crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo uma pousada. O advogado foi surpreendido por dois homens armados, chegou a ser hospitalizado, mas morreu duas semanas depois, no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA). Os executores do crime já foram julgados e condenados. Agora, é a vez da acusada de ordenar o crime sentar no banco dos réus.
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Acusação sustenta crime premeditado
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) e a assistência de acusação sustentam que Janadaris agiu por motivo fútil — uma desavença ligada à reintegração de posse do imóvel — e que o crime foi praticado mediante emboscada. Segundo a acusação, a ré teria pago R$ 2 mil aos executores, valor que estaria comprovado por meio de extratos bancários, o que também considerado um agravante.
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Testemunhas
Durante a retomada do julgamento, uma das testemunhas de acusação afirmou que a única razão para os desentendimentos entre Janadaris e a vítima era o processo judicial envolvendo a pousada. Segundo ela, Marcos André representava o proprietário do imóvel, que havia arrendado o local para Janadaris e seu então marido, os quais não estariam cumprindo com o pagamento do aluguel. A disputa resultou em ordem de despejo, favorável a Marcos.
Outro ponto que causou surpresa durante o depoimento foi o relato de que Janadaris teria, supostamente, oferecido R$ 300 mil para assassinar essa mesma testemunha — informação atribuída a um dos acusados do crime, que atuou como motorista na execução.
O julgamento tem sido marcado por momentos de tensão. Durante a sessão, o esposo de Janadaris foi convidado a se retirar do salão do júri após responder em tom elevado ao juiz responsável pelo caso, Geraldo Amorim.
Ao todo, 12 testemunhas devem ser ouvidas. Até o momento, duas já prestaram depoimento, e outras cinco ou seis ainda serão chamadas, segundo informações de bastidores.
O desfecho do julgamento agora depende do corpo de jurados, composto por sete pessoas, que decidirão se a ré é culpada ou inocente das acusações de homicídio qualificado.
A defesa de Janadaris Sfredo e a própria acusada optaram por não se manifestar antes do início do júri.
Entenda o caso
Janadaris Sfredo é acusada de mandar matar o advogado Marcos André de Deus Félix, de 40 anos, em março de 2014 na Praia do Francês, em Marechal Deodoro. Para executar o crime, ela teria contratado Juarez Tenório da Silva Júnior, Álvaro Douglas dos Santos e Elivaldo Francisco da Silva.
Inicialmente, o marido da acusada, Sérgio Sfredo, chegou a ser indiciado por envolvimento no crime. Contudo, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que ele fosse solto por ausência de provas.
O crime teria sido motivado por desentendimentos e disputas judiciais entre a acusada e a vítima. A desavença entre as partes teve início em 2010, após uma ação de despejo da Pousada Lua Cheia. Na oportunidade, Marcos André era advogado dos proprietários do estabelecimento e Janadaris representava os inquilinos no local, que perderam a causa.
Posteriormente, Janadaris passou a administrar a Pousada Ecos do Mar e foi morar vizinho à vítima. É relatado que o advogado tornou-se alvo de provocações e perseguições, que afetaram o seu cotidiano. A desavença teria resultado no crime.
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