Caso Janadaris: Após suspensão, julgamento de advogada acusada de homicídio é retomado

Apontada como mandante do assassinato do também advogado, o alagoano Marcos André de Deus Félix, em 2014, na praia do Francês, ela está sendo julgada hoje, no Fòrum do Barro Duro, em Maceió

Marcos André de Deus Félix, 40 anos

Marcos André de Deus Félix, 40 anos

Foi retomado no início da tarde desta quinta-feira, 14, o julgamento da ré Janadaris Sfredo, acusada de mandar matar o advogado Marcos André de Deus Félix, em crime ocorrido em 2014, na praia do Francês, em Marechal Deodoro. A suspensão temporária se deu por conta de um mal-estar sofrido por um dos jurados do Conselho de Sentença. A sessão ocorre no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, localizado no bairro Barro Duro, em Maceió.

O crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo uma pousada. O advogado foi surpreendido por dois homens armados, chegou a ser hospitalizado, mas morreu duas semanas depois, no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA). Os executores do crime já foram julgados e condenados. Agora, é a vez da acusada de ordenar o crime sentar no banco dos réus.

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Acusação sustenta crime premeditado

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) e a assistência de acusação sustentam que Janadaris agiu por motivo fútil — uma desavença ligada à reintegração de posse do imóvel — e que o crime foi praticado mediante emboscada. Segundo a acusação, a ré teria pago R$ 2 mil aos executores, valor que estaria comprovado por meio de extratos bancários, o que também considerado um agravante.

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Testemunhas

Durante a retomada do julgamento, uma das testemunhas de acusação afirmou que a única razão para os desentendimentos entre Janadaris e a vítima era o processo judicial envolvendo a pousada. Segundo ela, Marcos André representava o proprietário do imóvel, que havia arrendado o local para Janadaris e seu então marido, os quais não estariam cumprindo com o pagamento do aluguel. A disputa resultou em ordem de despejo, favorável a Marcos.

Outro ponto que causou surpresa durante o depoimento foi o relato de que Janadaris teria, supostamente, oferecido R$ 300 mil para assassinar essa mesma testemunha — informação atribuída a um dos acusados do crime, que atuou como motorista na execução.

Outra testemunha ouvida no julgamento foi Manuela Félix de Deus, irmã da vítima. Em seu depoimento, ela afirmou ter tomado conhecimento de que Janadaris Sfredo respondeu a um processo administrativo no Rio Grande do Sul, quando atuava como agente penitenciária — motivo pelo qual teria deixado o estado “corrida” e se mudado para Alagoas.

Manuela também relatou que o marido da ré, o senhor Sfredo, à época major da Brigada Militar gaúcha, enfrentava processo semelhante na corporação. A testemunha ressaltou ainda que seu irmão, Marcos André, não era uma pessoa violenta.

Uma nova testemunha de acusação, identificada como Antônio Carlos, prestou um depoimento considerado impactante para o caso. Ele relatou que, ao visitar a vítima no Hospital Geral do Estado (HGE), ouviu do próprio advogado Marcos André que o atentado contra ele teria sido encomendado por Janadaris, ré no processo.

“Comecei a falar com ele coisas triviais, dizendo que ele ia ficar bom, que tivesse fé e que os amigos estavam torcendo por ele. Aí, para não forçar muito a vítima a falar, deram uma prancheta ao Marcos e ele escreveu que Janadaris era a responsável e falou sobre os 50 mil”, disse a testemunha. Ele ainda afirmou ter se desfeito do papel com a anotação, acreditando que a vítima sobreviveria: “Fui inocente”.

Antônio Carlos contou também que sua esposa, médica intensivista, era próxima da vítima e que o casal conhecia detalhes da vida pessoal de Marcos André, inclusive a existência de um filho com uma jovem diagnosticada com ELA (esclerose lateral amiotrófica). Ele descreveu a vítima como “sempre responsável”, sem vícios além do surf, e destacou que nunca o viu portando armas — ponto levantado pela defesa durante o interrogatório.

Ainda segundo ele, a vítima lhe mostrou anteriormente que Janadaris devia R$ 50 mil a título de honorários pela execução de uma sentença de despejo relacionada a uma pousada.

O depoimento de uma testemunha de defesa foi desqualificado e outra mulher, que está na Itália, passou a ser apenas declarante.   Em seguida haverá suspensão para jantarem e iniciarem os debates. Segundo o juiz Geraldo Amorim entrará pelo madrugada. Até o momento ele não cogitou a possibilidade de suspender o júri e retomar amanhã.

A previsão é que o júri seja concluído apenas durante a madrugada de sexta-feira (15), visto que no início da noite a primeira etapa do júri ainda não havia sido concluída, faltando duas testemunhas serem ouvidas. Logo depois se iniciará a fase de debates, réplicas e tréplicas. Somente depois disso, o jurados deliberarão e o magistrado poderá fazer a dosemetria de um possível pena, em caso de condenação.

Até o momento o juiz não cogitou a possibilidade de suspender o júri e retomar amanhã.

Clima tenso no tribunal

O julgamento tem sido marcado por momentos de tensão. Durante a sessão, o esposo de Janadaris foi convidado a se retirar do salão do júri após responder em tom elevado ao juiz responsável pelo caso, Geraldo Amorim.

Ao todo, 12 testemunhas devem ser ouvidas. Até o momento, duas já prestaram depoimento, e outras cinco ou seis ainda serão chamadas, segundo informações de bastidores.

O desfecho do julgamento agora depende do corpo de jurados, composto por sete pessoas, que decidirão se a ré é culpada ou inocente das acusações de homicídio qualificado.

A defesa de Janadaris Sfredo e a própria acusada optaram por não se manifestar antes do início do júri.

Entenda o caso

Janadaris Sfredo é acusada de mandar matar o advogado Marcos André de Deus Félix, de 40 anos, em março de 2014 na Praia do Francês, em Marechal Deodoro. Para executar o crime, ela teria contratado Juarez Tenório da Silva Júnior, Álvaro Douglas dos Santos e Elivaldo Francisco da Silva.

Inicialmente, o marido da acusada, Sérgio Sfredo, chegou a ser indiciado por envolvimento no crime. Contudo, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que ele fosse solto por ausência de provas.

O crime teria sido motivado por desentendimentos e disputas judiciais entre a acusada e a vítima. A desavença entre as partes teve início em 2010, após uma ação de despejo da Pousada Lua Cheia. Na oportunidade, Marcos André era advogado dos proprietários do estabelecimento e Janadaris representava os inquilinos no local, que perderam a causa.

Posteriormente, Janadaris passou a administrar a Pousada Ecos do Mar e foi morar vizinho à vítima. É relatado que o advogado tornou-se alvo de provocações e perseguições, que afetaram o seu cotidiano. A desavença teria resultado no crime.

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