“Serial killer de Alagoas” recebe nova condenação e pena total soma 150 anos

Ele foi condenado a quase 25 anos de prisão por feminicídio de Beatriz Henrique, de 25 anos, e lesão ao filho dela, de apenas 4 anos, enquanto eles dormiam

Assassino em série, Albino passa por novo julgamento. Foto: MPE/AL

Mais um júri popular do réu Albino dos Santos Lima, conhecido como “serial killer de Alagoas” foi concluído nesta quinta-feira, 13, no Fórum de Maceió, com nova condenação por feminicídio qualificado e lesão corporal contra o filho da vítima, Beatriz Henrique da Silva, de 25 anos. O crime ocorreu em dezembro de 2023, na Rua Cabo Reis, bairro Ponta Grossa, em Maceió.

Com a sentença de 24 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão em regime fechado, Albino chega a um total de 150 anos de prisão, somando as penas dos outros processos pelos quais já foi condenado, e segue no sistema prisional em regime fechado. Ele ainda enfrentará um novo júri, previsto para janeiro de 2026, também por homicídio.

O júri

O julgamento teve início por volta das 9h da manhã. O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) dispensou a oitiva das testemunhas, e o júri começou diretamente com o interrogatório do réu.

Em seu depoimento, Albino admitiu ter atirado contra as vítimas, mas alegou estar em um estado de “insanidade”, dizendo ter agido sob influência do Arcanjo Miguel.

“Essa mulher era traficante de drogas. (…) Eu estava dormindo e o Arcanjo Miguel me acordou. A laje desapareceu, eu vi um fogo vindo de cima pra baixo. Ele me disse que essa mulher era um ‘câncer maligno’. A execução não era eu. Na minha família tem traços de loucura”, afirmou o réu ao juiz.

Durante sua fala aos jurados, o promotor de Justiça Antônio Vilas Boas reforçou que Albino é um réu confesso e que vinha confessando crimes semelhantes em outros julgamentos.

“Temos aqui um réu confesso. Esse é o quinto júri nessa vara, e teremos mais um em janeiro. Ele já acumula 126 anos de cadeia. É um filme de terror que parece não ter fim”, afirmou.

O promotor apresentou imagens de câmeras de segurança e prints de fotos encontradas no celular de Albino, mostrando que ele costumava seguir suas vítimas nas redes sociais e registrar as datas e túmulos após os assassinatos.

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“Ele passava a estudar os hábitos de suas vítimas, seguia pelas redes sociais, guardava fotos e matérias sobre os crimes. Psicopata não tem cura. Ele exerce poder de liderança e não sente culpa”, disse Vilas Boas, ao ler trechos do laudo psiquiátrico que concluiu que o réu é imputável, ou seja, plenamente capaz de entender o caráter criminoso de seus atos.

O promotor também destacou que o crime foi cometido por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

“Beatriz dormia ao lado do filho, de apenas quatro anos, quando esse criminoso invadiu a casa e atirou contra ela. O menino também foi atingido. Ela não teve qualquer chance de se defender”, afirmou.

Defesa pediu absolvição por “loucura”

Em sua fala, o advogado de defesa, Geoberto Luna, afirmou acreditar que Albino sofre de transtornos mentais e deveria ser absolvido.

“Tenho defendido que o Albino é louco, completamente louco. Quero defender a inimputabilidade dele. Não tenho capacidade de contestar o laudo pericial, mas questiono a falta de novas avaliações médicas”, disse o advogado, que também argumentou que o réu “apenas executou o que mandou o Arcanjo Miguel”.

Apesar da tese de insanidade, os jurados rejeitaram o pedido de absolvição e acolheram integralmente a denúncia do MPAL.

Crime cometido de forma cruel

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime foi praticado de maneira torpe e cruel, durante a madrugada. Beatriz dormia ao lado do filho quando Albino invadiu o imóvel e efetuou os disparos. O menino, de apenas 4 anos, também foi baleado, sobrevivendo aos ferimentos.

As investigações da Polícia Civil comprovaram a autoria por meio de confronto balístico, que identificou que os projéteis retirados do corpo da vítima haviam sido disparados pela mesma pistola calibre .380 apreendida com Albino.
Durante a apreensão, foram encontradas também máscaras, luvas e munições em sua posse.

De acordo com o promotor Antônio Vilas Boas, ainda que o réu venha a ter direito a progressão de regime, ele deverá cumprir pelo menos 30 anos em regime fechado.

Histórico de condenações

Albino já acumula diversas condenações por assassinatos cometidos em Maceió.

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