Polícia Civil descarta legítima defesa em assassinato de médico

PC conclui investigação e indicia médica por homicídio qualificado | Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Alagoas descartou, neste primeiro momento, a tese de legítima defesa apresentada pela médica Nádia Tamyres, acusada de matar o ex-marido, o médico Alan Carlos de Lima Cavalcante, a tiros na tarde de domingo (16), em Arapiraca. O caso é investigado pelo delegado Daniel Scaramello, da Unidade de Atendimento ao Local de Crime 1 (UALC 1), da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Logo após o crime, equipes tiveram acesso às imagens de câmeras de segurança fornecidas pela empresa Walk Trade, o que permitiu analisar a dinâmica completa do homicídio.

Segundo a Polícia Civil, as gravações mostram Nádia descendo do próprio veículo, aproximando-se do carro da vítima e iniciando uma breve discussão, seguida pelos disparos.

“Constatamos que não houve legítima defesa. A autora desceu do carro já portando uma arma de fogo e apontando para a vítima. Após uma breve discussão, ela efetuou diversos disparos, impedindo ou dificultando qualquer possibilidade de defesa”, afirmou o delegado Daniel Scaramello.

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A médica teve a prisão formalizada, passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e deverá ser apresentada em audiência de custódia. A Polícia Civil informou ainda que nenhuma arma foi encontrada no veículo da vítima.

Entenda o caso

O assassinato ocorreu no domingo (16), em frente à Unidade Básica de Saúde do Povoado Capim, na zona rural de Arapiraca, agreste alagoano. Alan Carlos, de 41 anos, foi atingido por vários tiros enquanto estava dentro do próprio carro. O Samu confirmou o óbito no local.

Após o crime, Nádia foi presa pela Polícia Militar na cidade de Atalaia, quando retornava para Maceió. Conforme a corporação, ela mesma indicou que a arma utilizada estava no banco do passageiro, sob o jaleco médico. A detida afirmou que deixou Arapiraca por temer represálias.

Durante depoimento, Nádia confessou o crime e afirmou ter atirado por se sentir acuada. Alan Carlos havia sido indiciado em setembro por violência psicológica contra a ex-companheira. A investigação, conduzida pela delegada Maria Fernandes Porto, também confirmou o estupro de vulnerável envolvendo a filha do casal, então com apenas dois anos.

Na época, o Alagoas 24 Horas publicou uma reportagem sobre o caso. Durante as investigações, a menina passou por oitiva especializada e relatou os atos que teriam sido cometidos pelo próprio pai, indicando os locais do corpo onde ele a teria tocado e beijado. A Polícia Civil informou que a criança foi submetida a exame pericial, que não constatou penetração; ainda assim, a gravidade dos depoimentos motivou o indiciamento do suspeito. (RELEMBRE AQUI)

Após tomar conhecimento da denúncia de possível abuso sexual, a promotora Viviane Karla Farias, da 6ª Promotoria de Justiça de Arapiraca, especializada na Defesa da Infância e da Juventude, ingressou preventivamente com pedido de medida protetiva para determinar o afastamento do investigado da criança, mesmo antes da conclusão do inquérito policial.

À época, fontes informaram à reportagem que o médico havia trabalhado em diversos hospitais de Arapiraca, Coruripe e Delmiro Gouveia, e que mantinha comportamento considerado abusivo, incluindo episódios de assédio a colegas de trabalho.

No dia do crime, segundo relato da vítima, ela se sentiu intimidada ao vê-lo parado próximo ao local onde trabalha. Ela possui porte de arma de fogo.

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