O casal sequestrado e torturado na Grota do Rafael, no Jacintinho, morreu após as agressões ocorridas entre a noite de quinta-feira (11) e a manhã desta sexta (12). O homem foi encontrado morto no local e a mulher, socorrida com vida, não resistiu aos ferimentos ao chegar ao Hospital Geral do Estado (HGE). A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que ambos tenham sido executados por engano.
O delegado Daniel Aquino, responsável pela investigação, afirmou em entrevista à TVPajuçara que os criminosos exigiam que o casal admitisse vínculo com uma facção rival, algo que, segundo testemunhas e levantamentos preliminares, não corresponde à realidade das vítimas, identificadas como Anderson Ferreira do Nascimento e Rosana dos Santos.
“Tudo indica que eles não tinham qualquer envolvimento com facções. A morte pode ter sido motivada por uma suspeita completamente infundada”, explicou o delegado.
O delegado afirmou ainda que o casal morava na grota do Cigano, no mesmo bairro, e teria fugido de lá por não participar de nenhuma facção criminosa.
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Dinâmica do crime
Relatos apontam que ao menos cinco a seis criminosos participaram da ação. No primeiro momento, o casal foi levado para uma área de mata, onde sofreu intensa violência. As agressões continuaram em uma casa da região. Anderson estava com pés e mãos amarrados e fios de telefonia enrolados no pescoço, indicando estrangulamento.
Segundo informações anteriores, o casal permaneceu cerca de 24 horas sob controle dos criminosos. A mulher relatou que três homens e duas mulheres teriam abordado ambos, conduzindo-os à mata antes de levá-los à casa onde o homem foi assassinado com golpes de arma branca.
Rosana, sua companheira, foi encontrada agonizando e amarrada, com ferimentos graves, perda de dentes e múltiplos hematomas. Apesar do resgate realizado pelo Samu, ela morreu no HGE.
A PC/AL não descarta a participação de outras pessoas no crime.
Casal deixa duas filhas
A tragédia só foi descoberta porque a filha mais velha do casal, de 8 anos, que estava com a avó, escutou a mãe pedindo ajuda dentro da residência. Ela e a irmã de apenas um mês foram retirados do local por familiares e estão sob cuidados da família.
Anderson trabalhava limpando carros em semáforos no bairro da Serraria, já Rosana estava desempregada. Ambos eram usuários de drogas.
A Polícia Militar, Polícia Científica, Delegacia de Homicídios e Instituto Médico Legal foram acionados para a ocorrência. O Samu confirmou o óbito do homem e transportou Rosana ao HGE, onde ela faleceu.
A Polícia Civil segue investigando e ainda tenta determinar o número exato de envolvidos, que pode ser maior do que o inicialmente informado.
Denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181, com sigilo garantido.
