Morreu na noite desta sexta-feira (12) Maria José da Silva, mãe de Davi Silva, jovem desaparecido desde 2014 após ter sido levado por policiais militares no bairro Benedito Bentes, em Maceió. Segundo familiares, a aposentada morreu em decorrência de complicações cardíacas.
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Conhecida pela luta incansável por justiça, Maria José dedicou mais de 11 anos à busca por respostas sobre o paradeiro do filho. Davi Silva teria sido torturado e morto por policiais militares, conforme denúncias apresentadas ao longo das investigações. Até hoje, o corpo do jovem nunca foi encontrado, o que intensificou a mobilização da família e de entidades de direitos humanos.
A morte da mãe ocorre dois meses após uma decisão do Tribunal de Justiça de Alagoas, que suspendeu o julgamento dos policiais militares acusados no caso, previsto para o dia 13 de outubro. Com a decisão, os réus permanecem em liberdade, e não há nova data definida para a retomada do julgamento.
O velório de Maria José da Silva foi realizado no Memorial Parque Maceió, localizado no bairro Benedito Bentes. O sepultamento ocorreu às 11h deste sábado.
Sobre o caso
Davi Silva, 17 anos, desapareceu no Conjunto Cidade Sorriso I, no Benedito Bentes, na manhã de 25 de agosto de 2014. Ele foi visto pela última vez durante uma abordagem de policiais militares do Batalhão de Radiopatrulha (BPRp). De acordo com o Ministério Público de Alagoas (MPAL), o jovem foi brutalmente torturado dentro da viatura, e seu corpo nunca foi encontrado.
Segundo relato do amigo do adolescente, Raniel Victor, o menor – que tinha dificuldade na fala – foi levado após ser flagrado com bombinhas de maconha. Os policiais, segundo a testemunha, queriam informações sobre o fornecedor da droga e se a boca de fumo pertencia ao traficante ‘neguinho da bicicleta’ , que era procurado pela polícia.
Raniel Victor foi assassinado dois anos depois, em 2016, com sinais de extrema violência. Seu depoimento foi fundamental para sustentar a versão de que Davi foi levado pelos militares após ser flagrado com pequena quantidade de maconha.
Durante a abordagem, Davi teria sido algemado, colocado na mala da viatura e espancado, inclusive com agressões em órgãos genitais.
A família do jovem vive há mais de uma década sem respostas definitivas. Em 2015, um corpo chegou a ser identificado como sendo de Davi, mas exames cadavéricos da Perícia Oficial descartaram a possibilidade.
Os quatro réus — três policiais militares da ativa à época e uma ex-PM — respondem por tortura, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A denúncia, apresentada pela 59ª Promotoria de Justiça da Capital ainda em 2015, sustenta que todos os acusados atuaram de forma conjunta na agressão e desaparecimento de Davi.
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