Após decisão judicial, médica acusada de matar ex-marido retorna ao trabalho em hospital

PC conclui investigação e indicia médica por homicídio qualificado | Foto: Reprodução

A médica Nádia Tamyres Silva Lima, indiciada por homicídio qualificado pela morte do ex-marido, o também médico Alan Carlos de Lima Cavalcante, foi autorizada pela Justiça de Alagoas a retomar as atividades profissionais no Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca.

Por meio de nota oficial, a direção da unidade hospitalar informou que a médica atua como prestadora de serviços na unidade desde 2021 e que está legalmente autorizada a exercer a profissão, conforme decisões judiciais e do Conselho de Medicina. Ainda segundo a nota, o retorno da profissional ocorreu em cumprimento à decisão judicial em vigor.

Nádia Tamyres foi presa logo após o crime em 16 de novembro deste ano. No entanto, um mês depois, o desembargador Ivan Vasconcelos Brito Júnior analisou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa e concedeu liminar suspendendo os efeitos da prisão preventiva.

Na decisão, foram impostas medidas cautelares, incluindo o comparecimento mensal em juízo até o quinto dia útil de cada mês, a proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial, a vedação de conceder entrevistas ou se manifestar publicamente, inclusive por meio de redes sociais, sobre o processo ou sobre as vítimas, além da obrigatoriedade de informar eventual mudança de endereço.

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ENTENDA O CASO

O homicídio ocorreu em frente à Unidade Básica de Saúde do povoado Capim, na zona rural de Arapiraca, no Agreste alagoano. Alan Carlos, de 41 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo enquanto estava dentro do próprio veículo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou o óbito ainda no local.

Após o ocorrido, a médica foi presa pela Polícia Militar no município de Atalaia, quando retornava para Maceió. De acordo com a corporação, a própria Nádia indicou que a arma utilizada no crime estava no banco do passageiro, sob um jaleco médico. À polícia, ela afirmou que deixou Arapiraca por temer represálias.

Durante depoimento, Nádia confessou o crime e declarou que efetuou os disparos por se sentir acuada. Alan Carlos havia sido indiciado em setembro por violência psicológica contra a ex-companheira. A investigação, conduzida pela delegada Maria Fernandes Porto, também apurou denúncia de estupro de vulnerável envolvendo a filha do casal, que à época tinha dois anos de idade.

Conforme divulgado anteriormente, a criança passou por oitiva especializada e relatou atos que teriam sido cometidos pelo próprio pai, indicando partes do corpo onde teria sido tocada. A Polícia Civil informou que o exame pericial não constatou penetração, mas, diante da gravidade dos relatos, o médico foi indiciado. Após tomar conhecimento da denúncia de possível abuso sexual, a promotora Viviane Karla Farias, da 6ª Promotoria de Justiça de Arapiraca, especializada na Defesa da Infância e da Juventude, ingressou preventivamente com pedido de medida protetiva para afastar o investigado da criança, mesmo antes da conclusão do inquérito policial. (RELEMBRE AQUI)

À época, fontes relataram que Alan Carlos havia trabalhado em unidades de saúde de Arapiraca, Coruripe e Delmiro Gouveia, e que mantinha comportamento considerado abusivo, incluindo relatos de assédio a colegas de trabalho. No dia do crime, segundo o relato da médica, ela teria se sentido intimidada ao vê-lo parado próximo ao local onde exercia suas atividades profissionais. Nádia possui porte legal de arma de fogo.

Nota de Esclarecimento

A Direção do Hospital de Emergência do Agreste (HEA) informa que a médica citada atua como prestadora de serviços médicos na unidade desde 2021. A profissional está legalmente autorizada a exercer suas atividades, conforme decisões da Justiça e do Conselho de Medicina.

O Hospital de Emergência do Agreste não possui atribuição para avaliar ou julgar o mérito do caso, competência exclusiva do Poder Judiciário. Assim, o retorno da médica às atividades ocorreu em cumprimento à decisão judicial em vigor.

A Direção do HEA atua de acordo com a legislação, presta informações de forma responsável e assegura a continuidade do atendimento à população, dentro dos critérios legais e profissionais.

 

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