Após confessar no processo, acusada de lançar criança pela janela nega crime durante júri

Promotoria apresenta laudos, vídeos e contradições; julgamento deve ser encerrado ainda hoje

Adriana Ferreira da Silva responde por tentativa de homicídio qualificado

O Tribunal do Júri de Maceió iniciou nesta quarta-feira, 25, a fase de instrução e debates do julgamento de Adriana Ferreira da Silva, acusada de tentar matar o enteado de 6 anos ao arremessá-lo do quarto andar de um prédio no Benedito Bentes, em maio de 2022. O julgamento ocorre no Fórum do Barro Duro e não tem previsão de término.

Logo no início da sessão, por volta das 10h25, a ré pediu ao juiz Geraldo Amorim, que preside a sessão, a leitura da denúncia, alegando que não sabia do que se tratava porque não sabe ler. Em interrogatório, Adriana negou ter arremessado a criança, apesar de ter confessado anteriormente durante a investigação.

Ela afirmou que estava com o menino nos braços, mas sustentou que não o lançou pela janela. Disse que a criança “ficou esperneando e pedindo pra colocá-lo no chão”, esticando-se para trás. Questionada pelo magistrado sobre o motivo de ter pego o menino — que estaria assistindo televisão, segundo a acusação — e o levado até a janela, ela não respondeu objetivamente. Declarou ainda que, após a queda, quis descer para socorrer a vítima, mas foi impedida pelos filhos, e que decidiu se entregar no dia seguinte “porque não devia nada”.

MInistério Público defende que houve intenção

A representante do Ministério Público de Alagoas (MPAL), promotora Adilza Inácio de Freitas, iniciou a acusação confrontando a ré com contradições. Ao ser questionada sobre a disposição dos quartos, Adriana afirmou que o menino dormia em uma beliche. A promotora, porém, apresentou imagens indicando duas camas no quarto e um colchão na sala, próximo à janela de onde a criança foi lançada.

Sobre a motivação, a denúncia aponta que a discussão começou após a ré supostamente se insinuar para o companheiro de uma amiga. O pai da criança teria tomado partido da outra mulher, o que, segundo a acusação, enfureceu Adriana. Em depoimento exibido em vídeo, o pai relatou que ouviu a frase: “vou matar ele agora”, antes de ver um vulto pela janela. “Quando vi foi um como um vulto pela janela e eu pensava que eram roupas”, disse.

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Durante os debates, iniciados por volta das 11h30, a promotora foi enfática: “o réu, ou uma ré, não pode negar aquilo que não pode ser negado. Tudo o que eu falar aqui será com provas”. Ao sustentar a tese de tentativa de homicídio qualificado, afirmou: “Eu não tive intenção de matar? Ora, como se arremessa uma criança do quarto andar sem essa intenção?”.

Ascom MPAL

Promotora de Justiça Adilza Freitas.

A promotora apresentou laudos da Polícia Científica e da médica-legista. Segundo ela, “a ausência de fraturas nos membros superiores da vítima, característica de queda com vítima desacordada, concluem, os peritos signatários que a vítima foi posta sobre a janela e lançada”. A médica afirmou que as lesões — incluindo pneumotórax e traumatismo craniano leve — indicam que a criança estava desacordada no momento da queda. “As características das lesões são de indivíduo desacordado”, declarou.

A acusação também exibiu o depoimento especial da criança e afirmou que estava dormindo quando tudo aconteceu.

Defesa diz que não há provas suficientes

A defesa, por sua vez, sustentou que não há provas suficientes contra a ré e questionou a condução da investigação. “Os senhores ouviram que a ré sempre foi uma boa mãe, uma mulher dessa de uma hora para outra pode virar assassina?”, argumentou o advogado. Ele também alegou falhas no procedimento policial, afirmando que Adriana, analfabeta, teria sido ouvida sem familiar, embora estivesse acompanhada por advogados.

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Em réplica, a promotora rebateu: “Jamais viria aqui pedir uma condenação sem prova comprobatória. Nós temos compromisso com a verdade”. E acrescentou: “Quis mandar a vítima para o cemitério e tem obrigação de cumprir a pena pela conduta”.

O pai da criança, arrolado como testemunha de acusação, não foi localizado para comparecer ao júri.

O julgamento prossegue no Fórum do Barro Duro, em Maceió, e deve ser encerrado ainda no dia de hoje.

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