Quadra chuvosa 2026: Alagoas usará drones e alertas via celular; veja as áreas de risco

Com previsão de chuvas intensas a partir de 15 de abril, Estado mobiliza Defesa Civil, Bombeiros e tecnologia de ponta para evitar tragédias em rios e encostas

Durante o encontro, o coordenador-geral da Defesa Civil, coronel Moisés Melo, destacou que Alagoas vem respondendo com agilidade e evitando tragédias em períodos chuvosos | Pei Fon / Agência Alagoas

A Defesa Civil Estadual reuniu nesta quinta-feira, 9, autoridades de segurança, agentes municipais e a imprensa para detalhar o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil para a quadra chuvosa de 2026.

O evento, realizado no auditório da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), marcou o lançamento de uma estratégia baseada em monitoramento em tempo real e tecnologia para proteger a população entre os meses de abril e agosto.

O objetivo é mitigar os impactos das precipitações que, segundo a meteorologia, serão mais volumosas na primeira metade do período, de forma integrada, com participação intersetorial em conjunto com diversas pastas. A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) realiza a leitura técnica da previsão de chuvas; a Defesa Civil informa com antecedência aos coordenadores municipais sobre os riscos; e pastas como as secretarias de Assistência Social e Planejamento ficam com o suporte às vítimas.

Tecnologia contra desastres: drones e alertas sonoros

Uma das grandes apostas para este ano é o sistema Defesa Civil Alerta (DCA). A ferramenta permite enviar avisos diretamente para o celular de moradores em áreas críticas.

“Além de todo o monitoramento que realizamos em nossos rios, temos a capacidade de, na iminência de um evento extremo ou grande desastre, enviar um alerta diretamente para o celular das pessoas. Esse aviso informa se você está em uma área de risco e indica o tempo necessário para procurar um local seguro, já predeterminado pela Defesa Civil. É imprescindível utilizar tecnologias como essa, que já aplicamos em Alagoas, para salvar vidas”, destacou o coordenador-geral da Defesa Civil, coronel Moisés Melo.

Além disso, o uso de drones ganha força para mapear áreas de risco e identificar processos erosivos, como os que atingem Jequiá da Praia. O Estado já opera três equipamentos próprios e incentiva que municípios adquiram tecnologia similar.

Áreas vulneráveis e previsão meteorológica

A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) aponta que a quadra chuvosa deve começar oficialmente em 15 de abril.

A Zona da Mata, o Litoral, o Baixo São Francisco e o Agreste seguem como as regiões mais sensíveis. Rios como Mundaú, Paraíba, Jacuípe e São Miguel terão monitoramento 24 horas por meio de 29 estações telemétricas.

“Os resultados observados indicam que teremos chuvas mais volumosas na primeira metade do período úmido. Já para o final do quadrimestre, com a entrada de outro fenômeno, há uma tendência de redução das precipitações. Portanto, podemos dividir o período úmido em dois cenários distintos: o primeiro, mais preocupante em relação a eventos extremos de chuva; e o segundo, também preocupante, pois o volume acumulado pode não ser suficiente para o pós-período úmido”, pontua o superintendente de Prevenção em Desastres Naturais da Semarh, Vinicius Pinho.

Principais rios serão monitorados em tempo real

Hoje, Alagoas conta com 29 estações de monitoramento que cobrem todos os principais rios do estado com histórico de inundação. Graças ao dispositivo, é possível saber em tempo real o nível de determinado rio. Com base em levantamentos anteriores, é possível saber com exatidão quantos centímetros ele transborda até atingir a primeira residência.

“Temos praticamente 100% de cobertura nos municípios com informações em tempo real. Instalamos pluviômetros automáticos e estações meteorológicas completas em quase todas as cidades do estado, garantindo um monitoramento integral. Para um sistema de alerta, essa estrutura é fundamental. Além das estações meteorológicas e hidrológicas, mantemos uma parceria com o radar meteorológico da UFAL”, explicou Vinicius Pinho.

O coordenador Moisés Melo reforçou que o sucesso da operação depende da preparação prévia:

“Alagoas tem se destacado pela redução de ocorrências drásticas, como as mortes em decorrência das inundações e soterramentos, justamente por causa dos investimentos do Governo em prevenção. Parte disso é fruto da integração e da organização do Estado. Passamos o ano inteiro nos preparando para este momento. As chuvas acontecem; o que vai transformar a água num grande desastre é o que fazemos antes e durante a ocorrência. Quando a integração funciona, o desastre perde força antes de acontecer”, afirmou o coronel.

Resposta rápida dos Bombeiros

O Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL) também já finalizou seu plano tático. A corporação ampliou a frota de embarcações, motos aquáticas e conta com o suporte do grupamento aéreo.

O comandante-geral, coronel BM Verçosa, ressaltou que a distribuição das unidades foi estratégica: “Temos instalado unidades em áreas historicamente mais suscetíveis e críticas, aproximando nossos instrumentos de prevenção e resposta da população”.

Fotos: Pei Fon / Agência Alagoas

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