“Assustou pelo fato de muita água, né? E estava batendo nas coisas. Aí eu disse: ‘olha, mainha, não tem mais o que fazer. A gente estando aqui, ou sem estar aqui, a água vai bater do mesmo jeito, a gente tem que sair’. Nunca deu água assim dentro de casa, só a enchente de 2022 e essa agora”, disse Dayane.
Dayane não viu outra alternativa para conseguir salvar os filhos. Mesmo com receio das condições precárias do resgate, precisou confiar que seu irmão e outros familiares, além dos vizinhos, conseguiriam levar as crianças para um lugar seguro.
“Começou a subir mais a água, aí foi quando começou a bater nas tomadas, e a gente precisou desligar o contador e ficou sem energia e sem lugar pra sentar, por isso que eu precisei sair com ela [a bebê]. Quando ela estava saindo daquele jeito [na bacia], eu ainda disse ‘não, não leva ela assim não’, porque eu fiquei com medo da tábua virar e ela cair”, contou Dayane.
Desde sexta-feira (1º), quando precisou sair da casa onde morava com os filhos e a mãe, a jovem está abrigada na casa de uma amiga de infância.
Gato e pertences são resgatados de enchente dentro de uma geladeira quebrada em Olinda — Foto: Reprodução/TV Globo
A mãe dela, Márcia Silva dos Santos, conta que as perdas materiais foram muitas. Mesmo desempregada, ela terá que conseguir repor aquilo que ficou destruído pela enchente.
“O berço da criança, o guarda-roupa de Dayane, o armário, o carrinho de bebê da menina. […] Todos nós aqui somos esquecidos. Ajeita aqui e ajeita ali, mas aqui ninguém faz nada para a gente, por isso vivemos nessa situação”, disse Márcia.
Como as enchentes são recorrentes onde mora, a família subiu o nível da casa para evitar que água entrasse na residência. “Tentamos minimizar mais a situação, mas a água continua cada vez mais subindo e subindo”, declarou Márcia.