Um protesto promovido por familiares e amigos de Amanda Rhuanny Lopes da Silva, de 32 anos, paralisa parcialmente a Rua Cleto Campelo, principal via do bairro do Jacintinho, em Maceió, no final da tarde desta quarta-feira, 9. Os manifestantes contestam a versão oficial da Polícia Militar sobre a morte da jovem durante uma abordagem no último sábado (5) e exigem punição para o agente envolvido.
O ato ocorre em resposta à morte de Amanda, atingida por um tiro fatal no peito durante uma ação policial. A corporação alega que o militar reagiu após a jovem e outras mulheres avançarem contra a guarnição na tentativa de tomar sua arma. Contudo, a família da vítima rebate a narrativa e classifica o episódio como crime.
Durante o protesto, Marcos, tio de Amanda, expressou a indignação da família em relação à conduta do agente e à ausência de imagens operacionais:
“Estão dizendo que foi um acidente, mas não foi acidente, foi um crime. Porque, na verdade, o que eu vejo no Estado de Alagoas aqui, não existe nem cidadão nem cidadã para querer tomar a arma de um policial. Entendeu? Na verdade, ele… ele agiu de má-fé, ele é um policial mal treinado. […] Porque, na verdade, eu acho que quando você tem uma farda da Polícia Militar, você tem que honrar a sua farda. Porque, na verdade, para mim ele não é um policial. Ele é um justiceiro, ele é uma pessoa que não tem a capacidade de usar aquela farda para ser um cidadão, para ser um policial. Porque para mim, no meu ponto de vista, não foi um acidente.”, disse ele em entrevista à TVPajuçara.

O homem segue ainda contestando a versão oficial da Polícia Militar:
“[…] Ele alegou que a minha sobrinha foi tomar a arma dele. Agora eu faço uma pergunta: Cadê a câmera peitoral? A câmera peitoral vai dizer que não tem… cadê a porcaria da câmera que ele desligou? Eu queria essa prova. Quer dizer que pegou 30 pinos de droga para lá e não apresentou isso? Pois tudo indica quando ele atirou na minha sobrinha, o parceiro de farda dele correu e disse: ‘Ó você… você atirou na mulher.’ Ele parece que não tinha atirado em nada. Para mim, eu acho que aquele cara não estava nem lúcido”, continua.
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Declarações do advogado acentuam a polêmica
A tensão entre os parentes da vítima aumentou após publicações feitas nas redes sociais na terça-feira (8) pelo advogado do policial, Napoleão Lima Júnior. O defensor questionou o histórico da vítima e defendeu o uso de força letal pelas forças de segurança:
“Gente, tá todo mundo aí com a historinha agora aí falando que essa mulher da grota… eh… não, porque era boa pessoa, porque não… ninguém quer questionar se é má pessoa, se é boa pessoa, se o marido tava preso, se não tava, se responde por homicídio, se era traficante local. O que… O fato é que ela não poderia ter ido para cima do policial. O fato é que ela deveria ter respeitado o comando da polícia. E outra coisa, acaba com esse negócio de dizer que o policial tem que usar armamento não letal. É a vida dele que tá lá! É a vida do policial, só tem uma! Ele tem que voltar para casa com vida. Ele não tá na rua para ser alvo de bandido, não. Policial tem que reagir e agir à altura. E o policial tá num dilema muito grande: se ele não reage, ele responde; se ele reage, ele responde. Então, entre responder não reagindo, é preferível responder agindo e voltar para casa com vida, tá? Respeite o trabalho da polícia! Acaba com esse negócio de armamento não letal. Vai tu se expor tentando conter um cigano com arma não letal!”
Marcos também destacou que o envolvido já responde a outros procedimentos judiciais e criticou a postura da defesa:
“Eu quero mandar um recado para esse Napoleão, que é advogado: Napoleão, se fosse ao contrário, se fosse uma filha sua, você defenderia esse policial, Napoleão? Você não é advogado da Polícia Militar. Eu acho que a pessoa, para ser um advogado, ele tem que pegar os casos certos. Não trabalhe pelo dinheiro, trabalhe pela sua profissão, pela sua honestidade. […] Ela está com uma advogada boa, ela está com pessoas competentes. O Ministério Público se manifestou, eu fiquei muito contente nisso. A Promotoria de Justiça também se manifestou, abraçou esse caso”, concluiu.
Irregularidades no registro do caso e atuação do MP
Além da contestação dos familiares, o caso apresenta inconsistências nos trâmites burocráticos operacionais. Os agentes não registraram o procedimento imediatamente na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), contrariando o protocolo padrão para mortes decorrentes de intervenção policial. A apuração passou posteriormente para o controle conjunto da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e da DHPP.
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A Promotoria de Justiça do Ministério Público de Alagoas acompanha os desdobramentos da ocorrência e questiona a permanência do militar no serviço operacional das ruas, visto que ele já responde a uma denúncia formal por tentativa de homicídio praticada há dois anos.
Trânsito afetado e atuação dos bombeiros
De acordo com o registro oficial do sistema de ocorrências, o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas recebeu o acionamento para a Rua Cleto Campelo às 17h50 desta quarta-feira (9). A corporação enviou uma viatura e três militares para debelar o fogo ateado em objetos na via pública.
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Inicialmente, apenas uma das faixas da pista permanecia liberada para a circulação de veículos, causando forte lentidão no tráfego da região.
Procurado pela reportagem do Alagoas24Horas, o setor de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar de Alagoas confirmou que acompanhou a situação e por volta das 18h30 informou que a via já estava sendo liberada, o público dispersado, o fogo extinto e os entulhos recolhidos.
