O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, abre espaço para uma discussão que passa pela rotina das escolas e chega diretamente às famílias: como crianças e adolescentes com deficiência estão sendo incluídos nas atividades físicas e esportivas?
Para a Federação Alagoana de Esportes Colegiais (FAEC), a discussão precisa ir além do acesso à escola. É importante observar também de que maneira esse estudante participa das experiências oferecidas aos demais alunos, entre elas as aulas de Educação Física, jogos, atividades recreativas e práticas esportivas.
O presidente da FAEC, Irã Cândido, chama atenção para uma diferença que pode parecer pequena, mas muda completamente essa experiência: estar no mesmo ambiente não significa necessariamente estar incluído nele.
“Quando falamos em inclusão, precisamos olhar para a participação. Esse aluno está tendo oportunidade de experimentar o esporte? Está interagindo com os colegas? A atividade é adaptada quando necessário ou ele acaba ficando de fora? São perguntas que escola e família precisam fazer.”
A questão ganha contornos diferentes de acordo com cada estudante. Deficiências físicas, intelectuais e sensoriais, assim como diferentes necessidades de suporte, exigem estratégias próprias. Por isso, a proposta não é estabelecer uma única maneira de incluir, mas evitar que a dificuldade de adaptação resulte automaticamente no afastamento da atividade.
Quando proteger pode acabar limitando: comportamento dos adultos também entra nessa discussão.
Na tentativa de proteger uma criança que apresenta dificuldades motoras, sensoriais ou de interação, família e escola podem acabar reduzindo suas oportunidades de experimentar, errar, desenvolver habilidades e descobrir atividades com as quais se identifica.
A FAEC defende que o caminho não é ignorar as necessidades individuais nem obrigar todos a realizar as mesmas tarefas da mesma forma.
“Adaptar não significa diminuir a expectativa sobre aquela criança. Significa encontrar uma maneira possível de ela participar. Algumas vão precisar de mais tempo, outras de uma regra diferente, de outro estímulo ou de acompanhamento. O importante é não decidir antecipadamente que aquele espaço não é para elas.”
No esporte escolar, essa participação pode envolver muito mais do que desempenho competitivo. Movimento, convivência, compreensão de regras, autonomia, cooperação e contato com outras crianças também fazem parte da experiência.
Uma pergunta também para os pais
A FAEC propõe que as próprias famílias observem como essa inclusão acontece no cotidiano.
Quando uma criança chega em casa, talvez a pergunta não precise ser apenas “como foi a escola hoje?”. Vale perguntar também:
“O que você fez na aula de Educação Física?”
A resposta pode revelar muito sobre o espaço que aquele estudante está ocupando.
“A escola é um dos primeiros lugares em que a criança percebe se pode fazer parte ou se vai assistir aos outros fazendo. O esporte pode ser uma ferramenta muito importante de pertencimento, desde que exista oportunidade real de participação”, afirma Irã.
