Alagoas ainda lidera o ‘rancking’ da homofobia e preconceito no NE

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Alagoas é um dos estados brasileiros de legislação mais avançada em defesa dos direitos homossexuais, no entanto, é o segundo do Nordeste onde mais se pratica crimes homofóbicos. De dezembro de 2004 a março deste ano a ONG Grupo Gay de Alagoas (GGAL) contabilizou 10 assassinatos de homossexuais. Números que superaram o total registrado no ano passado, que foi de oito mortes.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), o alagoano Marcelo Nascimento, o Estado não se sobressai apenas pelos índices da violência traduzida em números de mortes, mas principalmente pelo preconceito e a ausência de políticas públicas que efetivem os direitos da comunidade GLBT. Direto do Rio de Janeiro, onde participa da 4ª edição do Prêmio Arco-Íris de Direitos Humanos, Marcelo Nascimento, nos concedeu esta entrevista.

Você foi o fundador do GGAL e hoje assiste ao surgimento de várias ONG´s defensoras dos direitos GLBT em Alagoas. Como avalia essa expansão do movimento?

Considero um momento extremamente positivo, especialmente porque as novas organizações GLBT são comandadas por pessoas que conviveram conosco, foram nossos voluntários e militantes do GGAL. Esperamos que essas novas associações multipliquem os conteúdos essenciais a luta do movimento, para que a comunidade GLBT possa ser protagonista de seus direitos.

A existência de novas ONG´s reflete que a sociedade alagoana aprendeu a conviver com as diversidades?

Hoje lutamos pela inclusão da comunidade GLBT nas políticas públicas. Não queremos tolerância, mas que a sociedade aprenda a respeitar as diferenças e que os homossexuais e transgêneros possam ter acesso ao mercado de trabalho, educação e as políticas de geração de empregos e renda. Enquanto isso não acontecer de fato, não podemos dizer que vivemos num Estado que respeita as diferenças e convive harmonicamente com os homossexuais.

Na condição de secretário de Direitos Humanos do GGAL, ativista do Fórum Permanente Contra a Violência em Alagoas e agora presidindo uma entidade que se destaca pelo compromisso com a causa, como vê os números da homofobia em Alagoas?

A violência contra gays, lésbicas e transgêneros é um fenômeno mundial, não é exclusividade de Alagoas. Muito mais abrangente do que a homofobia, os crimes de agressão física e verbal, discriminação e o preconceito proliferam em relação aos homicídios. Nossa reivindicação é pela implementação do Programa Estadual Alagoas Sem Homofobia, que ainda não saiu do papel.

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