Documento do setor elétrico alerta para chance de racionamento em 2008

Relatório apresentado nesta segunda-feira revela preocupação dos principais agentes do setor elétrico em relação ao fornecimento de energia para o final da década. Documento assinado pela Câmara Brasileira dos Investidores em Energia Elétrica (CBIEE) e pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) aponta para chances reais de falta de energia em 2008 ou 2009.

"A situação é grave e não há nenhuma medida ou uma varinha de condão que resolva o problema", disse o presidente da CBIEE, Claudio Sales. De acordo com o relatório, há dois focos principais de preocupação no setor: a perspectiva de falta do gás natural e o cronograma dos atuais investimentos. As projeções levaram em conta cenário usado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), que prevê crescimento da demanda a uma taxa média de 5% ao ano.

Sobre a possibilidade de falta de gás natural, Sales observa que o Brasil sequer tem combustível suficiente para as atuais usinas termelétricas "Mas como hoje a demanda é atendida pelas hidrelétricas, isso não é um problema sentido pelo consumidor", disse, ao citar que o grupo autor do documento avalia a situação como "grave".

Sales observa que o próprio governo vem dando mostras de que a falta de gás natural preocupa. "Quem tem dúvidas sobre isso basta lembrar da iniciativa do governo de converter as usinas termelétricas em bicombustíveis, que passarão a usar óleo diesel ou óleo combustível junto com o gás", disse.

Segundo ele, a falta de gás pode prejudicar o fornecimento de energia elétrica em 2008, quando o Brasil deve ter déficit de cerca de 15 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. "Dependendo de como pode ser essa falta de gás, já há risco de racionamento", resumiu.

O outro foco de preocupação do grupo, disse Sales, são os investimentos que deveriam estar sendo levados adiante. Segundo ele, muitos empreendimentos estão atrasados ou simplesmente não saíram do papel. "As usinas que são necessárias para 2009 não estão sendo construídas. Só para lembrar, estamos no final de 2005 e a construção de uma hidrelétrica que já tenha todas as licenças, que não é o nosso caso porque não existem essas licenças, demoraria cerca de 3 anos e meio para ficar pronta. Um usina de grande porte, então, nem se fala, que não é mais o nosso caso", observou.

Fonte: Uol

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