Delegado investiga rede criminosa de desmanche de veículos

Luis VilarDelegado Carlos Alberto Reis nega autorização sobre placas frias

Delegado Carlos Alberto Reis nega autorização sobre placas frias

O delegado de Roubos e Furtos de Veículos, Carlos Alberto Reis, está fazendo um trabalho de campana na região do litoral sul do Estado de Alagoas, que podem envolver desmanches de carros até em Maceió. Há dois meses, Reis trabalhou em uma operação que desvendou várias lojas de peças ilegais, resultando na prisão de várias pessoas. O delegado desconfia que haja uma verdadeira quadrilha que rouba carros em Alagoas.

Em entrevista exclusiva ao Alagoas 24 Horas – na manhã de hoje – Reis não quis adiantar muitos detalhes, para evitar que pessoas fujam, mas revelou que – ainda nesta semana – pode começar operações de invasões a desmanches. Há mais ou menos um mês foram encontrados dois em Coqueiro Seco e outro na entrada da cidade de Satuba, com carros depenados. Em Marechal Deodoro, Reis já encontrou uma base de operação da quadrilha, que funcionava sob o comando de Cláudio dos Santos, o Carioca.

De acordo com o próprio delegado, Carioca está envolvido em assaltos, roubos e até seqüestros. Fontes apontam ligação dele com o vereador foragido Júnior Pagão, que por sua vez pode agir sob a proteção de um deputado estadual, pelo menos é o que afirmam fontes ligadas a Secretaria de Defesa Social. Reis não falou sobre isto, mas disse ser possível que haja interligação entre todos os desmanches. Principalmente porque os dois locais que estão sendo investigados ficam na mesma área onde outras “oficinas clandestinas” foram “estouradas”.

Conforme apurou o Alagoas 24 Horas, um deles fica na região do Tabuleiro do Martins, próximo ao Village Campestre, o outro entre os municípios de Coqueiro Seco e Santa Luzia do Norte. No dia 25 de janeiro deste ano, o delegado já havia falado – ao Alagoas 24 Horas – sobre a ligação entre as quadrilhas de roubo de veículos e outros crimes, quando em operação conjunta com o delegado de Rio Largo, Marcílio Barenco, encontrou um cativeiro usado por seqüestradores. Entre os suspeitos, estava novamente Cláudio dos Santos.

Givaldo Conceição (Bau), Benedito Sebastião (Negão do Leite), Adelmir Berto dos Santos e Marivaldo (Dão) foram apontados como membros de uma mesma quadrilha, comandada por Carioca. Carioca foi preso em um desmanche na primeira semana de Janeiro, a partir dele, Carlos Alberto Reis chegou a outros nomes. O delegado acredita que as quadrilhas abasteçam lojas de peças na região compreendida entre os desmanches.

“Temos muitas informações, mas ainda estamos no trabalho de campana. Seria precipitado divulgar alguma coisa agora, mas acredito que a partir de segunda-feira, eu já tenha mais informações sobre novos desmanches. Não posso comentar ainda se são interligados”, declarou o delegado. Carlos Alberto Reis acredita que o roubo de carro em Maceió – em grande parte – tem acontecido de forma organizada e quando não, é feito por quadrilhas que usam o veículo para assaltos e depois o abandonam em algum local.

Em Santa Luzia do Norte – segundo um policial civil, que pede para não ser identificado – o desmanche fica em um terreno abandonado próximo a um local conhecido como “Lixão”. A fonte revelou ao Alagoas 24 Horas que, na noite do dia 03 de fevereiro, foram desmontados um Fiesta e outro carro no local e que as peças eram revendidas em Coqueiro Seco. O delegado não confirmou as informações, mas também não negou. Disse que está trabalhando e que almeja ações concretas ainda esta semana.

Última operação

A operação mais recente – com o propósito de acabar com desmanches – aconteceu no dia 12 de janeiro de 2006. O delegado Carlos Alberto Reis contou com o apoio da 3° Companhia Militar de Marechal Deodoro. Nesta operação, Carioca foi preso pela segunda vez. “Ele é chefe de uma quadrilha que já foi presa duas vezes por mim”, comentou Reis, durante a ocasião. Mais uma vez, por coincidência ou não, o local utilizado pelos bandidos era o litoral sul do Estado.

De acordo com fontes, os criminosos possuem uma ligação estreita, até para facilitar a revenda. “Basta citar uma vez que a Polícia Civil fez uma varredura, quase todas as pessoas presas, trabalhavam muito próximas e possivelmente eram receptadores de um mesmo esquema. Tanto é assim que a maioria dos mandados de busca e apreensão foram emitidos com bases em investigações que sabem bem disto. Informação não falta”, colocou.

Outro foco, além do litoral sul, tem sido os bairros altos da capital alagoana, que geograficamente – levando-se em conta a estada que liga Satuba ao Marechal Deodoro – passam a ser relativamente próximos. Eis alguns lugares citados pela Polícia Civil: Clima Bom, Tabuleiro do Martins e Benedito Bentes (Cachoeira do Mirim). Neste último até peças de caminhões foram encontradas pela Polícia Militar. No caso dos desmanches do Clima Bom I (encontrado no dia 22 de novembro) e do Benedito Bentes, localizado uma semana antes, havia o suposto envolvimento de um mesmo dono de Ferro Velho.

O auge da luta contra os desmanches de carros aconteceu no dia 30 de novembro de 2005, quando a cúpula da Polícia Civil e o delegado Carlos Alberto Reis cumpriram 37 mandados de busca e apreensão. A denominada Operação Desmanche apreendeu 15 motores adulterados e prendeu várias pessoas. Todos respondem processo em liberdade por terem conseguido hábeas corpus. A maioria dos presos eram empresários do setor de autopeças. Grande parte das lojas localizadas no Tabuleiro do Martins.

Até o final do ano passado a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos havia registrado cerca de 850 ocorrências envolvendo. Pouco mais de 400 veículos foram recuperados pela PM, conforme estatísticas divulgadas no ano passado. O aumento de números de roubos de veículos, em relação ao ano de 2004, chega a quase 90%, se somado os assaltos acontecidos na capital e no interior do Estado. Pensando nisto é que o delegado Carlos Alberto Reis têm se preocupado em estourar o máximo de desmanches possíveis e suspeita que estes estejam interligados.

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