Argentina toma susto, mas controla nervos e bate marfinenses

As lembranças amargas de 2002 foram amortecidas pela seleção da Argentina agora há pouco, quando mesmo sem conseguir evitar sustos durante a partida acabou superando o nervosismo inicial e a boa fama das equipes africanas em estréias em Copas para vencer a Costa do Marfim por 2 a 1 pela primeira rodada do Grupo C.

Com o estádio de Hamburgo tomado por argentinos, a seleção dirigida por José Pekerman tinha como principal obstáculo deixar no passado a carga emocional negativa que a eliminação na primeira fase no último Mundial causou nos últimos quatro anos. De quebra, os marfinenses contavam com o favorável retrospecto que registrava antes da partida quatro vitórias africanas em nove estréias -triunfos de Tunísia (1978), Argélia (1982), Nigéria (1994) e Senegal (2002).

Os fatores extra-campo até atrapalharam no início do jogo, quando o meio-campo da seleção argentina encontrava problemas de posicionamento e Riquelme não encontrava espaços para acionar Crespo e Saviola, favoritos de Pekerman em detrimento a Messi e Tevez, que tinham apoio de parte da torcida argentina para serem os titulares e ficaram no banco de reservas durante os 90 minutos.

Com o badalado atacante Chelsea isolado no ataque, a Costa do Marfim adotava como estratégia uma forte marcação no meio-campo que pressionava e dificultava muito a saída de bola dos argentinos Cambiasso e Mascherano, responsáveis pela proteção à defesa e pelo auxílio ao armador Riquelme.

As descidas de Maxi Rodríguez pela esquerda, porém, começaram a quebrar o ritmo da Costa do Marfim e a empurrar a Argentina para o campo de ataque. Em uma cobrança de escanteio feita por Riquelme aos 14min, por exemplo, Ayala cabeceou com força e dificultou a defesa do goleiro Tizié, que deixou a bola escapar. Imagens da TV deixaram dúvidas se a bola não teria entrado.

A partir daí, porém, a Argentina começou a aplacar seu nervosismo e dominar a partida, mesmo com a Costa do Marfim ainda levando perigo em jogadas feitas pela esquerda pelo meia Akalé, que sempre buscava Drogba no centro da área para as finalizações.

Com o domínio do meio-campo cada vez mais a seu favor, a Argentina se tranqüilizou definitivamente aos 24min, quando chegou ao gol após Riquelme cobrar falta pela esquerda para encontrar Crespo no rebote dado pelo goleiro Tizié.

O atacante, que disputa sua terceira Copa do Mundo, mas a primeira efetivamente como titular e sem a sombra de Batistuta, marcou seu segundo gol em um Mundial, sendo que o primeiro havia sido anotado justamente no jogo que marcou a eliminação argentina em 2002, no empate por 1 a 1 ante a Suécia.

A vantagem fez o jogo da Argentina fluir, mas não intimidou a Costa do Marfim, que continuava tendo em Drogba sua principal arma ofensiva. O atacante do Chelsea, aliás, participou do melhor lance de sua equipe no primeiro tempo, quando ajeitou de cabeça para novo cabeceio de Keita, que só não marcou devido à ótima defesa de Abbondazieri.

Mais solta e com o nervosismo superado, a equipe argentina passava a encontrar mais facilmente o meia Riquelme, que construía as principais jogadas. Em uma delas, aos 38min, deu passe preciso para Saviola vencer a mal feita linha de impedimento marfinense e apenas desviar de Tizié, fazendo 2 a 0.

O resultado parcial empolgou a Argentina no início do segundo tempo, quando abafava a saída de bola da Costa do Marfim e encontrava espaços na intermediária adversária, por onde Saviola trocava de posição constantemente com Crespo e encontrava as descidas de Maxi Rodríguez, como aconteceu logo aos 3min.

Mas as chances para a Argentina ampliar o placar começaram a rarear, e com a entrada de Dindané promovida pelo técnico francês Henri Michel a Costa do Marfim conseguiu retomar seu ritmo de marcar a saída de bola adversária por pressão.

As descidas pelas laterais, porém, aumentavam e ameaçavam a Argentina, que acabou sofrendo um gol aos 37min, depois de jogada insinuante de Dindané pela esquerda que acabou encontrando Drogba no centro da área. O atacante girou e bateu rasteio, diminuindo a vantagem argentina.

A partir daí, a torcida em Hamburgo se virou para o lado da Costa do Marfim, que passou a jogar na intermediária da Argentina, buscando sempre jogadas de linha de fundo pelas laterais. Os argentinos seguraram a ofensiva marfinense e ainda tiveram um gol anulado, aos 40min, quando Maxi Rodríguez foi flagrado em impedimento após aproveitar rebote de chute de Riquelme.

Fonte: UOL

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