Número de assalto a ônibus aumenta 20% em relação ao ano passado

Luis VilarPm aborda passageiros durante operação de combate a assaltos

Pm aborda passageiros durante operação de combate a assaltos

De acordo com o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários (Sinttro/AL), Divanildo Ramos, a condição de insegurança com que os motoristas e cobradores de ônibus urbanos, intermunicipais e interestaduais têm trabalhado só está piorando, nos últimos tempos.

Ramos declarou – em entrevista ao Alagoas 24 Horas – que o número de assaltos – tanto aos veículos urbanos, quando aos interestaduais – aumentou em pelo menos 20%, quando comparados ao ano passado. “Só no último final de semana tivemos seis ônibus sendo assaltado de uma vez. Os carros estavam sendo escoltados pela Polícia Militar, o que demonstra a ousadia dos bandidos e a necessidade de uma resposta imediata”.

O aumento de 20% é uma comparação entre os cinco primeiros meses deste ano e os cinco primeiros do ano passado. Conforme Divanildo Ramos, durante todo o ano de 2005, o Sinttro/AL registrou 122 assaltos, na área urbana e nas BRs. Somente no período que compreende de janeiro até o final de maio foram contabilizados 130 assaltos. “O número pode ser maior, já que trabalhamos apenas com os registrados”.

Ramos revelou que o Sintrro/AL trabalhou com o mapeamento da capital e do interior, colocando para a Secretaria de Defesa Social, quais eram as áreas mais críticas do Estado de Alagoas e em especial de Maceió. “Nós fizemos este levantamento para facilitar a atuação da PM, que precisa ser mais enérgica. Eles possuem estes números em mãos”.

De acordo com Ramos, em Maceió ocorrem mais assaltos do que em todo o Estado de Alagoas, mas em compensação, quando a ação criminosa é no interior, ela é bem mais violenta. “Quando o assalto é feito ao ônibus urbano, são moleques e bandidos que estão atrás de pouco dinheiro. Na auto-estrada a situação é diferente e há grupos organizados, por esta razão a violência é bem maior”.

O mapeamento feito pelo sindicato registra como piores pontos no interior de Alagoas, os acessos aos municípios de Flexeiras, Joaquim Gomes, Chã do Pilar e Junqueiro. Além destes pontos, ainda são colocadas as proximidades da Usina Terra Nova. Os assaltos – conforme Ramos – acontecem nas BRs 101, 104 e 316.

“A situação é crítica e todo mundo, anda com medo. Nós evitamos andar com altas quantias, conversamos com empresários para colocar câmeras no interior dos coletivos, mas precisamos de uma ação maior da Defesa Social”, complementou Ramos.

Na capital, o presidente do sindicato destaca como maiores regiões de assalto o bairro de Mangabeiras (ponto próximo ao O Jornal), Dique Estrada, Favela Sururu de Capote, Jacintinho, Ponta Grossa e Tabuleiro. Estas áreas correspondem a 81% dos assaltos. Os demais acontecem na região litorânea, mais são mais esporádicos.

Delegacia Especializada

A preocupação é tanta que Divanildo Ramos solicitou – em ofício encaminhado à Polícia Civil de Alagoas – uma delegacia especializada. “Pedimos, em reuniões recentes, que eles criassem a Delegacia Especializada do Rodoviário. Já tem a do Turista, que ao meu ver é menos prioritária”, coloca.

Ramos diz que “ou as forças de segurança pública aumentam seu efetivo, ou a situação vai piorar a cada ano. A necessidade de uma delegacia, de revistas e de um trabalho ostensivo é gritante. Estamos cobrando isto constantemente, entre comando sai comando da Polícia Militar, nós estamos enviando dados”.

Respostas

Para reduzir os índices de violência – entre eles os assaltos a ônibus – o secretário de Defesa Social, Ronaldo dos Santos, tem investido no combate com forças integradas em constantes operações desencadeadas pela Polícia Militar, Polícia Civil e demais forças da segurança pública.

Divanildo Ramos reconhece o esforço da secretaria e explica que dá resultados. “Realmente nos períodos de operações, como foi a Maceió Contra o Crime, no início do ano, há uma diminuição no número de assaltos”. No final do ano passado, a Polícia Militar conseguiu reduzir 81% os números de assaltos a coletivos na Grande Maceió.

No entanto, como explica Ramos, os números voltam a crescer logo após que as operações são desarticuladas. O próprio diretor da Polícia Civil, Robervaldo Davino, chegou a falar da dificuldade de punir os infratores nos assaltos a coletivos urbanos, por conta de grande parte serem adolescentes envolvidos nos crimes. Alguns, reincidentes. Ou seja, na visão de Ramos, “apenas operações, não resolve”.

“O ideal seria a PM nos coletivos, ou então nos pontos críticos. Colocamos a proposta de um policial por ônibus”. O responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Brito, destacou – diante da proposta – a impossibilidade de atendê-la, devido ao baixo efetivo da Polícia Militar. “Não há como fazer isto, porque não possuímos tantos policiais assim”, disse Brito em uma das reuniões.

“Já que não pode ser assim, que pelo menos haja reforço nos pontos críticos, independentes de operações”, rebate Ramos. A Polícia Civil de Alagoas destacou – por meio de sua assessoria de imprensa – que o aumento não é real e que houve redução no número de boletins de ocorrência envolvendo assaltos a ônibus, justamente por conta das ações ostensivas e integradas.

Quanto ao pedido de abertura de uma Delegacia Especializada do Rodoviário, a assessoria de imprensa da Polícia Civil confirma o recebimento do ofício e destaca que esbarra em dois problemas para transformar o sonho dos motoristas e cobradores em realidade. “Não há efetivo o suficiente, diante de vários pedidos para Especializadas. Além dos Rodoviários, há solicitações de grupos homossexuais e idosos, por exemplo”, destaca a assessoria.

Uma outra barreira é o poder legislativo. Para se abrir uma delegacia – conforme a assessoria da Polícia Civil – é necessário que o parlamento estadual aprove projeto na Assembléia Legislativa.

Auto-estrada

Durante a Operação Fecha Gabinetes – no inicio deste mês – a equipe de reportagem do Alagoas 24 Horas conversou com o diretor da Polícia Civil, Robervaldo Davino, sobre o crescente número de assaltos que ocorrem nas BRs de Alagoas.

Davino declarou que “os assaltos nas rodovias já não ocorrem com tanta freqüência, porque nos últimos meses a Polícia Civil conseguiu prender as principais quadrilhas que atuavam na região”.

“Estamos atuando nestas regiões mais críticas, tanto que os crimes passaram a não ocorrer com tanta freqüência. Agora é preciso entender que, o combate efetivo a ação criminosa nas BRs é de responsabilidade da Polícia Rodoviária Federal e não da Polícia Civil de Alagoas. Quando ocorre, entra tudo para as estatísticas do Estado, mas a área é Federal”, explicou Davino.

O diretor da Polícia Civil disse que “diante da impossibilidade da Polícia Rodoviária realizar o trabalho, por conta do baixo efetivo, a Polícia Civil tem trabalhado em conjunto para coibir a violência, com as prisões e o procedimento investigativo”. Davino lembra que o inquérito – “este sim” – é de responsabilidade da Polícia Civil.

Para o diretor da Polícia Civil, a área crítica do Estado de Alagoas está sob constante vigilância e isto explica a redução das ações criminosas naquelas regiões, entre elas, Davino destaca o município de Pilar, onde a delegada Paula Francinett chegou a ser ameaçada pelos assaltantes. “Foram várias quadrilhas desmanchadas e presas, o que prova que a Polícia Civil está cumprindo o seu papel”, finaliza Davino.

Para Ramos, é preciso que este trabalho se estenda. “A cada ano a ação dos criminosos se aprimora e a situação vai piorando. É necessário melhorar estas operações que a Polícia Militar e Civil estão fazendo”.

Passageiros penalizados

O presidente do sindicato diz ainda que “os maiores penalizados são os passageiros”. “Buscamos formas alternativas de resolver o problema. Uma delas é não para em pontos críticos, o que dificulta a vida de quem pega ônibus, mas precisamos zelar pela segurança dos trabalhadores”, finaliza Ramos.

O sindicalista coloca que as decisões tomadas entre empregados e empresários, como colocar câmeras em ônibus em cofres, “não estão tendo efeito”. “O cofre era para que os motoristas andassem com menos dinheiro e inibisse a ação dos bandidos, mas não teve uma resposta positiva”. Ramos coloca que as melhorias passam pelo aumento de efetivo da Polícia Militar e atendimento de reivindicações, como a criação da Delegacia Especializada. “A violência é algo generalizado. O aumento do efetivo da PM não é só pela questão dos rodoviários, mas por toda a sociedade. É preciso mais policiamento”, finaliza.

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