Deputados se desentendem após justiça determinar voto aberto na ALE

Em nova decisão, votação será aberta

Luiz Dantas (PMDB) disse que vai recorrer da decisão
Luiz Dantas (PMDB) disse que vai recorrer da decisão

O desembargador Fábio Bittencourt determinou nesta quinta-feira, 10, que a votação dos vetos do Governo deverá ocorrer de forma aberta. A decisão revalida a liminar expedida pela juíza Ester Manso e define punição severa aos parlamentares que descumprirem a sentença.

A decisão judicial foi entregue por um oficial de Justiça durante a sessão plenária na Assembleia Legislativa, provocando um debate acalorado entre os pares. Isso porque o oficial chegou à Casa de Tavares Bastos procurando o deputado Rodrigo Cunha (PSDB), autor da ação. O mesmo deputado teria autorizado o servidor do judiciário a entrar no plenário para entregar a decisão ao presidente da Mesa Diretora, deputado Luiz Dantas (PMDB). A atitude foi vista como “desrespeitosa”.

Em sua defesa, Cunha disse que apenas atendeu ao pedido do oficial que pretendia entregar a decisão ao presidente e reforçou que o descumprimento trará prejuízos aos parlamentares: “A decisão afeta cada parlamentar, que pagará R$ 10 mil em multa em caso de descumprimento, além da nulidade das deliberações”, disse.

O presidente da Casa foi um dos primeiros a reagir. “Passei meia dúzia de anos no Congresso, onde o voto secreto era uma rotina. Isso não o diminuiu em nada. Você [Rodrigo Cunha] tem o direito de entrar com sua ação e eu tenho direito de defender a minha”, disse Dantas, confirmando que irá recorrer da decisão. “A maioria da Casa quer votação secreta e eu estou com vontade de seguir a maioria”, reforçou.

Os deputados Cícero Ferro (PRTB), Antônio Albuquerque (PRTB) e Marcelo Victor (PROS) teceram duras críticas à postura de Cunha. Para eles, além de terem sido desrespeitados com a presença do oficial de Justiça no plenário, a imagem da Casa está sendo maculada pelos discursos. “Lamentável que uma votação tão singela possa ter tomado um vulto dessa ordem. Isso não está ajudando em nada a sociedade alagoana”, argumentou Albuquerque sobre a dimensão que assunto tomou.

Já os deputados Galba Novaes (PRB) e Ronaldo Medeiros (PMDB) lembraram que houve uma tentativa de votar a PEC – de autoria de Isnaldo Bulhões – determinando a votação aberta, mas esta não foi aceita por Cunha.

Para rebater as críticas, o deputado tucano esclareceu que foi contra a votação da PEC porque a ideia era que a maioria não aprovasse. Assim, ele decidiu adotar uma postura mais legalista e recorreu à justiça para que a Casa vote de forma definitivamente aberta.

 

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